sexta-feira, 17 de junho de 2016

Falhas de Eternos

Eternal Masters já está por aí, nas lojas, no MTGO e também nas mãos dos jogadores. No entanto, o set ainda é alvo de discussão e alguns defeitos que o enorme hype que acompanhou o lançamento escondeu agora vêm à tona. Defeitos estes que estão tomando alguns fóruns e seções de comentários de Magic, mas seriam essas críticas justas? Bem, vamos a elas.

Um dos primeiros pontos a se considerar é a expectativa de valor (EV de agora em diante) extremamente baixa das booster boxes de Eternal Masters que é algo próximo dos U$200,00. Para um set que tem caixas sendo vendidas pelo Ebay por uma média de U$270,00, alcançando os U$300,00 nas lojas (em lojas brasileiras estão sendo vendidas por R$1000,00 e até mesmo mais) esse é um valor pra lá de decepcionante. Para comparação o EV das caixas de Modern Masters era praticamente o mesmo, no entanto, as caixas eram negociadas por cerca de U$250,00 em lojas como a Star City Games e U$200,00 no Ebay. Então, porque essa diferença enorme nos preços de Eternal Masters e Modern Masters?

Uma razão possível é o puro e simples sentimento de que o Legacy e o Vintage devem ser mais caros que o Modern. É uma coisa bem boba se pensar bem, mas é o tipo de pensamento que já está dentro da mente dos jogadores. Os custos para se jogar Modern são, em geral, muito inferiores e parece fazer sentido pensar assim.

Um motivo muito mais crível é o que citamos no primeiro parágrafo: o hype que Eternal Masters gerou. Afinal, quem não quer tirar uma Force of Will num booster? Uma Mana Crypt? Uma Wasteland? Bem, qualquer um, certo? Eu já falei que todo booster tem uma foil? Então vamos todos comprar uma caixa de Eternal Masters, é claro. E dessa forma o preço escalou muito rapidamente e escondeu que o preço médio das míticas é cerca de U$20,00 e das raras cerca de U$5,00. Adicionando que, enquanto tiver alguém para comprar as caixas a esse preço, vai ter alguém para vender.

Outra crítica muito citada é o fato de o set ter reprints ruins e de a coleção ser bem focada em drafts, esquecendo assim que o que queremos mesmo são cartas. Essa é uma crítica que me parece bem injusta. A Wizards vem fazendo ótimos sets de draft com os sets Masters e afinal, draftar é sim a melhor forma de abrir um booster, tanto para os jogadores quanto para a Wizards, e o draft é um dos formatos mais populares e bem sucedidos que ela tem (e, assim sendo, adoraria ver um GP ou coisa assim no formato Draft de Eternal Masters). O objetivo de Eternal Masters nunca foi colocar as cartas mais poderosas dos formatos Eternos que não estão na Lista Reservada à venda, bem longe disso, na verdade, e quem pensou que seria assim é um tolo.

Imagine você que a Wizards decida acatar sua crítica e colocar somente as cartas mais valiosas e mais populares em boosters de puro valor. Qual seria o preço sugerido de apenas um booster desses? Qual seria o preço sugerido da caixa? A que patamar os preços das lojas chegariam numa situação dessas? Seria um cenário caótico com certeza, muito provavelmente um fracasso de vendas, e aí fim dos sets Masters. Acho que não é isso que queremos, certo? Que bom.

Um outro ponto recorrente é que Eternal Masters não vai deixar o Legacy e o Vintage mais barato, ao qual concordo. Entretanto, esse também não é um objetivo da coleção. O objetivo da coleção é popularizar, tornar acessível, os formatos eternos, e isso não significa baratear o formato. Para popularizar um formato eu posso simplesmente aumentar a oferta de cartas, colocá-las numa embalagem super legal e simpática aos jogadores (você é um Mestre, cara!) e crescer uma expectativa absurda na comunidade. Advinha o que Eternal Masters fez?

Antes para montar um deck Legacy você teria que recorrer ao mercado de singles quase 100% das vezes, o que não é bom para a Wizards. Agora você pode abrir um booster de Eternal Masters, que tem uma oferta limitada, mas considerável. Antes você teria que aceitar algumas cartas bem velhas e algumas cartas mal cuidadas. Agora você pode pegar uma carta ainda com o cheirinho de booster. É claro que tudo isso é inválido para as cartas da Lista Reservada e para algumas cartas que não receberam reprints e elas podem até ficarem mais caras num formato mais popular, mas veja que as cartas de Eternal Masters baixaram realmente de preço e que é possível fazer um deck decente com elas e pouco mais.

Já o MTGO tem um capítulo inteiramente só para ele nas críticas de Eternal Masters, e o set se queima muito por lá. Pra começar o set fica bem fraco se levarmos em consideração que há pouco tem foi lançado Vintage Masters exclusivamente para a plataforma, o que abaixou o preço de muitas staples do formato, tornando o reprint delas em Eternal Masters inútil. Além disso, a Wizards não pareceu muito preocupada com o MTGO em Eternal Masters e não incluiu no set cartas que seriam importantes para a plataforma, lançando o set por lá por mera formalidade. O formato mais impactado por esse lançamento no MTGO foi o Pauper que recebeu mais oferta para muitas de suas cartas mais populares e recepcionou muitas cartas novas também nas mudanças de raridade que ocorreram.

O EV, então, também é um problema de Eternal Masters na plataforma, e deixa muito difícil aproveitar o set apropriadamente por lá. As dicas que imperam são: não compre boosters; se quiser cartas, participe de um draft; se não se importar em aumentar a coleção, phantom draft; se o que você quer mesmo é draftar uma coleção nova, phantom draft; o jeito mais promissor de lucrar parece ser as ligas seladas. Fica implícito nessas dicas que você saiba o que está fazendo quando jogar, é claro, ou vai acabar perdendo seus tix.

E essas são algumas considerações sobre Eternal Masters. Sinta-se livre para usar a seção de comentários para dizer o que achou da coleção ou qualquer outra coisa. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ano de Lançamentos - Parte 1

Todos os jogadores de Magic sempre esperam que o ano seja muito bom para o jogo com muitos lançamentos, eventos, GPs de alta qualidade (aqui no Brasil, se possível), shows de decks e variedade no PT e uma ótima cobertura de tudo isso feita pela Wizards. No entanto, poucos podiam esperar a enorme quantidade de lançamentos, e mudanças provocadas por eles, que Wizards estaria preparando para esse ano de 2016. Realmente ela manteve o calendário recheado.

Pode parecer um pouco distante agora, mas o ano começou com o lançamento da segunda coleção do bloco Batalha por Zendikar, Juramento das Sentinelas, em 22 de janeiro, e esse foi um lançamento que causou um enorme burburinho em vários pontos do Magic, e da comunidade também. No gameplay os jogadores ficaram loucos devido ao novo símbolo que representaria o incolor (algo como <>) e as dúvidas entre gerar mana incolor, consumir mana incolor, mana genérica vs. mana incolor, viraram uma bagunça. Os colecionadores, e qualquer um que comprou boosters, piraram com as Expedições finais, os terrenos mais que raros full-art foil que faziam qualquer um abrir um sorriso ao tirar no booster e que também serviam para aumentar a procura pelo produto. E aqueles que são entusiastas da história conheceram a nova equipe de planinautas, as Sentinelas, que deve salvar o multiverso de agora em diante, e já começou por ali, e pôde acompanhar isso na coluna semanal no site da Wizards que passou a se chamar Magic Story. Além disso, no PT, teve início o famigerado e histórico Inverno dos Eldrazi, que só foi terminar meses depois com o comemorado banimento do Olho.

Um mês depois fomos assaltados com o anúncio de uma nova coleção de Conspiracy, que se chamaria Conspiracy: Reign of Brago, mas logo depois passou para Conspiracy: The Empty Throne e finalmente Conspiracy: Take the Crown, numa jogada de marketing da Wizards. O lançamento mesmo ficou para agosto, mas as especulações não esperam. Conspiracy foi a primeira coleção de Magic com foco total em Draft, que é um formato muito querido pelos jogadores, então nada mais esperado que eles ficarem de olho.

Em Abril temos o lançamento da primeira coleção do bloco de retorno à Innistrad, Sombras de Innistrad, que traz de volta, além de suas tribos, suas cartas dupla-face e sua mitologia, os Booster Battle Packs. Além disso, é o primeiro set de primavera a ter uma Gift Box e a primeira coleção não básica a ter seu próprio Deckbuilder’s Toolkit. A história do set também não desaponta com Sorin, Nahiri, Avacyn e Jace como protaginistas da trama.

No Pro Tour mais mudanças vêm com tudo, concernindo a formatos de competição, o tamanho das premiações no Mundial de Magic e gratificações por aparição de membros do Hall da Fama e categoria Platinum do Pro Players Club, que levou a uma grande discussão (A Treta dos Platinum) a qual já abordei por aqui, vocês devem se lembrar.

Ainda em Abril houve o lançamento dos novos Decks de Boas-Vindas, que são os novos sample decks, distribuídos gratuitamente pela Wizards em eventos como GPs ou em lojas como um primeiro contato que os novos jogadores podem ter para experimentar o Magic. São cinco decks (um para cada cor) de 30 cartas, cada um com uma rara e quatro incomuns em cada. O objetivo é que você possa pegar dois desses decks, juntá-los, e fazer um deck de duas cores de 60 cartas pronto para jogar contra outros decks. Embora as cartas desses decks não sejam lançadas nas coleções regulares elas permanecerão legais no Standard enquanto a coleção que os acompanha permanecer.

Em maio tivemos o anúncio de mais alguns produtos de Magic: os Planeswalker Packs, intro packs reformulados, centrados em planinautas, que terão cartas exclusivas que também serão legais no Standard, incluindo um planinauta, é claro, e uma carta que procura por ele, e serão lançados dois por coleção, a partir de Kaladesh; os Bundles, Fat Packs reformulados, com um booster a mais (com o preço reformulado também), que acompanharão cada coleção, também começando em Kaladesh; e o próximo Duel Deck que será o confronto Ob Nixilis VS. Nissa, com lançamento para setembro.

Para a segunda metade do ano ainda teremos o lançamento de Lua Arcana, em 22 de julho, seguido de From the Vault: Lore, que como o nome indica, vai trazer cartas pivô para os desenvolvimentos das histórias contadas no Magic até hoje, em 19 de agosto, e Conspiracy: Take the Crown, que será lançado em 26 de agosto. Em setembro, 30, Kaladesh será lançada, nova coleção que, juntamente com Revolução de Éter formará o bloco de Kaladesh, plano que conhecemos em Magic Origens. Fechando o ano, novembro tem Commander 2016, que vai apresentar decks com comandantes de quatro cores e Planechase Anthology, com cartas de Planechase e Planechase (2012), nos dias 11 e 25 respectivamente. E ainda este mês (semana que vem, na verdade)não podemos nos esquecer do lançamento Eternal Masters!

Com isso tudo devemos fechar o ano com o lançamento de 9 coleções: quatro sets regulares, mais Commander, Planechase, Conspiracy, From the Vault e Masters. Isso sem contar outros produtos como os Duel Decks. Um número realmente impressionante, mas fica a questão se dará o retorno esperado. Teremos que esperar até o fim do ano para saber.

E você, o que achou de todos esses anúncios e todos esses lançamentos? Algumas dessas mudanças devem ter passado despercebidas, são tantas. Tá perfeito? Tem mais alguma coisa pra lançar? Estão exagerando um pouco? Sinta-se livre para usar a seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sinergias do formato

O plano de zumbis e terrores lovecraftianos mais amado do Magic, Innistrad, é um plano conhecido por possuir um número elevado de tribos, algumas exclusivas até hoje. Mas, além disso, suas mecânicas envolvendo morte e cartas no cemitério fazem com que as cartas dessa coleção (e de seus antepassados) possuam um grande potencial de sinergia com diversos arquétipos. Um observador atento já deve ter percebido cartas nessa coleção que são possíveis “estrelas” de suas respectivas tribos.

Mas também podemos pensar em sermos mais ousados. Não necessariamente as sinergias devem se estender ao deck inteiro, no entanto, podemos pensar em combos relativamente simples que abrangem o competitivo. Primeiramente, gostaria de sugerir a interação entre Arcanjo Avacyn e Deslocador Eldrazi. A habilidade de remover e retornar a criatura ao campo de batalha permite duas coisas: que o mesmo seja protegido caso Avacyn transforme e cause os 3 de dano globais no campo, ou, e eu acho essa opção a melhor, a qualquer momento que você precisar, você pode remover de jogo a própria Avacyn! Isso fará com que você tenha o efeito de indestrutibilidade para as suas criaturas na hora que quiser (e que puder pagar os três de mana, mas é um preço bem justo, na minha opinião), e ainda poderá transformar a Avacyn novamente, para encaixar os 3 de dano em seu oponente novamente! A flexibilidade desse combo é bem alta, uma vez que só uma cor é necessária, dando “aquela” força pro Arcanjo favorito de todos.

Também existem outras cartas, como Interlúdio Espectral que podem beneficiar estratégias com criaturas de efeito “Enter the Battlefield”, ou seja, criaturas cujos efeitos ativam assim que elas chegam no campo, independente de onde estiveram anteriormente.

Para a próxima sinergia gostaria de destacar um arquétipo bem pouco valorizado, mas que com alguns “empurrões”, acredito eu, possa se tornar forte. Nessa nova coleção nos apresentaram o Sacode-Correntes. Ele é um espírito que permite invocar outros com flash. Não existem muitos espíritos famosos no Magic, mas já posso pensar em alguns: Geist of Saint Traft, Obzedat...

Mas não só de Standart e modern vive o jogador de Magic! Temos também o formato Commander (ou Elder Dragon Highlander, EDH, para os mais antigos), com suas explosões estilo Michael Bay, suas reviravoltas e conspirações que deixariam George Martin orgulhoso, e seus combos intensos. Aqui vemos muitas possibilidades de sinergias, então não vou conseguir pontuar nem metade delas. Podemos, por exemplo, citar o uso de Visões febris e Nekusar ou Segunda Colheita e de Marath, Will of the Wild.

Por fim, apenas uma menção honrosa ao combo Zada, Moedora de Edros e Guerrilheira Manto de Prata: Jogue uma magia na Zada, e você terá 2 cópias e um lobo 2/2. Jogue outra na Zada e você terá 3 cópias e 4 lobos! (Além da Zada e da guerrilheira). É um pequeno combo que pode encher o campo rápido com ameaças, e atacar para matar com uma combinação de Apressar e Deslizar pelo Espaço (lembrando que cada cópia comprará uma carta! A vantagem criada é muito grande).


E você, que outras sinergias enxergou com o lançamento da coleção? Diga nos comentários abaixo!

Augusto Moraes Moreira Penna