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sexta-feira, 1 de março de 2019

Boas Vindas e Adeus no Campeonato Mítico

O Campeonato Mítico I, que ocorreu em Cleveland, entrou na história do Magic: the Gathering semana passada dando um passo definitivo rumo a uma nova era para o Jogo Oganizado. O primeiro evento de jogo físico desse novo modelo registrou expressivos números de audiência, que pôde ver grandes embates, partidas de alto nível e, como sempre, grandes histórias, que foram sempre acompanhadas por uma excelente equipe de transmissão, mostrando com sucesso o quão grandioso o Magic pode ser. No entanto, antes de mergulharmos nos grandes momentos do último fim de semana, vamos dar uma breve olhada no Metagame do torneio.

Metagame


O campo do torneio não foi uma grande surpresa, correspondendo a muitas das predições da comunidade. Com a adição do segundo conjunto de Shock-lands em Lealdade em Ravnica as bases de mana puderam se dar o luxo de ficarem mais amplas e acomodar mais combinações de cores.

Liderando o formato no Dia 1, e com um alvo em sua cabeça, estava o Sultai Midrange, sucessor dos decks Golgari do formato passado, representando um pouco mais de 20% do campo. Logo em seguida ficaram os decks de Nexo do Destino, com cerca de 14%, que encontrou uma nova casa na interação com o encantamento Reconquista da Natureza, e, embora tenha sido banida do formato Melhor-de-Um, continua um poderoso deck no Melhor-de-Três. O terceiro arquétipo mais jogado foi, com 12,4% do campo, o White-Aggro, que também se aproveitou da abundância de mana do formato para adicionar uma cor, abrindo possibilidades para versões como o Azorius Aggro, pilotada por Márcio Carvalho, com maior acesso a respostas vindas do sideboard. Indo na contramão estava o Mono-Blue Tempo, que se manteve sua base em sua característica mono-colorida, mas adicionou algumas outras importantes melhorias que chegaram com Lealdade em Ravnica, como Pteromandra e Captura da Essência. Finalizando os cinco decks mais populares estava o Esper Control, outra combinação favorecida com a chegada de Lealdade em Ravnica, reunindo as mais poderosas e eficientes respostas que o formato poderia prover.

Correndo por fora ficaram alguns decks que antes aproveitaram tempos de grande popularidade, como os deck Izzet, em suas versões primariamente com os Dragonetes ou com as Fênix Arco-lume, e os Rx-Aggro, bastante favorecidos pela guilda Rakdos, adicionando tanto poder de fogo, Alfinetada nos Críticos, como combustível, Iluminar o Palco. Além desses algumas novas construções apareceram mesmo que timidamente, como o favorito do público, deck de Portões.

O Dia 2 foi cruel com os desafiantes, no entanto, mantendo os decks mais populares ainda bem confortáveis no topo e na mesma ordem em que apareceram no Dia 1. Em termos de conversão, no entanto as coisas mudam de figura, com os decks Nexo liderando com cerca 71% de seus jogadores chegando ao segundo dia de competições, seguido por White Aggro, com cerca de 67%, Esper Control, cerca de 64%, Sultai Midrange, com 63%, e finalmente o Mono-Blue Tempo, com 60%. Esses números são um pouco desviados pelas performances em Draft, mas são um bom indicativo de como se comportaram os decks num campo aberto.

Em resumo, o Campeonato Mítico I teve um campo com várias construções viáveis, mas que punia os decks desafiantes, talvez por serem menos preparados que os demais. Em formatos assim o que acaba prevalecendo é a habilidade individual dos jogadores, sua experiência com o jogo e com o deck que estão pilotando, e é justamente essa a imagem pintada pelo Top 8.

A Conquista de Autumn


Ao fim das 16 rodadas um Top 8 diverso e de altíssimo nível surgiu, com três jogadores pilotando o Mono-Blue Tempo, Reid Duke, Autumn Burchett, e Julien Berteaux. Além desses tivemos Luis Scott-Vargas com Izzet Phoenix, Alex Majlaton com um Gruul Aggro, Yoshihiko Ikawa com Esper Control, Márcio Carvalho com seu Azorius Aggro e, finalizando, Michael Bonde com Simic Nexus.

Na chave de cima do Top 8 o grande embate já se daria na primeira rodada, entre Márcio Carvalho, que vêm encontrando muito sucesso recentemente e chegou a seu sexto Top 8, herdando performances dos tempos de Pro Tour, e Luis Scott-Vargas, que com seu décimo Top 8 em Campeonatos Míticos reacendeu o debate de quem seria o melhor jogador de Magic de todos os tempos. Ao fim LSV levou a melhor vencendo por 3-1 e chegando a sua segunda semifinal consecutiva.

Do outro lado Autumn Burchett, com dois títulos nacionais da Inglaterra consecutivos e chegando pela primeira vez num Top 8 desse nível de competição, ganhava seu primeiro mirror do dia contra Julien Berteaux, enquanto Reid Duke, considerado um dos melhores jogadores de Magic em atividade e com boas chances de uma possível indicação ao Hall da Fama, se isso ainda for possível, enfrentou e venceu Alex Majlaton, o que levou os dois a se enfrentarem num dos duelos mais tensos do campeonato.

A semifinal entre Autumn e Reid seria um jogo que colocaria a prova a habilidade dos dois competidores. Por um lado Autumn era uma especialista no Mono-Blue Tempo, deck que vem jogando e aprimorando por toda a temporada. Por outro Reid, mesmo que fosse novo com o deck, é um jogador experientíssimo e de alto nível, colecionando sucessos em sua carreira. As partidas foram intensas, e uma bela maneira de desmistificar a popular opinião que decks Aggro são mais fáceis de pilotar, mas, após quatro duros jogos Autumn saiu vitoriosa com um 3-1 que a levou à final contra Yoshihiko Ikawa, que venceu Luis Scott-Vargas e garantiu sua chegada à final apenas em seu segundo Top 8.

A final então seria um embate entre o Esper Control de Yoshihiko Ikawa e o Mono-Blue Tempo de Autumn Burchett. O primeiro jogo foi um exemplo perfeito da força pelo qual o Mono-Blue Tempo ficou famoso. Mesmo com um começo lento Autumn foi capaz de estabelecer uma ameaça, protegê-la com contra-mágicas e ainda aprimorá-la com Obsessão Curiosa. Ikawa até tentou, mas estava em muita desvantagem, perdendo o jogo. No segundo jogo Ikawa de pronto se livrou de uma Obsessão Curiosa da mão de Autumn e também das ameaças que surgiram com remoção pontual ou mesmo limpando o campo quando necessário. Isso lhe garantiu a vitória que o levou empatado às partidas com sideboard.

Sideboard esse que foi o trunfo de Ikawa no terceiro jogo, com Kaya brilhando e se livrando de ameaças e depois Teferi consolidando a vantagem. Ikawa estava a uma vitória do título e Autumn teria que vencer duas seguidas, e já começou intensa, novamente mostrando a força de seu deck, que anulava com precisão as ações de Ikawa uma atrás da outra, que resistiu e conseguiu limpar o campo, embora já com pouca vida. Se iniciava então uma corrida por uma ameaça e Autumn a achou logo, em um de seus drop-1. Ikawa tinha a resposta, mas, temendo as contra-mágicas iniciou seu turno com uma mágica isca, que foi mordida por Autumn. Ikawa viu então o caminho livre para jogar O Ancião Renascido só para ser devastado por um Perfurar Mágica no tempo exato. Essa jogada foi a grande responsável por, turnos depois, Autumn empatar tudo de novo, levando ao jogo cinco.

Ambos iguais indo para o jogo final. Autumn estabeleceu sua ameaça em Pteromandra e foi capaz de anular as remoções apontadas para ela. Uma mágica após a outra ia caindo no cemitério de Ikawa, inútil, enquanto seus pontos de vida diminuíam até que chegaram ao ponto final: era destruir a criatura ou morrer por seus ataques. Nesse ponto Ikawa conjura um efeito de cólera que cai para mais uma contra-mágica. Então ele tenta recorrer a carta que brilhou em seu favor no jogo três, Kaya, mas é respondido pela carta que brilhou para Autumn no jogo quatro, Perfurar Mágica.

E é assim que Autumn Burchett vence o Campeonato Mítico I e entra na história, não apenas por ser levantar o primeiro troféu de um Campeonato Mítico, mas por ser o primeiro jogador trans, não-binário e que não é um homem campeão de um torneio desse nível no Magic: the Gathering. Que belas boas vindas a um Top 8! Feito que é melhor compreendido ao assistir sua entrevista pós vitória.
Assista a 2019 Mythic Championship I - Day Three End Step de Magic em www.twitch.tv


Adeus a Brian David-Marshall


E isso nos leva ao nosso último personagem, o icônico BDM, que está se aposentando da cobertura de eventos de Magic para assumir uma posição em outra empresa. Brian David Marshall está na cobertura do jogo desde que ela começou, poucas pessoas conhecem o jogo como ele. Foi com ele que conhecemos vários dos jogadores que hoje consideramos os melhores e também foi com ele que conhecemos membros da cobertura de eventos que nos acostumamos a escutar. Para perceber o carinho que a comunidade tem com ele basta ler as respostas ao anúncio de sua aposentadoria.

Seu impacto vai muito além de cada campeonato, inspirando muitos a fazer seu melhor, seja competindo, assistindo, cobrindo ou produzindo outros conteúdos que podiam nem mesmo ter relação com o jogo. Brian terá para sempre seu lugar no Magic e sua falta, com certeza, será sentida.
Assista a 2019 Mythic Championship I - Top 8 de Magic em www.twitch.tv


E assim colocamos um ponto final no Campeonato Mítico I, evento cheio de emoções. Qual foi seu momento favorito? Qual jogador? Qual carta? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

As Histórias do Mundial de Magic 2018

Semana passada aconteceu um dos eventos mais importantes para a cena profissional de Magic: the Gathering quando 24 dos melhores jogadores do mundo disputaram o título de Campeão Mundial. Com tantos talentos envolvidos a competição ficou recheada de belas histórias, muitas que vinham se desenvolvendo há bastante tempo e que trazem um apelo especial às competições.

No entanto isso não foi verdade no que concerne ao formato do torneio principal, que recebeu muitas críticas de jogadores e espectadores. A parte de Limitado se deu com draft de Dominária, coleção lançada há mais de cinco meses atrás, em Abril. O Standard tampouco trouxe muitas novidades, sendo um formato há muito estagnado, apenas esperando a renovação que deve que acontecer semana que vem, com a rotação. Um renovação que será muito profunda, pois, como comentou Saffron Olive em seu twitter, deve atingir aproximadamente 85% do metagame do torneio. De qualquer forma, o RB-Aggro mostrou novamente sua posição de dominância, representando mais da metade dos decks registrados.
Metagame do Mundial de Magic 2018

Resultados do Hall da Fama



Antes de chegarmos à competição de fato, o Mundial 2018 também nos apresentou aos resultados da votação para o Hall da Fama do Pro Tour. As temporadas de votação para a honraria são um ponto de grande divergência entre a comunidade, alguns gostam, outros detestam, mas todos chegam a um acordo na importância de mesmo estar entre os nomeados. Estar no Hall da Fama é a maior honra que pode ser recebida nesse jogo e o objetivo de todo jogador que inicia sua carreira profissional.

Na Turma de 2018, que será condecorada oficialmente no Pro Tour Guildas de Ravnica dentro de algumas semanas, estão dois jogadores. O primeiro deles é o estadunidense Seth Manfield, jogador que já possui um dos currículos mais impressionantes, que conta, por exemplo, com os títulos do Pro Tour Ixalan e do Mundial de Magic 2015, e que, para muitos, está no pico de sua carreira, com muitos anos vitoriosos ainda pela frente. O segundo é Lee Shi Tian, de Hong Kong, que só precisou de uma nomeação para se tornar o primeiro jogador da geo-região Ásia-Pacífico que não é japonês a entrar no Hall da Fama. Junto com seu currículo também robusto, contando com cinco Top 8 de Pro Tours, Lee é louvado por suas contribuições para o jogo em sua região, sendo até mencionado como o "Willy Edel da Ásia".

Parabéns a esses dois jogadores que recebem ao entrar no Hall da Fama do Pro Tour uma honra que premia uma carreira.
Votos para a turma de 2018 do Hall da Fama do Pro Tour

Disputa pelo Jogador-do-Ano


Seth Manfield também estava envolvido em mais uma importante história do fim de semana: a disputa pelo título de Jogador-do-Ano. O prêmio, que é concedido ao jogador com mais pontos em cada temporada baseado em suas performances, manteve-se acirrado ponto a ponto, evento a evento, e terminou num empate entre Seth e o argentino Luis Salvatto quando este último obteve uma ótimo resultado no GP Estocolmo. Embora essa disputa deva ser resolvida em um playoff com local, data e formatos ainda a serem definidos, seria uma boa prévia ver como esses jogadores se sairiam nesse campeonato.

E o resultado para os dois não foi nada bom, com ambos ficando na metade de baixo da classificação. Tanto Manfield quanto Salvatto terminaram o torneio com 18 pontos, mas o argentino ficou à frente na classificação por critérios de desempate. Seria esse um presságio para o que vai acontecer quando os dois se enfrentarem buscando mais um título? Teremos que esperar para ver.

Final do Pro Tour Team Series



Dessa vez continuamos com Salvatto para a empolgante final do Pro Tour Team Series. A equipe Hareruya Latin, formada pelo argentino e seu compatriota Sebastian Pozzo, os brasileiros Carlos Romão, Thiago Saporito e Lucas Esper Berthoud, e pelo português Márcio Carvalho, que venceu a desconfiança e desconsideração com resultados muito expressivos por toda a temporada, enfrentaria a equipe Ultimate Guard, que contava com grandes figuras do Magic, como o considerado melhor jogador de todos os tempos, Jon Finkel, acompanhado de Andrew Cuneo, Paul Rietzl, William Jensen, Owen Turtenwald e Reid Duke, pelo título em equipes jogando um pela primeira vez o Selado de Guildas de Ravnica, formato que todos estavam ansiosos para assistir.

As equipes receberam as cartas e tiveram duas horas para montar os seis decks da equipe. Depois as equipes se dividiriam em dois trios que se enfrentariam e a equipe que conquistasse duas vitórias receberia o título. Se ao final do embate dos trios as equipes estivessem empatadas, os trios vencedores se enfrentariam para por fim à disputa.

Os primeiros trios a se enfrentar seriam Carlos Romão (Dimir), Márcio Carvalho (Boros), Thiago Saporito (Selesnya) contra Jon Finkel (Dimir), Andrew Cuneo (Selesnya) e Paul Rietzl (Boros), numa disputa que não demorou muito. Rietzl pilotou um deck Boros muito rápido e potente e conseguiu sua vitória contra o Selesnya de Saporito. O deck de Boros de Carvalho, no entanto, não era tão rápido ou potente e sucumbiu frente ao Selesnya de Cuneo. Assim a equipe Ultimate Guard terminou liderando o embate.

Os próximos trios que se enfrentaram foram Reid Duke (Selesnya), Owen Turtenwald (Boros), William Jensen (Dimir) contra Sebastian Pozzo (Boros), Luis Salvatto (Izzet) e Lucas Esper Berthoud (Golgari). A situação começou a melhorar para a equipe latina quando todos os seus integrantes venceram suas primeiras partidas. Num novo embate entre Boros e Selesnya, Sebastian Pozzo conseguiu a vitória contra Reid Duke e colocou a Hareruya a apenas uma partida de empatar tudo e levar para o desempate. Jensen e Turtenwald tinham outros planos, no entanto, e venceram, em conjunto, as últimas quatro partidas seguidas para dar à equipe Ultimate Guard o título do Pro Tour Team Series 2017-2018.
A equipe Ultimate Guard é campeã do Pro Tour Team Series 2017-2018!


O Título Mundial


Depois de tudo isso finalmente estamos prontos para a disputa do título do Mundial de Magic, e vamos direto para o Top 4 do evento, que foi muito diverso em termos de nacionalidade, o que é muito bom para o jogo. Classificando em primeiro lugar tivemos o espanhol Javier Dominguez, que no Mundial de 2017 caiu na final para o campeão William Jensen. Ele estava determinado a não deixar isso acontecer novamente e basicamente liderou a competição de ponta a ponta com seu RB-Aggro. Na cola dele estava o polonês Grzegorz Kowalski, que, também pilotando um RB-Aggro, conseguiu uma ótima performance para a primeira vez que disputava esse torneio. Kowalski também contava com um vice-campeonato no ano passado, quando foi o capitão da equipe polonesa que foi à final da Copa do Mundo de Magic. A terceira vaga ficou com o estadunidense integrante do Hall da Fama, Ben Stark, que, prevendo a infestação de RB-Aggro, adotou uma construção mono-colorida e mais rápida, que lhe garantiu ótimos resultados nos Dias 1 e 2. A vaga final foi para o israelense Shahar Shenhar, marcado na história por ganhar o Mundial na primeira vez que se classificou e defender o título no ano seguinte, sendo o único jogador a ganhar dois Mundiais seguidos. Destoando do resto, ele pilotou um UW Gift para tentar conseguir mais um título mundial.

A primeira semi-final se deu entre Dominguez e Shenhar. No primeiro jogo ambos tiveram o começo perfeito e Dominguez começou com ameaças rápidas e constantes, mas elas se provaram inúteis quando Shenhar obteve seu combo no turno 4, o que o ganhou o jogo. No segundo embate Dominguez foi mais comedido e aproveitou seu turno 2 para conjurar um Coração de Kiran que manteve a pressão e acabou levando o jogo. O padrão alternado se repetiu para as próximas partidas, levando a disputa a um jogo 5. Nele Shenhar manteve uma mão que prometia o começo perfeito, como no jogo 1, mas que foi arruinada pelas peças de descarte de Dominguez, que se aproveitou para descer suas ameaças, manter a pressão e conquistar sua vaga na final.

Na outra semi-final Stark, que havia desenvolvido seu deck para ser mais rápido que a concorrência, viu o contrário acontecer para Kowalski. O RB-Aggro continuou a apresentar ameaças rápidas que minaram Stark em três jogos levando o polonês para a final.

A final ficou então para um mirror de RB-Aggro entre Javier Dominguez e Grzegorz Kowalski. Dominguez começou com a vantagem tomando o primeiro jogo nas costas de um Portador da Glória e de um Lança Correntes. Ele começou o segundo jogo com a mesma intensidade, mas dessa vez foi respondido à altura por Kowalski, que manteve o jogo em paridade, abaixando os pontos de vida de Dominguez até um Cortar // Pedaços finalizar tudo.

O jogo 3 foi marcado por planinautas, Karn para Javier e Chandra para Grzegorz. O espanhol abriu mão do dele, no entanto, para remover a do polonês e obter controle do campo com criaturas. As remoções de Kowalski vieram no momento certo, virando o jogo e o colocando em vantagem no embate. No jogo seguinte o sideboard de Dominguez se destacou quando O Ancião Renascido eliminou uma Hazoret e logo depois reanimou um Karn, o que assegurou a vitória, levando tudo para o jogo 5. Tudo foi decidido por um Cair da Perdição que no turno três revelou vários drop-4 na mão de Kowalski. Javier aproveitou então para aplicar pressão sobre o oponente, que não conseguiu achar seus terrenos. Num ataque final Grzegorz Kowalski estendeu a mão e parabenizou o Campeão Mundial de Magic de 2018, Javier Dominguez.
Javier Dominguez saiu de um difícil vice-campeonato em 2017 para se tornar campeão em 2018

O Protesto de Gerry Thompson


A última história do torneio fica para um jogador que abdicou de seu direito de disputá-lo, Gerry Thompson. No sábado, cerca de uma hora antes do início das competições, Gerry anunciou no reddit e em seu twitter que estava abandonando a disputa do mundial em protesto ao estado do Magic profissional.

Entre os pontos citados por Thompson estão um descaso da Wizards em relação aos jogadores profissionais, que recebem mal para jogar em alto nível e não são promovidos, embora sejam grande parte do motivo pelo qual os espectadores assistem Magic. Ele cita ainda uma falta de comunicação entre a Wizards e os jogadores, a falta de convites de Pro Tour capaz de satisfazer a comunidade, o pouco avanço na cobertura de eventos e a postura da Wizards quanto a jogadores que conhecidamente trapacearam.

Em sua postagem Gerry também dá vários exemplos de situações que reforçam seus argumentos, assim como sugestões de como melhorar a experiência profissional do Magic. Ele diz ainda que escolheu esta forma de protesto porque sabia que assim seria notado, já que, segundo ele, o feedback dado pelos profissionais no passado era raramente implementado.

Gerry Thompson abriu mão de no mínimo $2,500 em seu protesto e o potencial de ganhar $100,000 caso fosse campeão. Além disso uma boa performance no campeonato colocaria seu nome ainda mais próximo do Hall da Fama do Pro Tour.

A Wizards já divulgou uma declaração sobre o ocorrido dizendo que "esperavam que este não fosse o caso, mas respeitam a decisão [do Gerry Thompson] de se fazer escutado". O objetivo de todos, Wizards, profissionais e espectadores, é fazer com que o Magic melhore e cresça como um jogo de uma forma saudável e sustentável e as questões levantadas por Gerry Thompson são obstáculos significativos para isso. Esperemos que o final dessa história seja outro sucesso.

E isto finaliza um fim de semana cheio de emoções. Parabéns a Seth Manfield e Lee Shi Tian, turma de 2018 do Hall da Fama do Pro Tour, equipe Ultimate Guard, campeã do Pro Tour Team Series 2017-2018, e Javier Dominguez, campeão Mundial de Magic de 2018!

Grandes decisões, grandes jogadores, grandes histórias. E pra você, qual foi a melhor parte do fim de semana do Mundial? Estava torcendo para que equipe? E jogador? Concorda com as questões levantadas por Gerry Thompson? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

O Pro Tour mais Importante

Desde seu início em 1996 já tivemos muitos Pro Tours, mais de uma centena deles, que premiaram variados formatos, entre Construído e Limitado, e variadas localidades, passando por todos os continentes do globo, com o mais alto nível de Magic: the Gathering. No entanto, posso dizer sem medo de me arriscar que o Pro Tour mais importante da história foi disputado em Mineápolis, EUA, no último fim de semana.

O Pro Tour de 25º Aniversário, como o nome já diz, é o ápice da celebração dos 25 anos de Magic: the Gathering levado ao cenário competitivo do jogo e tentou oferecer o que o jogo tinha de melhor tanto em nível de jogo quanto em entretenimento para fazer deste evento o mais especial possível, começando com o formato escolhido, Construído de Trios.

No Construído de Trios equipes de três jogadores batalham em três formatos diferentes, sendo que a equipe com mais jogos ganhos vence o embate. Para o PT25A os formatos escolhidos foram Standard, um pilar do Magic competitivo e o formato que mais aparece em PTs no modelo atual, Modern, formato entre os favoritos dos jogadores e que voltou recentemente aos Pro Tours, e Legacy, formato que representa toda a história do jogo, no qual todas as coleções, exceto as de borda cinza, são legais e que também é bem querido pelos jogadores. O que faz o formato ainda mais especial é que esta é apenas a segunda vez que um Pro Tour usa um formato Construído de Equipes (a outra vez foi em 2006 em Charleston no formato Bloco Construído Unificado de Ravnica por Equipes) e a primeira vez em muito tempo que o Legacy volta ao circuito dos Pro Tours.

A escolha desse formato foi um grande acerto que permitiu várias das grandes qualidades do evento. Primeiramente, eventos de equipe são muito bem recebidos pelos jogadores profissionais, já que tiram o peso de um jogo específico no desempenho geral dos competidores. Além disso, eles permitem uma dinâmica única entre os jogadores, que podem, e devem, se apoiar em muitos momentos de decisão. Eventos de equipe também são ótimos para os espectadores, que podem ver e aprender mais sobre os profissionais lidando com essa dinâmica de equipes enquanto ainda acompanham as outras características inerentes ao jogo competitivo, e nos dá maiores opções em termos de jogos, já que a equipe de cobertura pode focar na partida mais interessante entre três. Finalmente o formato eliminou as comuns três rodadas de Limitado no começo dos dois primeiros dias, que são notavelmente menos interessantes para os espectadores.

Eventos de equipe também tem um impacto característico no Metagame do torneio. Enquanto é verdade que a escolha do deck é influenciada pelo que cada jogador espera do formato, o fato de que seus oponentes são determinados por seu desempenho em equipe tem bastante peso. A cada novo embate você não tem nenhuma certeza de quantos jogos o oponente ganhou, e isso direciona os jogadores aos decks já estabelecidos e que eles já dominam. Dessa forma não se esperava grandes mudanças nos Metagames de Standard, Modern e Legacy que vimos em outros eventos, o que garantiu uma atenção maior a qualquer surpresa.

O Metagame


No Standard, impulsionado pelo formato de equipes e pelo atual modelo dos Pro Tours, que dão mais tempo entre o lançamento das coleções e o evento, se esperava, e se confirmou, um Metagame menos propenso à inovação, com uma grande parcela de Rx Aggro, com Goblin Lança-Correntes, especialmente a versão Rakdos, que se estabeleceu como a melhor desde o Pro Tour Dominária, e também de Mono-G Stompy, chefiado por Campeão da Lâmina de Aço e Elfos de Llanowar.

A grande questão era qual o impacto de M19 nesse cenário. Alguns apontavam que o dragão ancião Nicol Bolas, o Devastador estava pronto para colocar suas garras em bons resultados no Standard, provavelmente através do Grixis Midrange. No entanto, houve outros dois decks ganharam mais atenção nas semanas que antecederam o PT. O primeiro deles, Mono-U Storm, abusa da sinergia de artefatos baratos para acabar com o oponente com um tiro do Reservatório do Fluxo de Éter ou um exército de tópteros criados por Sai, Topterista Mestre. O outro figurava a mais nova mágica de turno extra, Nexo do Destino, que, auxiliada principalmente por Teferi, Herói de DomináriaBusca por Azcanta, ambicionava tomar quantos turnos seguidos fossem necessário para finalizar o oponente. Cercado pela polêmica das promocionais de Buy-a-Box (que você pode entender aqui), o deck apareceu no PT25A através do arquétipo Turbo Fog, numa contra medida aos decks Aggro que dominavam o formato.

Embora o estado do Modern atualmente seja conhecido, o formato têm sofrido constantes mudanças com o lançamento de cada coleção. Apesar disso o Metagame esperado para o Pro Tour era bastante estável e confiável, começando com deck Humanos, que desde Ixalan vem se firmando como um pilar do formato. Representando o aggro "honesto" num mar de decks com interações "desleais" o deck conta com as sinergias tribais, que receberam um novo impulso em Corneteiro da Milícia, para avançar seu campo de batalha ao mesmo tempo em que desacelera o oponente, com cartas como Pirata de AeroveleiroThalia, Guardiã de ThrabenMago Interferidor. Num outro pilar do formato, representando os decks combo, estava o incrivelmente resiliente Ironworks Combo, popularizado por Matt Nass, que em três GPs com o deck obteve 3º lugar como pior classificação, além de ganhar os dois outros. Passando por várias etapas muito complicadas o deck fundamentalmente abusa da interação entre Arrastador de Sucata e artefatos sacrificados por Fundição do Clã-de-Krark para vencer. Acompanhando esses decks está o Tron, que permanece popular, sempre com uma fatia do campo, e os jogadores já se acostumaram a temer um Karn Liberto no Turno 3.

Duas dúvidas ainda sobravam no Modern. A primeira era qual seria o deck de cemitério escolhido. e duas opções apareceram muito bem emparelhadas e bastante expressivas. O Hollow One, que se aproveita de muitas cartas de descarte, como Pilhagem InfielInquisição Ardente, para conjurar Ocos a custo muito baixo ou deixar Adeptos da Espada Flamejante muito poderosos, era o favorito para deixar sua marca, pois já está estabelecido como uma estratégia viável, mas, enquanto ele realmente fez isso, trilhando seu caminho até a final, o deck BridgeVine chamou muita atenção por tornar a estratégia de usar criaturas de custo zero, Caminhante AeródromoBalista Ambulante, para ter uma rápida Trepadeira Vingativa ou tokens de Ponte das Profundezas em campo, vista antes como um canhão de vidro em um deck muito consistente.

A questão final foi se o Controle acharia seu caminho no Pro Tour e, para a surpresa de alguns, a resposta foi afirmativa. Embora o Modern seja um formato muito aberto e difícil de se responder o UW Control achou em cartas como Campo da Ruína, Busca por Azcanta e Teferi, Herói de Dominária, aliadas a efeitos de cólera, Terminus, contra-mágicas, Nó Lógico, e o confiável, Caminho para o Exílio, seu caminho para se solidificar como o melhor arquétipo de controle, suplantando as versões Jeskai.

O Legacy era, por incrível que pareça, o formato onde mais surpresas podiam aparecer, após receber uma chacoalhada com o banimento de duas das cartas mais poderosas, Xamã do Ritual MortfíferoSonda Gitaxiana. Esses banimentos truxeram de volta à tona o deck Temur Delver, que havia sumido sob a influência do Xamã. Também aparece em destaque o deck UB Shadow, estratégia popular no Modern que conseguiu fazer sua transição para Legacy ao inovar com o uso de cartas como Reanimar e Liquidar, que, além de cumprirem seus papéis resolvendo seus efeitos, ajudam a fortalecer uma possível Sombra da Morte. Fora isso, decks como Miracles, Grixis Control e Death and Taxes ocuparam posições altas no Metagame, como já se esperava.

O Campeonato


Como campeonato o Pro Tour de 25º Aniversário também valia muito, pois definia o campo para o próximo grande evento do Magic competitivo, o Mundial de Magic, a acontecer em setembro em Las Vegas. Cinco dos 24 lugares já estavam ocupados pelos campeões dos outros PTs da temporada, Seth Manfield, Luis Salvatto, Wyatt Darby, o Mestre do Contruído, Matt Severa, e o Mestre do Limitado, Elias Watsfeldt, e, além desses, quatro vagas vão para os Campeões Regionais. O caminho garantido para Vegas era estar na equipe campeã do Pro Tour, mas um desempenho expressivo, como chegar ao Top 4, podia significar disputar o título de melhor jogador do mundo, então os jogadores competiriam de acordo.

Além disso o evento definiria os finalistas do Pro Tour Team Series, o campeonato de equipes do Pro Tour, e todos os integrantes das oito equipes melhores classificadas foram convidados para disputar as duas vagas para a final.

Entre as equipes disputando o Pro Tour Team Series estava a equipe Channel Fireball, que tinha entre seus membros cinco jogadores do Hall da Fama do Pro Tour, então muito se esperava dela. Um dos trios da equipe se formou entre Luis Scott-Vargas, Paulo Vitor Damo Da Rosa, Mike Sigrist, com muitos fãs, mas que não correspondeu às espectativas, finalizando o primeiro dia com apenas 3 vitórias e depois de uma boa recuperação no segundo dia o trio terminando o torneio com 9 vitórias. A outra equipe, com tríplice Hall da Fama, foi formada por Martin Jůza, Ben Stark e Josh Utter-Leyton e essa sim deu tudo o que podia no torneio, sendo a única equipe invicta no Dia 1 e finalizando com 11 vitórias e uma vaga no Top 4.

Outra equipe no páreo para a final Pro Tour Team Series do foi a equipe Hareruya Latin, com três brasileiros e que enfrentou a descrença de muitos por ser uma equipe essencialmente latina e que ocupava a 2ª posição no começo do evento. A equipe, no entanto, devolveu essa descrença com jogos em alto nível em ambos os trios. A equipe de Lucas Esper Berthoud, Luis Salvatto e Sebastian Pozzo terminou o Dia 1 com 5 vitórias e fechou o torneio com 31 pontos no 6º lugar. A equipe de Márcio Carvalho, Carlos Romão e Thiago Saporito teve resultados ainda melhores, terminando o Dia 1 com apenas um derrota e se classificando para o Top 4 com 11 vitórias.

Correndo por fora desta disputa e tentando ficar por cima de várias equipes com grandes estrelas como as descritas acima estavam duas equipes. A equipe Allen Wu, Ben Hull e Gregory Orange era nova no formato profissional, sendo que o mais experiente deles, Orange, só começou a ter sucesso na cena competitiva em 2015. Apesar disso eles se classificaram para o Top 4 com uma boa campanha de 34 pontos. A equipe restante para fechar o Top 4 é a equipe belga formada por Christophe Gregoir, Branco Neirynck e Thomas Van Der Paelt, que não teve um Dia 1 dos mais inspirados, com apenas 4 vitórias, mas que compensou com um esforço invicto no Dia 2 da competição.
As quatro equipes classificadas para o mata-mata do Pro Tour

A primeira semi-final foi entre essas duas últimas equipes e começamos com Standard, Orange contra Van Der Paelt, UW Control contra Dádiva do Faraó-Deus. Orange conseguiu manter o controle da partida, se beneficiando do jogo longo, e respondendo apropriadamente a cada tentativa de Van Der Paelt de colocar o artefato em campo. Numa tentativa final, Van Der Paelt tentou usar Regato Ipnu para encerrar o jogo, e quando não teve sucesso, concedeu a partida. Enquanto isso no Modern Hull, Hollow One, caía para o Humanos de Neirynck e, no Legacy, Wu, Death and Taxes, suplantava o Eldrazi Stompy de Gregoir, deixando a decisão para o Standard. Para a sorte de Wu e Hull, Orange sabia muito bem os pontos altos e baixos da partida, fechando a semifinal num impecável 3-0 no Standard.

A outra semifinal se deu entre Hareruya Latin e Channel Fireball. No primeiro jogo ficamos entre Carvalho, Death and Taxes, e Utter-Leyton, UB Shadow, que começou o jogo pressionando, mas foi respondido com criaturas saindo de um Frasco do Éter. No fim algumas Asas da Inexistência deram jeito numa Sombra da Morte e, armadas com a Espada de Fogo e Gelo deram o jogo para Carvalho. O jogo dois seguiu o mesmo padrão, mas nele Carvalho não conseguiu respostas, cedendo o empate para Utter-Leyton. Enquanto isso Thiago Saporito, Humanos, também empatava com Ben Stark, Ironworks Combo. A situação, no entanto, não ia bem para Romão, que enfentava Jůza num mirror de RB Aggro e perdia por 2-0. Ele conseguiu uma recuperação no jogo 3, colocando mais ameaças do que o oponente podia responder e se dando ao luxo de ignorar uma Chandra, Chama da Rebeldia do lado oposto da mesa. Porém a situação novamente se inverteu no jogo 4 e Jůza colocou a equipe Channel Fireball um jogo na frente.

Voltando ao Legacy, Utter-Leyton colocou Carvalho sob Pavor da Noite, e a estratégia de Carvalho para sair por cima foi a monarquia, mas quando ele não conseguiu mantê-la Utter-Leyton finalizou o jogo. No próximo jogo o mesmo ocorreu, mas Carvalho conseguiu segurar a monarquia e obteve o máximo de valor que podia com ela, levando a disputa para o jogo 5. Enquanto isso, no Modern, Saporito sacramentava sua recuperação vencendo o combo de Stark por 3-1, o que significava que a decisão ficou para o Legacy. Continuando a tônica dos últimos dois jogos a monarquia foi determinante no jogo final. Utter-Leyton começou aplicando pressão com uma Aberração Insetídea transformada naturalmente. Quando Carvalho usou seu Palace Jailer para se livrar de um Pescador Grumag, Utter-Leyton continuou colocando ameaças para pegar a monarquia e também a vaga para a final.

Então chegamos finalmente à final do Pro Tour de 25º Aniversário e Orange e Hull mostraram logo que estavam sérios pegando suas vitórias nos embates de UW Control contra o RB Aggro de Jůza e Hollow One contra o Ironworks Combo de Stark, porém Wu não teve a mesma sorte enfrentando uma Sombra da Morte 9/9 e um Pescador Grumag que Utter-Leyton mandou para buscar a vitória, enquanto Jůza e Stark logo reagiam empatando seus jogos. Orange não se deixou abalar e ganhou mais uma partida após levar Teferi ao seu ultimate, e deixar o oponente sem permanetes no campo. No Legacy Utter-Leyton queria fechar logo o embate contra Wu, então colocou em campo uma tripla de Pavores da Noite, as quais Wu não tinha resposta, ficando apenas com uma ameaça, um Crânio-Marreta, que voltou para a mão de Wu após lidar com um Pescador Grumag. Quando Wu tentou recolocá-lo em campo para voltar ao ataque Utter-Leyton respondeu com três Pasmar consecutivos, e, sem mais oposição, sacramentou a vantagem de 2-0. No jogo 3 Wu finalmente conseguiu executar seu plano de jogo e garantir sua primeira vitória, enquanto seus companheiros garantiam vantagens de 2-1.

Isso nos levou ao jogo 4 de Orange contra Jůza e Orange mostrou maestria em seu controle, respondendo devidamente cada ameaça apresentada por Jůza e finalizando o primeiro jogo do embate entre as equipes. Passamos então para o jogo 4 entre Hull e Stark e, se Hull saísse vitorioso ganharia o título para sua equipe. Ambos os jogadores começaram fortes o jogo, Stark com aceleração de mana e Hull com poder em campo de batalha, mas Stark lidou com essa pressão rapidamente e continuou sua busca pelo combo. Sem desanimar Hull continuou seuguindo seu plano de jogo até que ele mesmo finalmente encontrasse sua resposta ao combo de Stark, uma Linha de Força do Vácuo no turno 4. Sob enorme pressão Stark precisava de uma resposta imediata para Linha de Força ou uma maneira de sobreviver aos ataques de Hull até que ela chegasse, e foi exatamente isso que ele comprou em Sai, Topterista Mestre, que podia criar tópteros para defender e também comprar cartas. Hull continou pressionando como podia até comprar um Rancor Antigo, que limpou o caminho para Hull gravar seu nome e de seus companheiros Wu e Orange na história do Magic como campeões do Pro Tour de 25º Aniversário.
Allen Wu, Ben Hull e Gregory Orange, campeões do Pro Tour de 25º Aniversário

E isso colocou fim às competições do PT25A. Com o incrível resultado que obtiveram com certeza veremos Wu, Hull e Orange em setembro no Mundial de Magic, e também as equipes Hareruya Latin e Ultimate Guard, disputando a final do Pro Tour Team Series. De uma forma geral esse foi um Pro Tour que com certeza ficará marcado na história do jogo, não somente como a comemoração do aniversário do jogo, mas como um exemplo do quão grande o Magic é. Com bastantes elogios de jogadores e espectadores a todos os aspectos, com destaque para a qualidade da organização e transmissão, esse Pro Tour foi uma marca do quão prazeroso é participar dessa comunidade seja competindo em alto nível, seja assistindo as competições.

Assim finalizamos nossa cobertura do torneio principal do Pro Tour de 25º Aniversário. O que você achou do evento? Gostou de ver o Legacy em ação na câmera? Você gosta de eventos em equipe? Quais suas apostas para o Mundial de Magic? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mono-Red Ganha o Pro Tour

Semana passada ocorreu em Richmond nos Estados Unidos o aguardado Pro Tour da também aguardada coleção Dominária. Com cinco semanas de preparo, que incluíram muitos eventos dentro e fora do Magic Online, os profissionais do Magic tiveram tempo mais que suficiente para decidir qual a melhor abordagem para quebrar o Standard, mas o evento não fugiu, é claro, das especulações.

Antes mesmo do evento começar já havia muitos embates propostos. Várias versões de diferentes arquétipos tinham emergido nos resultados de eventos anteriores, como as infinitas variações de Rx Aggro e decks em torno do planinauta Karn, e os jogadores esperavam usar o PT como um tira teima para saber qual é a melhor. Além disso outros arquétipos se somavam à discussão para saber qual deles sairia do PT como o melhor deck do fomato, como o UW Control o BW Veículos e o BG Constritor.

Dia 1


Entrando no campeonato pudemos ver um Metagame dominado pelo vermelho e, de fato, Goblin Lança-Correntes estava presente em 35% dos decks. As três versões do arquétipo Rx lideravam a preferência dos jogadores, RB Aggro com cerca de 14%, RB Midrange com cerca de 12% e Mono-Red Aggro com cerca de 10%. Somados os decks disparavam na ponta do Pro Tour, representando um pouco mais de um terço, cerca de 36%, dos jogadores.

Pelo lado do controle tivemos muitas variações também que transitaram entre as cores Branco, Azul e Preto dependendo da direção a ser tomada. Nos decks que focavam seus recursos em responder ao campo com contra-mágicas os decks Esper e UB Control representaram somados 6,5% do Metagame. Para aqueles que preferiram o poder puro das remoções o Mono-Black Control tomou sua parte de 2%. Ainda havia aqueles mais adeptos do clássico estilo "mana-vai" que representaram cerca de 10% do Meta com decks variando sua condição de vitória com Aproximação do Segundo Sol, Mecanotitã Torrencial ou puramente Teferi, Herói de Dominária.

Ainda há três decks do Dia 1 do evento que valem comentários. O primeiro deles é o Stompy Lâmina de Aço, com 8,7%, que confiava em Campeão da Lâmina de Aço e outras criaturas grandes, como Ghalta e Mecanotitã Verdejante, acelerado por Elfos de Llanowar e exploradores como Patrulheira Jadeluzente, para passar por cima dos decks mais rápidos e também dos controles. O BW Benalia, que leva em História de Benália uma das cartas discutidas como a melhor de Dominária, também merece destaque. Com cerca de 6,3% do Meta o deck se aproveitava do já conhecido arquétipo de Veículos. O ultimo, que támbém é um arquétipo bem explorado, é o BG Constritor, que representou 7,4% do Meta.

BG Constritor este que foi a escolha do brasileiro Lucas Berthould para o torneio e foi pilotado com muito sucesso no Dia 1. Com uma campanha perfeita no primeiro draft, Lucas foi um dos dois jogadores a terminar o primeiro dia de torneios invicto. Ele foi acompanhado por Ernest Lim, que pilotou um Esper Control. No entanto o brasileiro não foi capaz de manter a performance no Dia 2 e deixou o torneio com campanha 10-6.

Vale nota o fato de que o campeonato teve uma boa participação de brasileiros, 14 competidores, como vêm sido mais recentemente, e 6 deles tiveram campanha superior a 8 vitórias. Um nome que não figura nesta lista é o de Paulo Vitor Damo da Rosa, da equipe Channel Fireball, que, pilotando o deck UG Karn, não se classificou para o segundo dia de torneio.

Dia 2


Passando então para o Dia 2 vimos a confirmação da dominância dos decks Rx. Os decks RB, com taxa de conversão de 68,9%, e Mono-Red, que converteu incríveis 79,2% de seus pilotos, somaram avassaladores 42% do Metagame. Enquanto isso os decks Control, Stompy e Benalia tiveram representações mais tímidas, 18,2%, 7,9% e 7,9% respectivamente. Importante perceber que o deck controle de maior sucesso foi o Esper, com o UB ficando logo atrás, o que denota que a melhor forma de utilizar Teferi ainda não foi desenvolvida ou que ele não é bem pareado no formato.

Com tamanha fatia de Metagame era esperado uma chuva de partidas "mirror" entre os Rx Aggro e foi exatamente isso que aconteceu até o corte para o Top 8, muito diverso em países e jogadores representados, mas nada diverso em termos de decks. Quatro dos competidores, Ernest Lim (Singapura), Gonçalo Pinto (Portugal), Wyatt Darby (EUA) e Manuel Lenz (Áustria) enfrentavam apenas seu primeiro Top 8 de Pro Tour na carreira e mais dois, Kazuyuki Takimura (Japão) e Thomas Hendriks (Holanda) apenas o seu segundo. Eles foram acompanhados dos veteranos Márcio Carvalho (Portugal, quarto Top 8, e Owen Turtenwald (EUA), quinto Top 8.

Com exceção de Ernest, que pilotava um Esper Control, todos estavam a bordo do trem Aggro Vermelho. Gonçalo, Kazuyuki, Thomas, Márcio e Owen estava com a versão RB, enquanto Wyatt e Manuel com o Mono-Red.


Top 8


Nas quartas-de-final os veteranos Owen e Márcio mostraram sua experiência eliminando Manuel e Kazuyuki. Do outro lado Wyatt venceu o Aggro mirror contra Thomas, enquanto Gonçalo mandava Ernest para casa com seu Control. Nas semi-finais havia apenas Aggro contra Aggro. RB vs RB de um lado e RB vs Mono-Red do outro. O vencedor do primeiro embate foi Gonçalo Pinto, eliminando Márcio Carvalho. No segundo Wyatt mostrava a resiliência do Mono-Red contra Owen, garantindo vaga para a última fase.

Então a final ficou decidida para determinar qual deck Aggro se sagraria campeão, com ambos os pilotos chegando a final em sua primeira aparição em Top 8. No primeiro jogo Darby teve um início rápido e impôs grande pressão para finalizar o jogo rápidamente num 1-0. Ele manteve o espírito no segundo jogo, ainda que sob mais resistência, e logo obteve 2-0, a apenas uma vitória do título. Neste ponto o sideboard entra em ação e os papéis se invertem para o terceiro jogo. Pinto conjura ameaça atrás de ameaça e as respostas encontradas por Darby não são o suficiente, 2-1. O quaro jogo foi mais aberto, ambos tiveram seus momentos de ameaçar e se defender, mas Pinto obteve novamente a vantagem e empatou a série em 2-2.

Jogo final e decisivo, cada pequena vantagem faz muita diferença. Wyatt decide começar jogando, mas é obrigado a mulligar para cinco, então Pinto aproveita a oportunidade e coloca bastante pressão na mesa, reduzindo os pontos de vida do oponente rapidamente. Tudo parecia sobre controle para ele, até que Darby conseguiu colocar uma Hazoret em campo e começou a contra atacar, reduzindo a diferença de pontos de vida entre os dois. Pinto então enviou um ataque letal para acabar com o jogo e Darby apenas conseguiu enxugar o dano, ficando com 1 ponto de vida. Darby teria apenas um turno para encontrar um ataque que o enviasse a vitória devido à seus precários pontos de vida. Sua prece foi atentida com o top deck de um Portador da Glória, que atacou e se exauriu, limpando os bloqueadores e dando a Wyatt Darby o título de campeão do Pro Tour Dominária.
Darby, à esquerda, comprimenta Pinto após o jogo

E isso foi tudo o que de principal ocorreu no PT Dominária. O que você achou do evento? O que espera do Metagame a partir aí? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pro Tour dos Brasileiros

O Pro Tour Revolta de Éter aconteceu na semana passada em Dublin, Irlanda, onde 425 jogadores batalharam pelo título de campeão. E que PT foi esse para os brasileiros! As equipes latinas, reunidas sob as asas do nosso membro do Hall da Fama Willy Edel, botaram para quebrar, e o PVDDR também não se deixou ser esquecido. Mas, antes de chegarmos a esta parte, vamos ver alguns números do evento.

Começando com o deck que foi a sensação já desde os spoilers. É claro que estou falando do Copy Cat Combo, ou Splinter Twin do Standard. O combo era tão assustador que alguns até mesmo pediram um banimento preventivo, que não aconteceu. Há muitas, muitas mesmo, formas de se construir um combo com o Guardião Felidar, mas as duas que se sobressaíram esse final de semana, e também nas semanas que antecediam o PT, foram as versões Jeskai Saheeli e Four-Color Copy Cat. Juntando essas duas construções o combo teve 97 jogadores, cerca de 22,8% do campo, se firmando como uma das estratégias mais jogadas.

O Jeskai Saheeli começou com 72 jogadores e converteu apenas 36% deles para o Dia 2, uma marca horrível, 25% abaixo da média do campeonato. No Dia 2 o deck não foi muito melhor, dos 26 que prosseguiram, apenas 2  de seus jogadores conseguiram 7 ou mais vitórias (21+ pontos) e apenas um conseguiu 8 ou mais (24+ pontos). O Four-Color Copy Cat se saiu um pouco melhor, convertendo 56% de seus 25 jogadores para o Dia 2, mas ficou abaixo do esperado nos 21+ pontos, com 2 jogadores, e nenhum nos 24+ pontos. Por não ter uma construção específica dominante a versão Four-Color é a melhor quando se trata de seguir o caminho do Copy Cat, ainda há muito espaço para melhorar e evoluir. Quanto à Jeskai é melhor deixar mesmo de lado, já que o deck tem uma matchup péssima contra o Mardu Veículos.

No arquétipo GB Aggro tivemos dois decks expressivos, o GB Constrictor, construído em torno da Constritora Sinuosa, e o GB Delirium, construído em torno da já conhecida mecânica, totalizando também 97 jogadores, 66 e 31 respectivamente. Os dois decks foram muito parecidos em termos de Metagame, com taxas de conversão boas, 68,2 para o primeiro, 74,2 para o segundo, e resultados sólidos tanto em resultados de alto nível quanto nos médios. Os decks também são muito parecidos em suas listas, mais ou menos 10 cartas de diferença, e, pelos números deste campeonato, não importa muito qual delas você escolhe.

O terceiro arquétipo a se citar é o controle que, com os decks UR Control, Grixis Control e Jeskai Control, teve 42 jogadores. Juntos os decks apresentaram uma taxa de conversão de cerca de 54% para o arquétipo. Todos eles também compartilharam um Dia 2 totalmente esquecível. A versão Grixis teve a pior performance em todo o PT com apenas um único jogador chegando ao número de 6 vitórias, e não passando disso. O Jeskai, que entre eles teve a melhor taxa de conversão, 69,2%, teve apenas 3 jogadores com 18+ pontos e nenhum com 21+ ou 24+. O UR foi o que de fato se saiu melhor, mas se manteve em cima da média com três performances 18+ e duas 21+. Com base nestes resultados é possível dizer que o controle é um arquétipo morto neste Standard, pelo menos nas próximas semanas.

E por último, mas com certeza não menos importante temos o deck que ganhou tudo no fim de semana, o Mardu Veículos. Para começar podemos dizer sem nenhum exagero que o deck obteve a melhor performance de um deck desde a era mítica do Magic. Poucos anos atrás, no PT Origens o grande deck foi o UR Ensoul Artifact, com uma performance dita no nível de Caw Blade. No entanto o deck começou o campeonato com 33 jogadores, alguns deles os melhores do mundo, número expressivo, mas que nem se compara ao 96 jogadores que fim de semana passado pilotaram o Mardu Veículos. Pelos números apresentados, neste fim de semana nós presenciamos um nível de dominância em PT quase nunca visto antes.

O deck converteu incríveis 75,8% de seus jogadores, 72, para o Dia 2 e fez muito mais. Conseguiu que quase 45% dos jogadores que pilotaram o deck tivessem uma performance de no mínimo 18 pontos, o que é absurdo. Nas performances de alto nível o deck também deu um show, com 29 jogadores com 7 ou mais vitórias e 17 com 8 ou mais. Todo esse domínio culminou em ocupar 75% do Top 8 do campeonato e não por acaso esse era o deck pilotado por Lucas Esper Berthoud.

As equipes DEX Army e Liga Magic com uniformes homenageando a Chapecoense.
Para este evento a América Latina foi representada por três equipes, DEX Army, Ligamagic e DEXThird. A primeira com nomes grandes e conhecidos, como o já citado Wlly Edel, Carlos Romão, ou Jabaiano, e o português Márcio Carvalho, com os quais os outros  membros das equipes tinham a chance de testar, aprender e se provar no campo profissional.

O Lucas Berthoud é um jogador brasileiro de longa data, campeão nacional em 2007, que estava competindo em seu sexto PT. E foi neste sexto PT que ele viu seu nome subir à elite do Magic nos três dias de competição, mostrando sua evolução como jogador, mantendo a calma por partidas e jogadas difíceis que o levaram à vaga no Top 8 como 2º colocado, com recorde 13-3.

Também se classificaram para o Top 8 Márcio Carvalho, em primeiro lugar,  com recorde 13-2-1 e Paulo Vitor Damo da Rosa com a oitava e última vaga. Importante notar que com essa classificação, a 11ª de sua carreira o PVDDR voltou a ser o jogador com  maior taxa de conversão para Top 8 em PT com no mínimo 20 PTs jogados, superando grandes nomes do Magic, como Jon Finkel.

Como se classificou em 8º PVDDR foi para a primeira fase de quartas de final contra o Tcheco Jan Ksandr, uma batalha entre Mardu Veículos e GB Delirium, que o brasileiro ganhou por 3-2. Na segunda fase de quartas de final o brasileiro enfrentou o estadunidense Donald Smith numa partida mirror, que é a norma daqui para frente, e foi derrotado por 3-2.

O mesmo Donald Smith enfrentou Márcio Carvalho na fase semi-final e do outro lado da chave Lucas Berthoud enfrentava o canadense Eduardo Sajgalik, totalizando quatro Mardu Veículos se enfrentando na semi-final. Márcio Carvalho ganhou sua partida por 3-1 e Berthoud venceu por 3-2, o que significava uma final entre amigos, parceiros de teste e integrantes das equipes DEX. Lucas começou rapidamente ganhando duas partidas em seguidas, se colocando em uma posição confortável para ganhar o título, porém Márcio não se deu por vencido, ganhando as duas próximas partidas e empatando a disputa. No quinto jogo Lucas tinha Motorista Veterano no segundo turno, Coração de Kiran no terceiro, Desintegração Ilícita no quarto e Gideon, Aliado de Zendikar no quinto. Márcio conseguiu se livrar do veículo e do planinauta e colocou em campo seu próprio veículo, Soberana Celeste, Capitânia do Cônsul. Não durou muito, no entanto, pois Lucas deu conta disso com Soltar os Gremlins e pouco depois conseguiu a vitória que o sagrou campeão do Pro Tour Revolta de Éter.

Lucas Berthoud com sua taça de campeão
Quanto às cartas a grande campeã foi o veículo Coração de Kiran, estrela do melhor deck do atual  formato mostrou que pode substituir o finado Cóptero do Contrabandista sem problemas e sem que o Mardu Veículos caia de performance, como vimos neste campeonato. Embora muitos perdedores possam ser encontrados, o que mais se destaca é mesmo o Guardião Felidar, que, embora tenha assustado muito, não conseguiu ir bem no campeonato e mostrou que era injustificado o pedido de ban preventivo. Realmente decepcionante.

Quanto ao Pro Tour Team Series a equipe DEXThird, do Lucas Berthoud, ocupa atualmente a 4ª posição no ranking com 43 pontos e a DEX Army, de Márcio Carvalho está pouco atrás, em 6º, com 39 pontos. A equipe ChannelFireball Ice, do PVDDR, está na 8ª com 37 pontos e a outra equipe latina, Ligamagic, na 27ª posição com 20 pontos.

E isso finaliza os acontecimentos do Pro Tour Aether Revolt. Gostou das classificações dos brasileiros? O que acha do Mardu Veículos? Foi um bom começo para o Pro Tour Team Series? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Copa do Mundo de Magic 2016

73 países competindo pelo título, mas apenas um pode ser sagrado o Campeão da Copa do Mundo de Magic: the Gathering 2016, levando para casa a premiação de U$48.000 e a exposição que apenas eventos desse porte podem fornecer. Isso foi o que aconteceu semana passada no Magic.

Esse com certeza é o campeonato mais difícil de assistir e entender, mas também é um dos mais divertidos. Para começar é uma competição por equipes, normalmente formadas por 4 jogadores, o jogador com mais Pro Points na temporada 2015-2016 mais os vencedores dos três qualificatórios para a Copa do Mundo de cada país. O Brasil foi representado por Paulo Victor Damo da Rosa, classificado pelos Pro Points, Patrick Fernandes, Alex Rodrigues e Thiago Saporito, classificados pelos torneios classificatórios.
Paulo Vitor Damo da Rosa
A Equipe Brazil

Outro ponto que pode gerar uma pequena confusão é o formato principal do evento: Modern Unificado por Equipes. Obviamente, o formato usa o acervo do Modern e, com exceção dos terrenos básicos, decks da mesma equipe não podem usar uma mesma carta. Embora as equipes tenham por padrão 4 jogadores, apenas 3 se enfrentam na mesa, o quarto fica com a função de técnico e pode se comunicar com seus parceiros durante as partidas (a posição de cada jogador é definida antes de cada etapa e não pode ser mudada durante os jogos). Por fim, as equipes se enfrentam num 3x3 e a equipe que vencer mais partidas vence o duelo.

Mesmo com o Modern sendo o principal formato a nova coleção tem que ser mostrada e é assim que a competição começa na Fase 1 do Dia 1 com três rodadas de Selado por Equipes de Kaladesh. Cada equipe tinha a sua diposição 12 boosters de Kaladesh para construir os 3 decks que usariam, mas isso foi tudo o que se viu da coleção no fim de semana.

A Fase 2 do Dia 1 nos trazia o que queríamos ver realmente, Modern jogado nas mesas. O Metagame da competição trouxe o Infect na ponta com 36 jogadores (16,5% dos jogadores). O único outro deck a ficar acima dos 10% foi a sensação mais recente do Modern, o Dredge, com 14,2% (31 jogadores). Seguindo para fechar os cinco decks mais jogados tivemos Affinity  com 8,7% (19 jogadores), Abzan, 7,8% (17 jogadores), e RG Valakut, 7,3% (16 jogadores). As equipes se enfrentaram em 4 rodadas, sendo que apenas as 48 melhores se classificavam para o Dia 2. O Brasil se despediu da competição nesta mesma fase.

O Dia 2 começa com a Fase 1, que tinha duas etapas. Na primeira, rodada 1, as Top 16 equipes do Dia 1 tem bye e as restantes se enfrentam em chaves de eliminação-única (perdeu está fora). Na segunda fase, rodadas 2 a 4, as sobreviventes mais o Top 16 disputavam em eliminação-dupla (perdeu duas está fora) e finalmente estavam prontas para a Fase 2, de 3 rodadas. Na Fase 2 as equipes foram separadas em grupos de 4 equipes e também disputaram as vagas no Top 8 da competição por um sistema de eliminação-dupla.

Antes de chegar ao Top 8 vamos dar uma olhada no Metagame das Top 16 equipes do torneio. Havia infinitas configurações de decks para cada equipe escolher, mas a maioria caiu num mesmo padrão que foi o seguinte: o primeiro era um deck com Nexo de Mosco-tintas (sim, esse é o nome da Inkmoth em PT-BR), que seria Affinity ou Infect; o segundo um deck com Solo Pisoteado ou Raio, como o Naya Burn ou o Dredge é; e o terceiro, mais variável, acabava caindo com Bant Eldrazi ou Abzan. Mas qual a melhor configuração? As mais populares foram Infect/Dredge/Abzan e Infect/Dredge/Lantern Control, sendo que a versão com Lantern Control teve recorde de 44% de vitórias e a com Abzan 57%. E esse é exatamente o gancho que precisamos para voltar ao Top 8.

O Top 8 Copa do Mundo de Magic: the Gathering 2016 foi finalmente conhecido ao final do Dia 2, parabéns merecidos às equipes que conseguiram a classificação e foram recompensadas com o convite para disputarem o PT Revolução de Éter! A configuração ficou, em ordem de classificação, com  to Bélgica, Finlândia, Grécia, Austrália, Itália, Ucrânia, Belarus, e Panamá.

A Grécia estava usando aquela configuração que falamos antes, Infect/Dredge/Abzan, e mostrou que, pelo menos no domingo, aquela era sim a melhor configuração do formato, ganhando de 2-0 de suas adversárias Ucrânia e Belarus em seu caminho para a final. O mesmo fez a Bélgica contra Panamá e Itália usando a configuração Infect/Naya Burn/Goryo's Vengeance. Na final as duas equipes se enfrentaram e os gregos se saíram melhor, sagrando-se Campeõs da Copa do Mundo por um placar de 2-0.
A vitória, as taças e as premiações acabaram nas mãos dos gregos!

E isso totaliza a Copa do Mundo de Magic 2016, com a Grécia, que sempre foi uma grande equipe nas Copas do Mundo, na posição mais alta. O que você achou do evento? Do Modern Unificado por Equipes? Da Equipe Brasil, que finalizou a competição e 52°? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Não mais Thiago Metralha, agora Thiago Santos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Pro Tour sob Controle

Todo mundo deve estar sabendo que semana passada rolou o Pro Tour Kaladesh e, como é de se esperar, hoje trazemos um breve resumo do que aconteceu no evento, que foi sediado em Honolulu, Havaí, e trouxe algumas novidades.

Para começar, podemos separar os decks do Dia 1 em três grandes categorias: os decks que estão buscando uma vitória rápida, no turno 4; os decks que estão tentando vencer com suas criaturas no turno 5, esperando que possam parar os decks de turno 4 ou que eles deem azar; e, finalmente, mas de forma alguma menos importantes, os decks controle. 

Olhando os decks mais jogados desde o Dia 1, caímos em 7 grandes decks, número bem alto. O primeiro e o mais jogado deles tem, aos olhos de muitos profissionais, inclusive de LSV durante a cobertura, o potencial de ser o melhor deck deste Standard. O Aetherworks começou com cerca de 18% do campo e conseguiu converter  55 de seus 82 (67,1%) jogadores para o Dia 2, uma das melhores taxas de conversão. No entanto, ainda falta ao deck estabilidade e consistência, e, no Metagame do Dia 2, com uma abundância de decks controle, o deck não foi tão bem e somente um de seus jogadores fez campanha com 8 vitórias.

O segundo deck mais jogado foi o conhecido GB Delírio, com 11,8% do campo, que fez uma campanha confusa no PT. Teve a pior taxa de conversão entre os decks mais jogados (54,4%) e ficou abaixo da média em cada um dos pontos. Não dá para saber se foi uma má performance no Limitado ou se o deck estava mesmo mal adaptado ao campo, teremos que esperar os próximos campeonatos.

Caindo agora para os decks com menos de 10% do campo temos dois BR (Rakdos, para os familiares) com estratégias diferentes. O BR Aggro apostou nas criaturas e teve 8,2% dos jogadores, convertendo 60,5% deles para o dia, com uma performance levemente abaixo da média. Já o BR Madness apostou na loucura e foi o deck com a melhor performance de Dia 1, conversão de incríveis 70,4% de seus modestos 4,5% de meta. O problema com o deck também foi a consistência, já que, embora tenha colocado uma porcentagem considerável de jogadores nas 7 vitórias, ficou bem abaixo da média nas campanhas de 6 vitórias. Com ele foi brilhar ou ser esmagado.

WR Veículos é um deck novinho saído de Kaladesh que foi muito bem no campeonato. O quinto deck mais jogado, converteu um ótimo número de jogadores (69%) e teve uma boa quantia deles com uma sólida campanha de 6 vitórias. Embora não tenha tido muitas campanhas no topo, o deck conseguiu uma vaga no Top 8, o que significa muito mais tempo de tela para mostrar o potencial.

Outro arquétipo de Kaladesh presente foi o de Energia, bem representado nas construções GR, que buscavam finalizar o jogo rapidamente com vários pump-spells no Esmurrador Eletrostático. Embora tenha ficado apenas na média, ver uma criatura batendo 40/40 no turno 4 adicionado ao hype que o deck já tinha no MTGO deve manter o deck na superfície nas próximas semanas no mínimo, mesmo que ele não tenha bons resultados.

Para finalizar e já fazer o gancho para o Top 8 temos o Jeskai Control, deck escolhido pelo brasileiro Carlos Romão. O deck em câmera não deu show e às vezes parecia perdido, descendo Dovin Baan's só para vê-los morrer em seguida, mas, de fato, dos decks mais jogados, ele teve a melhor performance, mesmo com uma taxa de conversão baixa. 44% de seus jogadores ficaram com no mínimo 6 vitórias e 16% ficou acima das 7 e 8 vitórias com Romão cravado no Top 8. Quem achou que o controle ia estar desfavorecido no Meta de Kaladesh errou, e isso é ainda mais verdade se os decks Aetherworks e Pummeler continuarem a brilhar, afinal o que melhor que um controle para parar um combo?

O corte para o Top 8 foi bem diverso, 8 decks diferentes, 7 nacionalidades diferentes, entre eles, é claro, Carlos Romão, que vinha embalado como campeão de Grand Prix. E a grande novidade deste Top 8 foi o novo sistema de enfrentamentos, que visa diminuir os empates intencionais nas partidas finais do Suíço Construído. Os que se classificam em 1º e 2º só entram nas semifinais, e os 3º e 4º só na segunda fase de quartas de finais. Se classificaram os seguintes jogadores nas seguintes posições e pilotando os seguintes decks: 1º Makis, Matsoukas (RW Tokens) [Grécia]; 2º Shota Yasooka (Grixis Control) [Japão]; 3º Pierre Dagen (UR Spells) [França]; 4º Matt Nass (Temur Aetherwoks) [EUA]; 5º Carlos Romão (Jeskai Control) [Brasil]; 6º Ben Hull (WR Veículos) [Canadá]; 7º Lee Shi Tian (Mardu Veículos) [Hong Kong]; e 8º Joey Manner (WU Flash) [EUA].

Confrontos até a semifinal.
A última vez que Romão (ou Jabaiano, como preferirem) tinha chegado a um domingo de Top 8 num evento de tamanho de PT tinha sido há quase 15 anos atrás, mas nessa temporada ele voltou afiadíssimo, conhecendo muito bem o Meta e os decks que pilota e jogando sempre num nível muito alto, digno de suas conquistas. Como se classificou em 5º, ele era um dos que tinha o caminho mais longo até o título e começou sua jornada enfrentando Joey Manner, de quem venceu por 3-1. O segundo confronto foi contra o outro estadunidense do Top 8, Matt Nass, que Romão seubjugou por 3-0. A semifinal lhe reservou confronto contra o 1º do Suíço, o grego Matsoukas, que também foi derrotado por 3-1. É isso aí, Brasil na final.

O confronto final do PT foi entre Yasooka, atual melhor jogador da Ásia, com certeza um dos melhores profissionais de Magic e um mestre em controle. Uma partida mirror, controle vs controle, entre talvez os melhores jogadores de controle deste Standard. As partidas foram apertadas, como sempre são nesse nível de jogo, mas quem se sagrou o campeão do PT Kaladesh foi mesmo o japonês Shota Yasooka, cabendo ao brasileiro Carlos Romão o vice campeonato.

Uma bela taça ganhou Shota Yasooka.
E isso, somado e resumido, foi o que aconteceu no grande evento de Magic da semana passada, o Pro Tour Kaladesh. Você assistiu? Torceu pro Jabaiano ou pro Yassoka? O que achou do LSV na cobertura? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha