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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

O Pro Tour mais Importante

Desde seu início em 1996 já tivemos muitos Pro Tours, mais de uma centena deles, que premiaram variados formatos, entre Construído e Limitado, e variadas localidades, passando por todos os continentes do globo, com o mais alto nível de Magic: the Gathering. No entanto, posso dizer sem medo de me arriscar que o Pro Tour mais importante da história foi disputado em Mineápolis, EUA, no último fim de semana.

O Pro Tour de 25º Aniversário, como o nome já diz, é o ápice da celebração dos 25 anos de Magic: the Gathering levado ao cenário competitivo do jogo e tentou oferecer o que o jogo tinha de melhor tanto em nível de jogo quanto em entretenimento para fazer deste evento o mais especial possível, começando com o formato escolhido, Construído de Trios.

No Construído de Trios equipes de três jogadores batalham em três formatos diferentes, sendo que a equipe com mais jogos ganhos vence o embate. Para o PT25A os formatos escolhidos foram Standard, um pilar do Magic competitivo e o formato que mais aparece em PTs no modelo atual, Modern, formato entre os favoritos dos jogadores e que voltou recentemente aos Pro Tours, e Legacy, formato que representa toda a história do jogo, no qual todas as coleções, exceto as de borda cinza, são legais e que também é bem querido pelos jogadores. O que faz o formato ainda mais especial é que esta é apenas a segunda vez que um Pro Tour usa um formato Construído de Equipes (a outra vez foi em 2006 em Charleston no formato Bloco Construído Unificado de Ravnica por Equipes) e a primeira vez em muito tempo que o Legacy volta ao circuito dos Pro Tours.

A escolha desse formato foi um grande acerto que permitiu várias das grandes qualidades do evento. Primeiramente, eventos de equipe são muito bem recebidos pelos jogadores profissionais, já que tiram o peso de um jogo específico no desempenho geral dos competidores. Além disso, eles permitem uma dinâmica única entre os jogadores, que podem, e devem, se apoiar em muitos momentos de decisão. Eventos de equipe também são ótimos para os espectadores, que podem ver e aprender mais sobre os profissionais lidando com essa dinâmica de equipes enquanto ainda acompanham as outras características inerentes ao jogo competitivo, e nos dá maiores opções em termos de jogos, já que a equipe de cobertura pode focar na partida mais interessante entre três. Finalmente o formato eliminou as comuns três rodadas de Limitado no começo dos dois primeiros dias, que são notavelmente menos interessantes para os espectadores.

Eventos de equipe também tem um impacto característico no Metagame do torneio. Enquanto é verdade que a escolha do deck é influenciada pelo que cada jogador espera do formato, o fato de que seus oponentes são determinados por seu desempenho em equipe tem bastante peso. A cada novo embate você não tem nenhuma certeza de quantos jogos o oponente ganhou, e isso direciona os jogadores aos decks já estabelecidos e que eles já dominam. Dessa forma não se esperava grandes mudanças nos Metagames de Standard, Modern e Legacy que vimos em outros eventos, o que garantiu uma atenção maior a qualquer surpresa.

O Metagame


No Standard, impulsionado pelo formato de equipes e pelo atual modelo dos Pro Tours, que dão mais tempo entre o lançamento das coleções e o evento, se esperava, e se confirmou, um Metagame menos propenso à inovação, com uma grande parcela de Rx Aggro, com Goblin Lança-Correntes, especialmente a versão Rakdos, que se estabeleceu como a melhor desde o Pro Tour Dominária, e também de Mono-G Stompy, chefiado por Campeão da Lâmina de Aço e Elfos de Llanowar.

A grande questão era qual o impacto de M19 nesse cenário. Alguns apontavam que o dragão ancião Nicol Bolas, o Devastador estava pronto para colocar suas garras em bons resultados no Standard, provavelmente através do Grixis Midrange. No entanto, houve outros dois decks ganharam mais atenção nas semanas que antecederam o PT. O primeiro deles, Mono-U Storm, abusa da sinergia de artefatos baratos para acabar com o oponente com um tiro do Reservatório do Fluxo de Éter ou um exército de tópteros criados por Sai, Topterista Mestre. O outro figurava a mais nova mágica de turno extra, Nexo do Destino, que, auxiliada principalmente por Teferi, Herói de DomináriaBusca por Azcanta, ambicionava tomar quantos turnos seguidos fossem necessário para finalizar o oponente. Cercado pela polêmica das promocionais de Buy-a-Box (que você pode entender aqui), o deck apareceu no PT25A através do arquétipo Turbo Fog, numa contra medida aos decks Aggro que dominavam o formato.

Embora o estado do Modern atualmente seja conhecido, o formato têm sofrido constantes mudanças com o lançamento de cada coleção. Apesar disso o Metagame esperado para o Pro Tour era bastante estável e confiável, começando com deck Humanos, que desde Ixalan vem se firmando como um pilar do formato. Representando o aggro "honesto" num mar de decks com interações "desleais" o deck conta com as sinergias tribais, que receberam um novo impulso em Corneteiro da Milícia, para avançar seu campo de batalha ao mesmo tempo em que desacelera o oponente, com cartas como Pirata de AeroveleiroThalia, Guardiã de ThrabenMago Interferidor. Num outro pilar do formato, representando os decks combo, estava o incrivelmente resiliente Ironworks Combo, popularizado por Matt Nass, que em três GPs com o deck obteve 3º lugar como pior classificação, além de ganhar os dois outros. Passando por várias etapas muito complicadas o deck fundamentalmente abusa da interação entre Arrastador de Sucata e artefatos sacrificados por Fundição do Clã-de-Krark para vencer. Acompanhando esses decks está o Tron, que permanece popular, sempre com uma fatia do campo, e os jogadores já se acostumaram a temer um Karn Liberto no Turno 3.

Duas dúvidas ainda sobravam no Modern. A primeira era qual seria o deck de cemitério escolhido. e duas opções apareceram muito bem emparelhadas e bastante expressivas. O Hollow One, que se aproveita de muitas cartas de descarte, como Pilhagem InfielInquisição Ardente, para conjurar Ocos a custo muito baixo ou deixar Adeptos da Espada Flamejante muito poderosos, era o favorito para deixar sua marca, pois já está estabelecido como uma estratégia viável, mas, enquanto ele realmente fez isso, trilhando seu caminho até a final, o deck BridgeVine chamou muita atenção por tornar a estratégia de usar criaturas de custo zero, Caminhante AeródromoBalista Ambulante, para ter uma rápida Trepadeira Vingativa ou tokens de Ponte das Profundezas em campo, vista antes como um canhão de vidro em um deck muito consistente.

A questão final foi se o Controle acharia seu caminho no Pro Tour e, para a surpresa de alguns, a resposta foi afirmativa. Embora o Modern seja um formato muito aberto e difícil de se responder o UW Control achou em cartas como Campo da Ruína, Busca por Azcanta e Teferi, Herói de Dominária, aliadas a efeitos de cólera, Terminus, contra-mágicas, Nó Lógico, e o confiável, Caminho para o Exílio, seu caminho para se solidificar como o melhor arquétipo de controle, suplantando as versões Jeskai.

O Legacy era, por incrível que pareça, o formato onde mais surpresas podiam aparecer, após receber uma chacoalhada com o banimento de duas das cartas mais poderosas, Xamã do Ritual MortfíferoSonda Gitaxiana. Esses banimentos truxeram de volta à tona o deck Temur Delver, que havia sumido sob a influência do Xamã. Também aparece em destaque o deck UB Shadow, estratégia popular no Modern que conseguiu fazer sua transição para Legacy ao inovar com o uso de cartas como Reanimar e Liquidar, que, além de cumprirem seus papéis resolvendo seus efeitos, ajudam a fortalecer uma possível Sombra da Morte. Fora isso, decks como Miracles, Grixis Control e Death and Taxes ocuparam posições altas no Metagame, como já se esperava.

O Campeonato


Como campeonato o Pro Tour de 25º Aniversário também valia muito, pois definia o campo para o próximo grande evento do Magic competitivo, o Mundial de Magic, a acontecer em setembro em Las Vegas. Cinco dos 24 lugares já estavam ocupados pelos campeões dos outros PTs da temporada, Seth Manfield, Luis Salvatto, Wyatt Darby, o Mestre do Contruído, Matt Severa, e o Mestre do Limitado, Elias Watsfeldt, e, além desses, quatro vagas vão para os Campeões Regionais. O caminho garantido para Vegas era estar na equipe campeã do Pro Tour, mas um desempenho expressivo, como chegar ao Top 4, podia significar disputar o título de melhor jogador do mundo, então os jogadores competiriam de acordo.

Além disso o evento definiria os finalistas do Pro Tour Team Series, o campeonato de equipes do Pro Tour, e todos os integrantes das oito equipes melhores classificadas foram convidados para disputar as duas vagas para a final.

Entre as equipes disputando o Pro Tour Team Series estava a equipe Channel Fireball, que tinha entre seus membros cinco jogadores do Hall da Fama do Pro Tour, então muito se esperava dela. Um dos trios da equipe se formou entre Luis Scott-Vargas, Paulo Vitor Damo Da Rosa, Mike Sigrist, com muitos fãs, mas que não correspondeu às espectativas, finalizando o primeiro dia com apenas 3 vitórias e depois de uma boa recuperação no segundo dia o trio terminando o torneio com 9 vitórias. A outra equipe, com tríplice Hall da Fama, foi formada por Martin Jůza, Ben Stark e Josh Utter-Leyton e essa sim deu tudo o que podia no torneio, sendo a única equipe invicta no Dia 1 e finalizando com 11 vitórias e uma vaga no Top 4.

Outra equipe no páreo para a final Pro Tour Team Series do foi a equipe Hareruya Latin, com três brasileiros e que enfrentou a descrença de muitos por ser uma equipe essencialmente latina e que ocupava a 2ª posição no começo do evento. A equipe, no entanto, devolveu essa descrença com jogos em alto nível em ambos os trios. A equipe de Lucas Esper Berthoud, Luis Salvatto e Sebastian Pozzo terminou o Dia 1 com 5 vitórias e fechou o torneio com 31 pontos no 6º lugar. A equipe de Márcio Carvalho, Carlos Romão e Thiago Saporito teve resultados ainda melhores, terminando o Dia 1 com apenas um derrota e se classificando para o Top 4 com 11 vitórias.

Correndo por fora desta disputa e tentando ficar por cima de várias equipes com grandes estrelas como as descritas acima estavam duas equipes. A equipe Allen Wu, Ben Hull e Gregory Orange era nova no formato profissional, sendo que o mais experiente deles, Orange, só começou a ter sucesso na cena competitiva em 2015. Apesar disso eles se classificaram para o Top 4 com uma boa campanha de 34 pontos. A equipe restante para fechar o Top 4 é a equipe belga formada por Christophe Gregoir, Branco Neirynck e Thomas Van Der Paelt, que não teve um Dia 1 dos mais inspirados, com apenas 4 vitórias, mas que compensou com um esforço invicto no Dia 2 da competição.
As quatro equipes classificadas para o mata-mata do Pro Tour

A primeira semi-final foi entre essas duas últimas equipes e começamos com Standard, Orange contra Van Der Paelt, UW Control contra Dádiva do Faraó-Deus. Orange conseguiu manter o controle da partida, se beneficiando do jogo longo, e respondendo apropriadamente a cada tentativa de Van Der Paelt de colocar o artefato em campo. Numa tentativa final, Van Der Paelt tentou usar Regato Ipnu para encerrar o jogo, e quando não teve sucesso, concedeu a partida. Enquanto isso no Modern Hull, Hollow One, caía para o Humanos de Neirynck e, no Legacy, Wu, Death and Taxes, suplantava o Eldrazi Stompy de Gregoir, deixando a decisão para o Standard. Para a sorte de Wu e Hull, Orange sabia muito bem os pontos altos e baixos da partida, fechando a semifinal num impecável 3-0 no Standard.

A outra semifinal se deu entre Hareruya Latin e Channel Fireball. No primeiro jogo ficamos entre Carvalho, Death and Taxes, e Utter-Leyton, UB Shadow, que começou o jogo pressionando, mas foi respondido com criaturas saindo de um Frasco do Éter. No fim algumas Asas da Inexistência deram jeito numa Sombra da Morte e, armadas com a Espada de Fogo e Gelo deram o jogo para Carvalho. O jogo dois seguiu o mesmo padrão, mas nele Carvalho não conseguiu respostas, cedendo o empate para Utter-Leyton. Enquanto isso Thiago Saporito, Humanos, também empatava com Ben Stark, Ironworks Combo. A situação, no entanto, não ia bem para Romão, que enfentava Jůza num mirror de RB Aggro e perdia por 2-0. Ele conseguiu uma recuperação no jogo 3, colocando mais ameaças do que o oponente podia responder e se dando ao luxo de ignorar uma Chandra, Chama da Rebeldia do lado oposto da mesa. Porém a situação novamente se inverteu no jogo 4 e Jůza colocou a equipe Channel Fireball um jogo na frente.

Voltando ao Legacy, Utter-Leyton colocou Carvalho sob Pavor da Noite, e a estratégia de Carvalho para sair por cima foi a monarquia, mas quando ele não conseguiu mantê-la Utter-Leyton finalizou o jogo. No próximo jogo o mesmo ocorreu, mas Carvalho conseguiu segurar a monarquia e obteve o máximo de valor que podia com ela, levando a disputa para o jogo 5. Enquanto isso, no Modern, Saporito sacramentava sua recuperação vencendo o combo de Stark por 3-1, o que significava que a decisão ficou para o Legacy. Continuando a tônica dos últimos dois jogos a monarquia foi determinante no jogo final. Utter-Leyton começou aplicando pressão com uma Aberração Insetídea transformada naturalmente. Quando Carvalho usou seu Palace Jailer para se livrar de um Pescador Grumag, Utter-Leyton continuou colocando ameaças para pegar a monarquia e também a vaga para a final.

Então chegamos finalmente à final do Pro Tour de 25º Aniversário e Orange e Hull mostraram logo que estavam sérios pegando suas vitórias nos embates de UW Control contra o RB Aggro de Jůza e Hollow One contra o Ironworks Combo de Stark, porém Wu não teve a mesma sorte enfrentando uma Sombra da Morte 9/9 e um Pescador Grumag que Utter-Leyton mandou para buscar a vitória, enquanto Jůza e Stark logo reagiam empatando seus jogos. Orange não se deixou abalar e ganhou mais uma partida após levar Teferi ao seu ultimate, e deixar o oponente sem permanetes no campo. No Legacy Utter-Leyton queria fechar logo o embate contra Wu, então colocou em campo uma tripla de Pavores da Noite, as quais Wu não tinha resposta, ficando apenas com uma ameaça, um Crânio-Marreta, que voltou para a mão de Wu após lidar com um Pescador Grumag. Quando Wu tentou recolocá-lo em campo para voltar ao ataque Utter-Leyton respondeu com três Pasmar consecutivos, e, sem mais oposição, sacramentou a vantagem de 2-0. No jogo 3 Wu finalmente conseguiu executar seu plano de jogo e garantir sua primeira vitória, enquanto seus companheiros garantiam vantagens de 2-1.

Isso nos levou ao jogo 4 de Orange contra Jůza e Orange mostrou maestria em seu controle, respondendo devidamente cada ameaça apresentada por Jůza e finalizando o primeiro jogo do embate entre as equipes. Passamos então para o jogo 4 entre Hull e Stark e, se Hull saísse vitorioso ganharia o título para sua equipe. Ambos os jogadores começaram fortes o jogo, Stark com aceleração de mana e Hull com poder em campo de batalha, mas Stark lidou com essa pressão rapidamente e continuou sua busca pelo combo. Sem desanimar Hull continuou seuguindo seu plano de jogo até que ele mesmo finalmente encontrasse sua resposta ao combo de Stark, uma Linha de Força do Vácuo no turno 4. Sob enorme pressão Stark precisava de uma resposta imediata para Linha de Força ou uma maneira de sobreviver aos ataques de Hull até que ela chegasse, e foi exatamente isso que ele comprou em Sai, Topterista Mestre, que podia criar tópteros para defender e também comprar cartas. Hull continou pressionando como podia até comprar um Rancor Antigo, que limpou o caminho para Hull gravar seu nome e de seus companheiros Wu e Orange na história do Magic como campeões do Pro Tour de 25º Aniversário.
Allen Wu, Ben Hull e Gregory Orange, campeões do Pro Tour de 25º Aniversário

E isso colocou fim às competições do PT25A. Com o incrível resultado que obtiveram com certeza veremos Wu, Hull e Orange em setembro no Mundial de Magic, e também as equipes Hareruya Latin e Ultimate Guard, disputando a final do Pro Tour Team Series. De uma forma geral esse foi um Pro Tour que com certeza ficará marcado na história do jogo, não somente como a comemoração do aniversário do jogo, mas como um exemplo do quão grande o Magic é. Com bastantes elogios de jogadores e espectadores a todos os aspectos, com destaque para a qualidade da organização e transmissão, esse Pro Tour foi uma marca do quão prazeroso é participar dessa comunidade seja competindo em alto nível, seja assistindo as competições.

Assim finalizamos nossa cobertura do torneio principal do Pro Tour de 25º Aniversário. O que você achou do evento? Gostou de ver o Legacy em ação na câmera? Você gosta de eventos em equipe? Quais suas apostas para o Mundial de Magic? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mono-Red Ganha o Pro Tour

Semana passada ocorreu em Richmond nos Estados Unidos o aguardado Pro Tour da também aguardada coleção Dominária. Com cinco semanas de preparo, que incluíram muitos eventos dentro e fora do Magic Online, os profissionais do Magic tiveram tempo mais que suficiente para decidir qual a melhor abordagem para quebrar o Standard, mas o evento não fugiu, é claro, das especulações.

Antes mesmo do evento começar já havia muitos embates propostos. Várias versões de diferentes arquétipos tinham emergido nos resultados de eventos anteriores, como as infinitas variações de Rx Aggro e decks em torno do planinauta Karn, e os jogadores esperavam usar o PT como um tira teima para saber qual é a melhor. Além disso outros arquétipos se somavam à discussão para saber qual deles sairia do PT como o melhor deck do fomato, como o UW Control o BW Veículos e o BG Constritor.

Dia 1


Entrando no campeonato pudemos ver um Metagame dominado pelo vermelho e, de fato, Goblin Lança-Correntes estava presente em 35% dos decks. As três versões do arquétipo Rx lideravam a preferência dos jogadores, RB Aggro com cerca de 14%, RB Midrange com cerca de 12% e Mono-Red Aggro com cerca de 10%. Somados os decks disparavam na ponta do Pro Tour, representando um pouco mais de um terço, cerca de 36%, dos jogadores.

Pelo lado do controle tivemos muitas variações também que transitaram entre as cores Branco, Azul e Preto dependendo da direção a ser tomada. Nos decks que focavam seus recursos em responder ao campo com contra-mágicas os decks Esper e UB Control representaram somados 6,5% do Metagame. Para aqueles que preferiram o poder puro das remoções o Mono-Black Control tomou sua parte de 2%. Ainda havia aqueles mais adeptos do clássico estilo "mana-vai" que representaram cerca de 10% do Meta com decks variando sua condição de vitória com Aproximação do Segundo Sol, Mecanotitã Torrencial ou puramente Teferi, Herói de Dominária.

Ainda há três decks do Dia 1 do evento que valem comentários. O primeiro deles é o Stompy Lâmina de Aço, com 8,7%, que confiava em Campeão da Lâmina de Aço e outras criaturas grandes, como Ghalta e Mecanotitã Verdejante, acelerado por Elfos de Llanowar e exploradores como Patrulheira Jadeluzente, para passar por cima dos decks mais rápidos e também dos controles. O BW Benalia, que leva em História de Benália uma das cartas discutidas como a melhor de Dominária, também merece destaque. Com cerca de 6,3% do Meta o deck se aproveitava do já conhecido arquétipo de Veículos. O ultimo, que támbém é um arquétipo bem explorado, é o BG Constritor, que representou 7,4% do Meta.

BG Constritor este que foi a escolha do brasileiro Lucas Berthould para o torneio e foi pilotado com muito sucesso no Dia 1. Com uma campanha perfeita no primeiro draft, Lucas foi um dos dois jogadores a terminar o primeiro dia de torneios invicto. Ele foi acompanhado por Ernest Lim, que pilotou um Esper Control. No entanto o brasileiro não foi capaz de manter a performance no Dia 2 e deixou o torneio com campanha 10-6.

Vale nota o fato de que o campeonato teve uma boa participação de brasileiros, 14 competidores, como vêm sido mais recentemente, e 6 deles tiveram campanha superior a 8 vitórias. Um nome que não figura nesta lista é o de Paulo Vitor Damo da Rosa, da equipe Channel Fireball, que, pilotando o deck UG Karn, não se classificou para o segundo dia de torneio.

Dia 2


Passando então para o Dia 2 vimos a confirmação da dominância dos decks Rx. Os decks RB, com taxa de conversão de 68,9%, e Mono-Red, que converteu incríveis 79,2% de seus pilotos, somaram avassaladores 42% do Metagame. Enquanto isso os decks Control, Stompy e Benalia tiveram representações mais tímidas, 18,2%, 7,9% e 7,9% respectivamente. Importante perceber que o deck controle de maior sucesso foi o Esper, com o UB ficando logo atrás, o que denota que a melhor forma de utilizar Teferi ainda não foi desenvolvida ou que ele não é bem pareado no formato.

Com tamanha fatia de Metagame era esperado uma chuva de partidas "mirror" entre os Rx Aggro e foi exatamente isso que aconteceu até o corte para o Top 8, muito diverso em países e jogadores representados, mas nada diverso em termos de decks. Quatro dos competidores, Ernest Lim (Singapura), Gonçalo Pinto (Portugal), Wyatt Darby (EUA) e Manuel Lenz (Áustria) enfrentavam apenas seu primeiro Top 8 de Pro Tour na carreira e mais dois, Kazuyuki Takimura (Japão) e Thomas Hendriks (Holanda) apenas o seu segundo. Eles foram acompanhados dos veteranos Márcio Carvalho (Portugal, quarto Top 8, e Owen Turtenwald (EUA), quinto Top 8.

Com exceção de Ernest, que pilotava um Esper Control, todos estavam a bordo do trem Aggro Vermelho. Gonçalo, Kazuyuki, Thomas, Márcio e Owen estava com a versão RB, enquanto Wyatt e Manuel com o Mono-Red.


Top 8


Nas quartas-de-final os veteranos Owen e Márcio mostraram sua experiência eliminando Manuel e Kazuyuki. Do outro lado Wyatt venceu o Aggro mirror contra Thomas, enquanto Gonçalo mandava Ernest para casa com seu Control. Nas semi-finais havia apenas Aggro contra Aggro. RB vs RB de um lado e RB vs Mono-Red do outro. O vencedor do primeiro embate foi Gonçalo Pinto, eliminando Márcio Carvalho. No segundo Wyatt mostrava a resiliência do Mono-Red contra Owen, garantindo vaga para a última fase.

Então a final ficou decidida para determinar qual deck Aggro se sagraria campeão, com ambos os pilotos chegando a final em sua primeira aparição em Top 8. No primeiro jogo Darby teve um início rápido e impôs grande pressão para finalizar o jogo rápidamente num 1-0. Ele manteve o espírito no segundo jogo, ainda que sob mais resistência, e logo obteve 2-0, a apenas uma vitória do título. Neste ponto o sideboard entra em ação e os papéis se invertem para o terceiro jogo. Pinto conjura ameaça atrás de ameaça e as respostas encontradas por Darby não são o suficiente, 2-1. O quaro jogo foi mais aberto, ambos tiveram seus momentos de ameaçar e se defender, mas Pinto obteve novamente a vantagem e empatou a série em 2-2.

Jogo final e decisivo, cada pequena vantagem faz muita diferença. Wyatt decide começar jogando, mas é obrigado a mulligar para cinco, então Pinto aproveita a oportunidade e coloca bastante pressão na mesa, reduzindo os pontos de vida do oponente rapidamente. Tudo parecia sobre controle para ele, até que Darby conseguiu colocar uma Hazoret em campo e começou a contra atacar, reduzindo a diferença de pontos de vida entre os dois. Pinto então enviou um ataque letal para acabar com o jogo e Darby apenas conseguiu enxugar o dano, ficando com 1 ponto de vida. Darby teria apenas um turno para encontrar um ataque que o enviasse a vitória devido à seus precários pontos de vida. Sua prece foi atentida com o top deck de um Portador da Glória, que atacou e se exauriu, limpando os bloqueadores e dando a Wyatt Darby o título de campeão do Pro Tour Dominária.
Darby, à esquerda, comprimenta Pinto após o jogo

E isso foi tudo o que de principal ocorreu no PT Dominária. O que você achou do evento? O que espera do Metagame a partir aí? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pro Tour dos Brasileiros

O Pro Tour Revolta de Éter aconteceu na semana passada em Dublin, Irlanda, onde 425 jogadores batalharam pelo título de campeão. E que PT foi esse para os brasileiros! As equipes latinas, reunidas sob as asas do nosso membro do Hall da Fama Willy Edel, botaram para quebrar, e o PVDDR também não se deixou ser esquecido. Mas, antes de chegarmos a esta parte, vamos ver alguns números do evento.

Começando com o deck que foi a sensação já desde os spoilers. É claro que estou falando do Copy Cat Combo, ou Splinter Twin do Standard. O combo era tão assustador que alguns até mesmo pediram um banimento preventivo, que não aconteceu. Há muitas, muitas mesmo, formas de se construir um combo com o Guardião Felidar, mas as duas que se sobressaíram esse final de semana, e também nas semanas que antecediam o PT, foram as versões Jeskai Saheeli e Four-Color Copy Cat. Juntando essas duas construções o combo teve 97 jogadores, cerca de 22,8% do campo, se firmando como uma das estratégias mais jogadas.

O Jeskai Saheeli começou com 72 jogadores e converteu apenas 36% deles para o Dia 2, uma marca horrível, 25% abaixo da média do campeonato. No Dia 2 o deck não foi muito melhor, dos 26 que prosseguiram, apenas 2  de seus jogadores conseguiram 7 ou mais vitórias (21+ pontos) e apenas um conseguiu 8 ou mais (24+ pontos). O Four-Color Copy Cat se saiu um pouco melhor, convertendo 56% de seus 25 jogadores para o Dia 2, mas ficou abaixo do esperado nos 21+ pontos, com 2 jogadores, e nenhum nos 24+ pontos. Por não ter uma construção específica dominante a versão Four-Color é a melhor quando se trata de seguir o caminho do Copy Cat, ainda há muito espaço para melhorar e evoluir. Quanto à Jeskai é melhor deixar mesmo de lado, já que o deck tem uma matchup péssima contra o Mardu Veículos.

No arquétipo GB Aggro tivemos dois decks expressivos, o GB Constrictor, construído em torno da Constritora Sinuosa, e o GB Delirium, construído em torno da já conhecida mecânica, totalizando também 97 jogadores, 66 e 31 respectivamente. Os dois decks foram muito parecidos em termos de Metagame, com taxas de conversão boas, 68,2 para o primeiro, 74,2 para o segundo, e resultados sólidos tanto em resultados de alto nível quanto nos médios. Os decks também são muito parecidos em suas listas, mais ou menos 10 cartas de diferença, e, pelos números deste campeonato, não importa muito qual delas você escolhe.

O terceiro arquétipo a se citar é o controle que, com os decks UR Control, Grixis Control e Jeskai Control, teve 42 jogadores. Juntos os decks apresentaram uma taxa de conversão de cerca de 54% para o arquétipo. Todos eles também compartilharam um Dia 2 totalmente esquecível. A versão Grixis teve a pior performance em todo o PT com apenas um único jogador chegando ao número de 6 vitórias, e não passando disso. O Jeskai, que entre eles teve a melhor taxa de conversão, 69,2%, teve apenas 3 jogadores com 18+ pontos e nenhum com 21+ ou 24+. O UR foi o que de fato se saiu melhor, mas se manteve em cima da média com três performances 18+ e duas 21+. Com base nestes resultados é possível dizer que o controle é um arquétipo morto neste Standard, pelo menos nas próximas semanas.

E por último, mas com certeza não menos importante temos o deck que ganhou tudo no fim de semana, o Mardu Veículos. Para começar podemos dizer sem nenhum exagero que o deck obteve a melhor performance de um deck desde a era mítica do Magic. Poucos anos atrás, no PT Origens o grande deck foi o UR Ensoul Artifact, com uma performance dita no nível de Caw Blade. No entanto o deck começou o campeonato com 33 jogadores, alguns deles os melhores do mundo, número expressivo, mas que nem se compara ao 96 jogadores que fim de semana passado pilotaram o Mardu Veículos. Pelos números apresentados, neste fim de semana nós presenciamos um nível de dominância em PT quase nunca visto antes.

O deck converteu incríveis 75,8% de seus jogadores, 72, para o Dia 2 e fez muito mais. Conseguiu que quase 45% dos jogadores que pilotaram o deck tivessem uma performance de no mínimo 18 pontos, o que é absurdo. Nas performances de alto nível o deck também deu um show, com 29 jogadores com 7 ou mais vitórias e 17 com 8 ou mais. Todo esse domínio culminou em ocupar 75% do Top 8 do campeonato e não por acaso esse era o deck pilotado por Lucas Esper Berthoud.

As equipes DEX Army e Liga Magic com uniformes homenageando a Chapecoense.
Para este evento a América Latina foi representada por três equipes, DEX Army, Ligamagic e DEXThird. A primeira com nomes grandes e conhecidos, como o já citado Wlly Edel, Carlos Romão, ou Jabaiano, e o português Márcio Carvalho, com os quais os outros  membros das equipes tinham a chance de testar, aprender e se provar no campo profissional.

O Lucas Berthoud é um jogador brasileiro de longa data, campeão nacional em 2007, que estava competindo em seu sexto PT. E foi neste sexto PT que ele viu seu nome subir à elite do Magic nos três dias de competição, mostrando sua evolução como jogador, mantendo a calma por partidas e jogadas difíceis que o levaram à vaga no Top 8 como 2º colocado, com recorde 13-3.

Também se classificaram para o Top 8 Márcio Carvalho, em primeiro lugar,  com recorde 13-2-1 e Paulo Vitor Damo da Rosa com a oitava e última vaga. Importante notar que com essa classificação, a 11ª de sua carreira o PVDDR voltou a ser o jogador com  maior taxa de conversão para Top 8 em PT com no mínimo 20 PTs jogados, superando grandes nomes do Magic, como Jon Finkel.

Como se classificou em 8º PVDDR foi para a primeira fase de quartas de final contra o Tcheco Jan Ksandr, uma batalha entre Mardu Veículos e GB Delirium, que o brasileiro ganhou por 3-2. Na segunda fase de quartas de final o brasileiro enfrentou o estadunidense Donald Smith numa partida mirror, que é a norma daqui para frente, e foi derrotado por 3-2.

O mesmo Donald Smith enfrentou Márcio Carvalho na fase semi-final e do outro lado da chave Lucas Berthoud enfrentava o canadense Eduardo Sajgalik, totalizando quatro Mardu Veículos se enfrentando na semi-final. Márcio Carvalho ganhou sua partida por 3-1 e Berthoud venceu por 3-2, o que significava uma final entre amigos, parceiros de teste e integrantes das equipes DEX. Lucas começou rapidamente ganhando duas partidas em seguidas, se colocando em uma posição confortável para ganhar o título, porém Márcio não se deu por vencido, ganhando as duas próximas partidas e empatando a disputa. No quinto jogo Lucas tinha Motorista Veterano no segundo turno, Coração de Kiran no terceiro, Desintegração Ilícita no quarto e Gideon, Aliado de Zendikar no quinto. Márcio conseguiu se livrar do veículo e do planinauta e colocou em campo seu próprio veículo, Soberana Celeste, Capitânia do Cônsul. Não durou muito, no entanto, pois Lucas deu conta disso com Soltar os Gremlins e pouco depois conseguiu a vitória que o sagrou campeão do Pro Tour Revolta de Éter.

Lucas Berthoud com sua taça de campeão
Quanto às cartas a grande campeã foi o veículo Coração de Kiran, estrela do melhor deck do atual  formato mostrou que pode substituir o finado Cóptero do Contrabandista sem problemas e sem que o Mardu Veículos caia de performance, como vimos neste campeonato. Embora muitos perdedores possam ser encontrados, o que mais se destaca é mesmo o Guardião Felidar, que, embora tenha assustado muito, não conseguiu ir bem no campeonato e mostrou que era injustificado o pedido de ban preventivo. Realmente decepcionante.

Quanto ao Pro Tour Team Series a equipe DEXThird, do Lucas Berthoud, ocupa atualmente a 4ª posição no ranking com 43 pontos e a DEX Army, de Márcio Carvalho está pouco atrás, em 6º, com 39 pontos. A equipe ChannelFireball Ice, do PVDDR, está na 8ª com 37 pontos e a outra equipe latina, Ligamagic, na 27ª posição com 20 pontos.

E isso finaliza os acontecimentos do Pro Tour Aether Revolt. Gostou das classificações dos brasileiros? O que acha do Mardu Veículos? Foi um bom começo para o Pro Tour Team Series? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Pro Tour Team Series Explicado

Com o passar dos anos as equipes se tornaram algo cada vez mais comum e importante no cenário do Magic competitivo, principalmente no que se trata de Pro Tour, afinal de contas, tendo em vista o objetivo de quebrar um formato com o melhor deck possível, trabalhar em equipe torna a tarefa muito mais próxima da realidade. No entanto, a composição das equipes era algo que sempre mudava de campeonato para campeonato, sempre muito fluida. Então, com o objetivo de incentivar os profissionais do Magic a formarem equipes estáveis e de alto nível para as competições, além de introduzir mais um elemento para o qual o fã de Magic pode torcer, foi criado o Pro Tour Team Series.

O lançamento deste novo evento só acontece oficialmente com o início da temporada 2017-2018, no Pro Tour Albuquerque 2017, porém, como um teste para captar a recepção dos jogadores e dos espectadores para o novo evento, um soft launch (pré-lançamento para um público reduzido) foi agendado para esta temporada 2016-2017 com início justamente no Pro Tour Revolta de Éter. Sabendo disso vamos para como a competição funciona propriamente.

Cada equipe precisa conter seis jogadores, um número que permite que regiões menores no Magic, como a Ásia e a América Latina, participarem, sendo um designado como o capitão da equipe, que será a ligação entre a Wizards e os outros integrantes. É importante notar que cada jogador é responsável por sua elegibilidade para competir em cada PT e que ele não é automaticamente convidado para o PT de estréia de sua equipe. Além disso, vale salientar que, uma vez inscrito em uma equipe, um jogador não poderá se juntar a uma outra equipe pelo resto da temporada e substituições no elenco das equipes estão sujeitas a aprovação da Wizards.

Para fazer o registro de sua equipe no Pro Tour Team Series o capitão da equipe precisa enviar sua inscrição com o elenco (nomes e DCIs), nome e logo da equipe até uma data especificada que antecede o primeiro ou o segundo Pro Tour da temporada. Obviamente equipes inscritas no segundo PT não pontuam no primeiro. Os jogadores precisam estar devidamente uniformizados nas competições com o logo de suas equipes bem visível na frente de cada uniforme (para o soft launch a política de uniformes foi flexibilizada para o PTAER).

Com sua equipe devidamente registrada e uniformizada, é hora de competir. Quanto às partidas jogadas, elas ocorrem como em um PT normal, com cada jogador individualmente competindo pelo título de Campeão do Pro Tour de cada edição. Somente ao final de cada evento, de 1 a 3 dias depois, é que a pontuação de cada equipe é atualizada na tabela de classificação que ficará disponível no site oficial da Wizards.

A pontuação será contada da seguinte forma:
  • Para o soft launch: nos dois primeiros PTs, Revolta de Éter e Amonkhet, serão somadas as pontuações em Pro Points dos cinco melhores jogadores de cada equipe, um pedido dos jogadores, já algum membro da equipe pode deixar de se classificar para um Pro Tour. Ao fim do PT Amonkhet os membros das 4 melhores equipes serão automaticamente convidados para participar do último PT da temporada, PT Hour of Devastation, no qual a pontuação dos seis jogadores será contada para a equipe. Ao final, os membros das Top 4 equipes recebem convite para o PT seguinte, PT Albuquerque, e as duas melhores equipes serão convidadas para o Mundial de Magic: the Gathering 2017 onde disputarão num mata-mata o título de Melhor Equipe da Temporada e prêmios.
Premiações para o soft launch.
  • Para a temporada 2017-2018 e seguintes: nos três primeiros Pro Tours serão somadas as pontuações em Pro Points dos cinco melhores jogadores de cada equipe. Ao fim do terceiro PT os membros das 8 melhores equipes serão automaticamente convidados para participar do último PT da temporada, no qual a pontuação dos seis jogadores será contada para a equipe. Ao final, os membros das Top 8 equipes recebem convite para o PT seguinte e as duas melhores equipes serão convidadas para o Mundial de Magic: the Gathering 2018 onde disputarão num mata-mata o título de Melhor Equipe da Temporada e prêmios.
Premiação padrão para o Pro Tour Team Series.
Para o Pro Tour Team Series 2016-2017, como você pode ter visto na nossa página, 32 equipes serão representadas, das quais quatro contém integrantes brasileiros, entre eles os membros do Hall da Fama Paulo Vitor Damo da Rosa e Willy Edel, e o nosso campeão Jabaiano, além de outros nomes que despontam no nosso cenário atual.


E como sempre, se você, não se classificou para o PT e não faz parte de nenhuma equipe, pode acompanhar tudo e torcer para seus jogadores e equipes o que acontece no evento através das transmissões ao vivo da Wizards pelo Twitch e Youtube. Além disso você pode checar a nossa página e sites como a SCG, o Channel Fireball e o MTGGoldifish por novidades.

Há muito para se esperar sobre o Pro Tour Team Series neste e nos próximos PTs. Você gostou desta nova iniciativa da Wizards com equipes? Qual sua equipe favorita? Restou alguma dúvida? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Pro Tour sob Controle

Todo mundo deve estar sabendo que semana passada rolou o Pro Tour Kaladesh e, como é de se esperar, hoje trazemos um breve resumo do que aconteceu no evento, que foi sediado em Honolulu, Havaí, e trouxe algumas novidades.

Para começar, podemos separar os decks do Dia 1 em três grandes categorias: os decks que estão buscando uma vitória rápida, no turno 4; os decks que estão tentando vencer com suas criaturas no turno 5, esperando que possam parar os decks de turno 4 ou que eles deem azar; e, finalmente, mas de forma alguma menos importantes, os decks controle. 

Olhando os decks mais jogados desde o Dia 1, caímos em 7 grandes decks, número bem alto. O primeiro e o mais jogado deles tem, aos olhos de muitos profissionais, inclusive de LSV durante a cobertura, o potencial de ser o melhor deck deste Standard. O Aetherworks começou com cerca de 18% do campo e conseguiu converter  55 de seus 82 (67,1%) jogadores para o Dia 2, uma das melhores taxas de conversão. No entanto, ainda falta ao deck estabilidade e consistência, e, no Metagame do Dia 2, com uma abundância de decks controle, o deck não foi tão bem e somente um de seus jogadores fez campanha com 8 vitórias.

O segundo deck mais jogado foi o conhecido GB Delírio, com 11,8% do campo, que fez uma campanha confusa no PT. Teve a pior taxa de conversão entre os decks mais jogados (54,4%) e ficou abaixo da média em cada um dos pontos. Não dá para saber se foi uma má performance no Limitado ou se o deck estava mesmo mal adaptado ao campo, teremos que esperar os próximos campeonatos.

Caindo agora para os decks com menos de 10% do campo temos dois BR (Rakdos, para os familiares) com estratégias diferentes. O BR Aggro apostou nas criaturas e teve 8,2% dos jogadores, convertendo 60,5% deles para o dia, com uma performance levemente abaixo da média. Já o BR Madness apostou na loucura e foi o deck com a melhor performance de Dia 1, conversão de incríveis 70,4% de seus modestos 4,5% de meta. O problema com o deck também foi a consistência, já que, embora tenha colocado uma porcentagem considerável de jogadores nas 7 vitórias, ficou bem abaixo da média nas campanhas de 6 vitórias. Com ele foi brilhar ou ser esmagado.

WR Veículos é um deck novinho saído de Kaladesh que foi muito bem no campeonato. O quinto deck mais jogado, converteu um ótimo número de jogadores (69%) e teve uma boa quantia deles com uma sólida campanha de 6 vitórias. Embora não tenha tido muitas campanhas no topo, o deck conseguiu uma vaga no Top 8, o que significa muito mais tempo de tela para mostrar o potencial.

Outro arquétipo de Kaladesh presente foi o de Energia, bem representado nas construções GR, que buscavam finalizar o jogo rapidamente com vários pump-spells no Esmurrador Eletrostático. Embora tenha ficado apenas na média, ver uma criatura batendo 40/40 no turno 4 adicionado ao hype que o deck já tinha no MTGO deve manter o deck na superfície nas próximas semanas no mínimo, mesmo que ele não tenha bons resultados.

Para finalizar e já fazer o gancho para o Top 8 temos o Jeskai Control, deck escolhido pelo brasileiro Carlos Romão. O deck em câmera não deu show e às vezes parecia perdido, descendo Dovin Baan's só para vê-los morrer em seguida, mas, de fato, dos decks mais jogados, ele teve a melhor performance, mesmo com uma taxa de conversão baixa. 44% de seus jogadores ficaram com no mínimo 6 vitórias e 16% ficou acima das 7 e 8 vitórias com Romão cravado no Top 8. Quem achou que o controle ia estar desfavorecido no Meta de Kaladesh errou, e isso é ainda mais verdade se os decks Aetherworks e Pummeler continuarem a brilhar, afinal o que melhor que um controle para parar um combo?

O corte para o Top 8 foi bem diverso, 8 decks diferentes, 7 nacionalidades diferentes, entre eles, é claro, Carlos Romão, que vinha embalado como campeão de Grand Prix. E a grande novidade deste Top 8 foi o novo sistema de enfrentamentos, que visa diminuir os empates intencionais nas partidas finais do Suíço Construído. Os que se classificam em 1º e 2º só entram nas semifinais, e os 3º e 4º só na segunda fase de quartas de finais. Se classificaram os seguintes jogadores nas seguintes posições e pilotando os seguintes decks: 1º Makis, Matsoukas (RW Tokens) [Grécia]; 2º Shota Yasooka (Grixis Control) [Japão]; 3º Pierre Dagen (UR Spells) [França]; 4º Matt Nass (Temur Aetherwoks) [EUA]; 5º Carlos Romão (Jeskai Control) [Brasil]; 6º Ben Hull (WR Veículos) [Canadá]; 7º Lee Shi Tian (Mardu Veículos) [Hong Kong]; e 8º Joey Manner (WU Flash) [EUA].

Confrontos até a semifinal.
A última vez que Romão (ou Jabaiano, como preferirem) tinha chegado a um domingo de Top 8 num evento de tamanho de PT tinha sido há quase 15 anos atrás, mas nessa temporada ele voltou afiadíssimo, conhecendo muito bem o Meta e os decks que pilota e jogando sempre num nível muito alto, digno de suas conquistas. Como se classificou em 5º, ele era um dos que tinha o caminho mais longo até o título e começou sua jornada enfrentando Joey Manner, de quem venceu por 3-1. O segundo confronto foi contra o outro estadunidense do Top 8, Matt Nass, que Romão seubjugou por 3-0. A semifinal lhe reservou confronto contra o 1º do Suíço, o grego Matsoukas, que também foi derrotado por 3-1. É isso aí, Brasil na final.

O confronto final do PT foi entre Yasooka, atual melhor jogador da Ásia, com certeza um dos melhores profissionais de Magic e um mestre em controle. Uma partida mirror, controle vs controle, entre talvez os melhores jogadores de controle deste Standard. As partidas foram apertadas, como sempre são nesse nível de jogo, mas quem se sagrou o campeão do PT Kaladesh foi mesmo o japonês Shota Yasooka, cabendo ao brasileiro Carlos Romão o vice campeonato.

Uma bela taça ganhou Shota Yasooka.
E isso, somado e resumido, foi o que aconteceu no grande evento de Magic da semana passada, o Pro Tour Kaladesh. Você assistiu? Torceu pro Jabaiano ou pro Yassoka? O que achou do LSV na cobertura? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O Emergir do Delírio no Pro Tour

É isso mesmo, já se passou uma semana do Pro Tour Lua Arcana, um PT um tanto quanto incomum devido a zona horária de Sidney, cidade sede, 13 horas a frente de Brasília e entre 14 e até 17 horas a frente da costa oeste dos EUA. Graças a isso, ao invés do tradicional sexta-sábado-domingo tivemos a cobertura na quinta-sexta-sábado com a parte de construído começando já na nossa madrugada, o que dificultou bastante a audiência.

De qualquer forma Companhia Agrupada com seu deck Bant Company era novamente o deck a ser batido nesse PT. Muitos temiam até mesmo que ele se fixasse no topo do formato de forma definitiva e irremediável, caso tivesse muitos resultados favoráveis, mas, felizmente, ele foi batido, e como foi batido.

Analisando o Metagame do dia 1 temos em torno de 19% dos decks sendo Bant Company, um número pequeno em comparação a outros decks pré-PT dominantes de formatos anteriores e uma porcentagem que está bem longe do que muitos previram, temiam ou esperavam, ainda que seja respeitável. Em seguida tivemos os decks GB Delirium, com 12,3% do campo, e WB Control, com 7%, decks que despontaram nas duas semanas que precederam o evento e eram presença esperada devido aos resultados que conseguiram.

Destes decks o único que se deu bem foi mesmo o GB Delirium, que atingiu a taxa de conversão de 86,5% e representou 17,3% do campo no dia 2, um salto muito significante. O WB Control deixou a desejar em aspectos de Metagame e converteu somente 61,9% de seus jogadores para o dia 2, mantendo seus 7% no campo. Já o Bant Company foi o verdadeiro fracasso. Converteu apenas 53,4% de seus jogadores (era esperada uma taxa de no mínimo 80%) e representou 16,75% do Metagame no dia 2, que ainda é bastante, mas abaixo do que se esperava.

O corte para o Top 8 também nos revelou muitos decks para ficar de olho. Dos três que citamos acima tivemos um GB Delirium, nas mãos de Samuel Pardee, dois Bant Companies, pilotados por LSV e Yuta Takahashi, e um WB Control, com Lukas Blohon. Os outros dois decks que chegaram à elite do torneio foram também as grandes sensações: RG Ramp, um grande vencedor com a maior taxa de conversão entre todos, 87,5%, pilotado por Ken Yukuhiro e Reid Duke; e Temur Emerge, que usou e abusou da mecânica mais especulada de Lua Arcana e foi pilotado por Owen Turtenwald e Andrew Brown.

As torcidas se concentraram principalmente em torno de LSV e Owen Turtenwald, nomes bem conhecidos, que acabaram no mesmo lado da chave e se enfrentaram nas semi-finais, com vitória de Owen. Este, aliás, foi um grande torneio para o jogador que, além da campanha incrível, foi celebrado no Hall da Fama do Pro Tour na classe de 2016.

A final foi um confronto entre Owen e Lukas Blohon, Temur Emerge contra um WB control, ambos os decks incrivelmente bem pilotados. Dessa vez a felicidade foi de Lukas que venceu o combate por 3-0 e levou o caneco e a premiação para casa.

Lukas Blohon foi o campeão
Quanto aos destaques temos duas mecânicas que brilharam, uma é uma nova potência e a outra não é tão recente, mas tem agora potencial de brilhar para valer. Emergir mostrou que vem para ficar cravando duas vagas no Top 8 e o vice campeonato. Delírio também chegou com forças renovadas, com um lugar no Top 8 e várias de suas cartas entre as mais jogadas do torneio. Entre esses decks o destaque final caberia a várias cartas, desde o Demônio das Profundezas Ancião até Atravessar Unwenwald, mas seria injustiça com a grande mãe, Emrakul, o Fim Prometido. Presente nas duas listas, e algumas outras mais, sempre que chegou ao campo ela mostrou porque deve ser respeitada.

Os perdedores nesse Pro Tour mal foram vistos. Poucos decks de Humanos estiveram no campeonato e o GW Tokens obteve péssimos resultados com conversão de pífios 42% e nenhum jogador com campanha superior a seis vitórias. Parece que é o fim, ou muito perto, para Gideon e seus amigos nesse Standard.

E isso foi o que ocorreu no Pro Tour Lua Arcana. O que achou do evento? Você assistiu mesmo com a diferença de fuso? Qual seu palpite para o Standard daqui para frente? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Platina sem Valor

Mais ou menos um mês atrás, a Wizards, através de Hélène Bergeot, Diretora Global de Jogos Organizados (Director of Global Organized Play), anunciou uma série de mudanças que atingiram o Magic em geral em vários pontos. Nem todas essas mudanças foram bem recebidas pela comunidade e uma em especial foi firmemente rechaçada pelos jogadores, em especial, os profissionais.

A primeira mudança a se notar diz respeito aos formatos dos Pro Tofacilmente  da Copa do Mundo de Magic. A partir da temporada 2017 o Modern deixa de ser um formato de Pro Tours e o Standard passa a ser o único formato Construído a ser jogado nesses eventos. Em contrapartida o formato da Copa do Mundo passa a ser Selado de Equipes e Modern Unificado de Equipes.

Essa é uma mudança que já vem sendo discutida há algum tempo no Magic e ganhou muita força após a Invasão Eldrazi. Muitos compartilhavam da opinião de que o Modern não se sustentava como formato de Pro Tour, já que este, além do ambiente competitivo e de reunir os melhores jogadores profissionais, chamando a atenção para o Magic como um E-Sport, tem a missão de, se não popularizar, ao menos trazer os holofotes e para a coleção recém lançada. Nesse sentido o Standard é o formato que mais atende esse requisito, pois sua base de cartas reduzida e rotação consolidada fazem com que o set que está sendo lançado, que, afinal, dá nome ao PT, represente no mínimo 1/6 do formato. Então, para onde iria o Modern, afinal de contas?

A resposta dada a nós foi Copa do Mundo de Magic. A Copa do Mundo é um grande evento no qual, além dos melhores jogadores se reunirem para competir, como é esperado num evento desse porte, eles formam equipes nacionais em busca pelo título de campeão. É um evento que vem ganhando cada vez mais popularidade, então não é pouca coisa que o Modern seja o formato escolhido. E, se os formatos não te agradam quando jogados em equipe, só resta dizer que o Modern continua sendo um formato válido e muito usado para GPs, PPTQs e RPTQs, e as lojas ainda têm liberdade para fazerem seus campeonatos, então, não, o Modern não morreu.

A segunda mudança diz respeito ao Mundial de Magic e sua premiação. Para o campeonato de 2016 houve um aumento significativo no prêmio que passou a ser de $250.000,00 ($70.000,00 para o campeão). Já o campeonato de 2017 vai contar com premiação total de $500.000,00 ($100.000,00 para o campeão), o dobro de 2016! Essas são notícias que, à primeira vista, agradam muito, mas, de onde vem o dinheiro? Essa pergunta se relaciona diretamente com a terceira mudança, que diz respeito ao Pro Players Club, à categoria Platinum, em específico, e um pouco também no Hall da Fama do Pro Tour.

Então, a terceira mudança diz respeito ao cachê recebido por jogadores Platinum e também por jogadores Hall da Fama. Quanto ao Hall da Fama, os jogadores, ao invés de receber uma gratificação de aparição em todo e qualquer PT e Copa do Mundo que jogarem, vão receber $1.500,00 apenas nos PTs em que houver as cerimônias de novas turmas do Hall. É um decréscimo considerável, mas que só atinge alguns poucos jogadores, então, pode ser mais facil aceitado. Quantos aos Platinum, seu cachê passa a ser de $250 por aparição em PT, Copa do Mundo ou Classificatórios para a Copa do Mundo (antes era de $3.000 para PT, $1.000 para Copa do Mundo e $500 para Classificatório). É um decréscimo gigantesco, que atinge uma parcela bem maior de jogadores, já que qualquer um que joga competitivamente ao menos sonha em alcançar o Platinum, mais ainda aqueles que já estão na categoria, ou no Gold, ou seja, os melhores jogadores que temos.

E foi aí que o mingau azedou. Muitos viram essa mudança como a morte do Platinum e até a morte do competitivo. Quem já era Platinum podia argumentar que o esforço havia sido muito grande, grande demais, para chegar ali e ver seu objetivo desmoronar. Quem era Gold podia dizer que a mudança retira quase todo o incentivo que se tinha de perseguir uma classificação melhor. Para uma comparação rápida, as diferenças entre o Gold e o Platinum são basicamente os cachês recebidos e eles, com um valor tão baixo, não valeriam a pena. Por fim, não haveria mais incentivo para jogar competitivamente, se, a qualquer momento, as recompensas pudessem sumir.

O barulho foi tanto que dois dias depois Hélène Bergeot novamente veio se pronunciar com palavras, dessa vez, de desculpas. Nesse anúncio ela reitera o acréscimo na premiação do Mundial, mas volta atrás a respeito da situação com os Platinum. Diz que “sem intenção, nós quebramos a confiança dos jogadores Platinum, aqueles que estão trabalhando para atingir esse staus, e a Comunidade de Magic em geral” e também que “nos importamos muito com o Magic, seus jogadores e seus pro players e escutamos a comunidade” e qualifica a discussão como saudável.

No entanto, ao final, fica a promessa de até o PT de Lua Arcana, em agosto, planos para a melhoria do Magic competitivo serem reacessados, com consultoria e feedback dos profissionais levadas em consideração. De fato, o Magic precisa de mudanças em seu cenário competitivo, quase qualquer um concorda com isso, e embora seja o maior jogo de cartas do mundo, quando colocado, pelas ações da própia Wizards, como repercutiu novo diretor, como um E-Sport, o jogo ainda tem muito que aprender.

E você, como ficou em tudo isso? Qual a sua opinão sobre as mudanças feitas e quais outras deveriam acontecer? A seção de comentários está ao seu completo dispor. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pro Tour Como Deve Ser

Semana passada foi semana de Pro Tour Sombras de Innistrad e fico feliz em dizer que o evento foi um sucesso e muito agradável de se assistir (de se jogar também, imagino). O primeiro PT Standard do ano deu o impulso final para um Metagame renovado.

Antes do início do evento muitos estavam preocupados em como o Metagame se comportaria e alguns esperavam os três maiores, Companhias Agrupadas, Ramps e Humanos, saindo pelos telhados. Esses decks vinham com resultados muito expressivos nas últimas semanas e em muitas matchups eram quase imbatíveis, no entanto nenhum deles mostrava dominância opressiva e um PT seria um ótimo lugar para se firmar assim.

A despeito disso tivemos um Metagame bastante dinâmico, tanto no Dia 1 quanto no Dia 2. O Bant Company foi realmente o deck mais jogado com 23% dos decks no Dia 1. Logo em seguida vinham os Humanos (com ou sem azul) com cerca de 16% e Ramp (com ou sem Óculos) com 10%. O resto do Metagame esteve dividido em vários decks azarões, como o GB Aristocrats, da equipe Channel Fireball, o GW Tokens e o Esper Control.

Com cerca de 50% do campo seria teoricamente fácil para os três maiores dominarem o campeonato, mas não foi isso que aconteceu. O Bant Company teve um Dia 1 péssimo, com uma taxa de conversão de apenas 56%, o que pode ser atribuído à falta de experiência de muitos jogadores que escolheram este deck, a maioria era de jogadores independentes e equipes pequenas. É verdade que o deck fez seu caminho até a final, mas muito disso (a maioria, na verdade) é crédito do jogador que pilotava o deck, Andrea Mengucci.

Os Humanos tiveram um Dia 1 melhor, com 70% de conversão no monocor e 65% com azul. Eles encontraram o verdadeiro desafio no Dia 2 e, com o afunilamento do Metagame, acabaram por ser derrotado pelos outros decks, fechando com apenas 12 jogadores com campanha 6-2 ou melhor no Construído, número pequeno considerando a presença que tinha.

O Ramp foi o que, dos três, se saiu melhor. O campeonato serviu mesmo para dar a certeza: se vai jogar de Ramp, use Óculos da Piromante. As versões com os Óculos foram significantemente melhores nos dois dias de campeonato, com conversão de 80%, enquanto as outras versões com 59%, e com 5 jogadores com campanhas expressivas (6-2 ou melhor), e os outros só com 1.

Mas isso não foi tudo do Pro Tour, não.

Ainda tivemos o incrível BG Aristocrats da Equipe Channel Fireball, com destaque ao LSV, que conseguiu uma taxa de conversão de incríveis 92% e não parou por aí, agarrando um lugar no Top 8. Esse foi um deck muito divertido de se ver jogar e jogos imprevisíveis com a vitória surgindo de um campo bem postado ou de um top deck incrível. No entanto, nem tudo são flores para esse deck. É importante lembrar que praticamente qualquer deck que Channel Fireball e Ultra Pro usam, principalmente em PTs, vira ouro, já que é pilotado pelos melhores jogadores do mundo.

Destaque também a Jon Finkel que, com um deck baseado e nomeado por Estações Passadas, agarrou um lugar no Top 8 com nada menos do que 8 vitórias no construído e somente uma derrota.

Destaque final ao jogador e ao deck campeão do PTSOI, Steve Rubin pilotando GW Tokens. O deck teve apenas 2,6% do Metagame do Dia 1, mas conseguiu uma incrível marca de 90% de conversão para o Dia 2, quando representou 3,8% do campo. Muitas vezes o melhor deck não ganha um Pro Tour, mas esse não foi o caso com GW Tokens.

Steve Rubin levou o troféu.
Steve Rubin pilotou o deck para um record de 8-1-1 no construído conseguindo sua vaga no Top 8 dessa forma. Lá ele mandou para casa Brad Nelson, com RG Goggles Ramp, nas quartas e Seth Manfield, com Esper Control, na semi e partiu para enfrentar Andrea Mengucci, que jogava de Bant Company, na final. Muitos veriam uma partida favorável Mengucci como jogador (ele já havia eliminado Jon Finkel e Yasooka), mas ocorreu exatamente o contrário, Rubin mostrou vantagem nas partidas terminando o jogo com um 3-1 a seu favor.

Quanto às cartas jogadas tivemos muitos perdedores, entre eles uma grande perdedora. Estou falando de Arcanjo Avacyn. A arcanjo não foi nem de longe o sucesso que prometia por seu incrível nível de poder e praticamente não apareceu na cobertura da Wizards. De forma pareceida com a arcanjo o nosso prodígio desapontou. O azul como uma cor foi fraco e o Telepata Ilimitado não teve espaço, nem força, para brilhar. Mesmo sofrendo tanto essas cartas não foram pior que Companhia Agrupada que entrou no campeonato como a estratégia a ser batida e tomou muitas, mas muitas mesmo, porradas, perdendo seu posto de melhor deck do formato. Todas estas cartas ainda são boas, não se engane, mas perderam muito de seu brilho nesse PT e podem até ver seu preço abaixar um pouco.

As cartas verdes, que não me impressionaram no lançamento, foram muito bem no torneio. Seja Estações Passadas, Recrutador de Vigia do Crepúsculo ou Rito do Criptólito, o verde, como cor, se saiu muito bem, a mesmo sem o apoio dos Company, e com o destaque a Advogado Silvestre que foi muito forte nas listas em que estava presente, incluindo a lista campeã. O título de melhor carta dou à Óculos da Piromante que transformou o modo que se jogava um deck, o RG Ramp, e o manteve entre os melhores do formato.


E isso foi o que rolou no PTSOI. Sinta-se livre para usar a seção de comentários e deixe seu like na nossa página! Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Invasão no Pro Tour

Eldrazi, Eldrazi, Eldrazi, Affinity, Eldrazi, Eldrazi, Affinity e Eldrazi. Só um monte de palavras? Não. Um monte de palavras de Magic? Também não. Alguns arquétipos comuns de se jogar? Ainda não. Essas palavras acima são simplesmente o resultado do último Pro Tour, o PT Juramento das Sentinelas. O Top 8 em ordem de classificação, contendo nada menos do que 6 decks Eldrazi, 2 Affinity e uma falta de cor nunca vista antes. Histórico.

No entanto, vamos pelo começo. O Metagame do dia um foi, em partes, como as previsões apontavam. Affinity e Burn eram os decks mais jogados, com 13% do campo, seguidos pelo Infect com 8%. Surpreendentemente, empatado com o Infect, estava o não tão recente Eldrazi, com 32 jogadores. Outra surpresa para alguns, o Tron não foi nem mesmo um fator nesse Metagame. Muitos apostavam que o deck seria bem mais jogado, já que uma de suas piores partidas, o Twin, acabara de ser banida, mas isso acabou não se realizando. Também há de se notar que as variantes de BGx têm, juntas, 10% dos decks.

No dia dois o número de jogadores cai pela metade, mas há poucas mudanças significativas nas porcentagens. Agora os quatro decks mais jogados estão claramente separados, com Affinity na liderança, seguido por Burn, Eldrazi e Infect, respectivamente. E também no dia dois conhecemos os nossos vencedores.

De todas as partidas do PT, excetuando-se a parte de Selado, apenas 21 jogadores conseguiram uma campanha de, no mínimo, 8 vitórias. 8 vitórias significa uma performance excelente no construído sendo necessário um 4-2 no Selado para ter uma chance concreta no Top 8. Esse é o clube de elite do Pro Tour, com apenas 5,1% de todos os jogadores inscritos na competição.

Nestas condições vemos a verdadeira estrela do torneio brilhar como nunca antes. O deck que começou com 8% do campo mostra sua força ao lançar 10 jogadores com campanhas extraordinárias. É quase metade e isso é, certamente, incrível. Affinity também mostrou uma resiliência monstruosa e foi o único deck, com exceção dos Eldrazi, a colocar mais de um jogador nessa posição.

E é claro que isso nos leva ao incrível Top 8, antes mencionado. Eldrazi domina todas as atenções e vence o Pro Tour Juramento das Sentinelas pelas mãos de Jiachen Tao e sua construção UR.
Jiachen Tao ficou com a taça.
Agora vamos pôr em termos gerais para uma pequena análise. É claro que o grande vencedor desse Pro Tour foi o Eldrazi que saiu de 8% para seis jogadores com três construções diferentes no Top 8. É importante salientar que esse deck estava sim no radar dos Top Players no período antes do PT, mas a forma como ele se saiu foi verdadeiramente uma surpresa, que, a meu ver, é devida a dois fatores principais: a infestação de Burns, partida ridiculamente fácil para o deck, e a experiência e talento dos jogadores e equipes que pilotaram o deck.

O segundo melhor deck foi o Affinity que agarrou as 4ª e 7ª colocação. Entretanto o deck, que foi acima da média em tudo, cai muito em comparação com os campeões.

O perdedor do PT, vocês já devem prever, foi o Burn. Encontrou um Metagame muito difícil de se enfrentar e piorou muito o fato de o CFB estar usando 4 Cálice do Vácuo, que finalmente encontrou um deck em que se encaixa perfeitamente, de Main. Realmente uma decepção para os aficcionados pelo deck.

Outro deck que decepcionou foi o Infect, que começou com 8% do campo, mas não foi muito vitorioso. O deck acabou encontrando muitas partidas Mirror e contra o Affinity pelo caminho, e isso foi uma barreira muito grande, de fato.

Para o futuro é bom não se esquecer que os decks Eldrazi ainda não estão resolvidos. A cada dia surgem novas construções para o arquétipo, que deve evoluir ainda um pouco ainda pelos próximos campeonatos. Quanto ao tão pedido banimento acho provável que ele aconteça, já que a Wizards normalmente se atenta muito a esse tipo de reação dos jogadores, mas não o desejaria tão logo, afinal esta é somente a primeira sexta depois do PT. O martelo, no momento, tende mais ao Olho de Ugin, embora eu ache que banir o Templo dos Eldrazi também seria aceitável.

Por fim é bom lembrar que esse alvoroço todo foi causado por uma coleção pequena, que foi OGW. Um impacto inicial muito superior ao de BFZ, uma coleção muito maior.

E isso é quase tudo. Se há algo mais, alguma reclamação, história triste ou engraçada, sua opinião sobre o assunto, qualquer coisa, sinta-se livre para usar a seção de comentários.

Thiago Metralha