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quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Felidar de Schrödinger

O lançamento de Amonkhet está cada vez mais próximo e, com o spoiler da coleção totalmente revelado, os jogadores já começaram a experimentar novas construções, arquétipos, o uso das novas mecânicas e das novas cartas, além de, é claro, atualizar os decks que já estão bem no atual Metagame do Standard. Uma dúvida surge, porém, quando se inicia este processo e é uma questão que pode mudar completamente o resultado final: deveria eu me preparar para ter que lidar com o combo Copy Cat?

Para quem não está familiarizado, o combo em questão é formado pelas cartas Guardião Felidar e Saheeli Rai e gera um montante arbitrariamente grande de cópias do felino, todas com ímpeto, o que acaba o jogo em um ataque. O combo, a princípio foi desmerecido por parte dos jogadores por ser supostamente frágil e lento (sem aceleração, estoura no turno 4), mas o deck conseguiu se adaptar bem aos adversários, conseguindo vitórias mesmo quando o combo em si não é resolvido, o que levou a uma dominância muito forte no formato.

Segundo os dados do MTGGoldfish o deck toma mais de 45% do meta somando suas versões com e sem Maravilha do Sistema Eteráulico e não é expressivo somente em fatia do campo, também o é em resultados em campeonatos. O deck conquistou o primeiro e segundo lugar no PPTQ Kyoto de Odessa, na Ucrânia, primeiro e segundo lugar no GP Secaucus, nos EUA, e 6º, 7º e 8º lugares aqui mesmo, no GPPOA. E isso desconsiderando alguns outros torneios mais regionais, como os Invitacionais Qualificatórios da StarCity Games, e as Ligas Competitivas de Standard no MTGO. Tudo isso mostra o quanto o deck é significativo no formato e pode ser considerado o atual melhor deck do Standard, sendo assim, é de extrema importância considerá-lo no processo de criação de seus decks, já que ele pode ser o principal adversário, o deck a ser batido.

A questão fica mais importante quando se sabe que o próximo anúncio de Banidas & Restritas, que acontece no dia 24, a próxima segunda-feira, pode ser o fim deste deck no Standard. Muito recentemente a Wizards tomou a iniciativa de executar banimentos neste formato em busca de um ambiente mais saudável e mais propício a jogadores que estão se iniciando no jogo, como você pôde ler aqui, então é possível que ela faça isso de novo agora, banindo algo do combo, e o principal candidato é o Felidar. No entanto, isso de forma alguma é um consenso.

Embora o ponto que o formato ficaria mais diverso e saudável com a saída do Copy Cat seja forte entre os jogadores, até mesmo os profissionais, muitos outros ficam receosos dos efeitos que um segundo banimento no Standard no ano traria. Alguns jogadores investem muito dinheiro para formar um deck e um banimento pode significar uma perda de centenas de dólares. Há que se lembrar que o Magic além de um TCG é um colecionável.

Toda essa incerteza acerca do banimento criou uma espécie de aberração nos playtests para a próxima coleção, afinal, há uma chance grande de seu chute (se vai ou não ocorrer banimento) estar errado e semanas de trabalho vão por água a baixo de uma hora para outra. Na dúvida, muitos jogadores estão jogando seguro e aguardando o anúncio de B&R, enquanto outros estão tentando se adiantar testando para todos os casos. As duas situações são prejudiciais já que em uma seu calendário de testes fica atrasado e em outra você está colocando esforço em uma situação que sabidamente não vai acontecer. O Guardião Felidar é uma carta que está, ao mesmo tempo, banida e legal no Standard, e isso não é bom.

De qualquer forma, a elite dos jogadores de Magic se prepara para o PT Amonkhet e não podem ficar parados. E, com todos os testes, a impressão que fica é que muito provavelmente o melhor deck na Semana 1 do Standard AKH é mesmo o Copy Cat.


"Vou te contar um segredo: Sabe todas esses decks bacanas com as novas cartas de Amonkhet? Todos eles sucumbem ao combo Copy Cat."

De um lado da balança temos um deck muito forte que ameaça a saúde do formato e do outro temos a segurança e estabilidade que os jogadores têm ao jogar o Standard. Segunda-feira a caixa será aberta e um lado dessa balança sairá prejudicado. Esperemos que seja para o melhor do jogo.

O que você acha do combo Copy Cat? Você acha que deveria ou não haver um banimento na próxima segunda? As respostas que Amonkhet provê contra este deck, e mesmo contra o Mardu, não são os bastante? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Banimentos no Standard

Data de anúncio: 9 de janeiro de 2017. Data efetiva: 20 de Janeiro de 2017. Data efetiva no MTGO: 11 de 2017. As cartas Emrakul, o Fim Prometido, Cóptero do Contrabandista e Mago Refletor estão banidas do Standard. Que bela maneira de se começar a semana, que dirá o ano. Um banimento no formato de entrada do Magic: the Gathering não ocorria a cerca de seis anos. Mas antes de começar a falar dos banimentos propriamente ditos, é preciso entender a filosofia adotada na Wizards para realizar banimentos no Modern e no Standard.

O Modern é um formato extremamente competitivo com uma infinidade de combinações possíveis, então, espera-se de um formato assim uma grande variedade de decks e estratégias em todos os Tiers. Dessa forma, os banimentos no Modern, mais do que findar um deck que é muito opressivo, têm o objetivo de manter um formato diverso e equilibrado, para que ele possa ser saudável. Esse foi o caso no banimento do Twin, do Pod e também do Inverno Eldrazi.

Já o Standard passa por um processo totalmente diferente. O que define os banimentos neste formato é a palavra diversão. O Standard é o formato desenvolvido para abraçar os novos jogadores, logo, é de suma importância que eles tenham boas experiências para continuar investindo no jogo, e isso é fácil de perceber mesmo para nós que estamos deste lado das cortinas. Essa foi uma justificativa usada para os outros dois banimentos no Standard que ocorreram no passado. O do Affinity na Era Darksteel: "O Magic é jogado por seres humanos que querem se divertir"; e também de Jace e companhia na Era Caw Blade "Nosso objetivo final é o prazer dos jogadores". 

Há ainda um segundo fator que determina banimentos no Standard: a frequência/participação em torneios. Esse fator tem uma relação muito clara com o fator diversão. Se as pessoas não estão gostando do formato, não o acham divertido, elas não vão competir nele. Elas não vão pegar seus decks e pagar taxa de inscrição para se sentirem infelizes rodada após rodada. Nos banimentos do Affinity e de Caw Blade a Wizards foi clara em admitir que houve uma queda considerável na participação em torneios e, embora não tenha sido o caso no banimento dessa semana, a frequência nos torneios do Standard atual também estão baixas.

O fato é que a Wizards falhou no Standard atual e esses banimentos vêm com a intenção de corrigir essa falha. Dito isso, vamos a eles.

 A grande e temível Emrakul que nos foi apresentada em Sombras de Innistrad foi desenvolvida para ter exatamente essa função no Standard: ser uma carta grande e temida. No entanto, pelo que pudemos observar, ela cumpriu o seu papel bem demais.

De fato, Emrakul é uma criatura que, no Standard, invalida o jogo assim como sua outra versão no Modern. Na maioria dos jogos, não fazendo diferença em que turno ela entra em campo, assim que ela o faz, todas as criaturas que o oponente jogou até ali se tornam inúteis assim como todas as criaturas que ele ainda poderia jogar. Esse é o sentimento que ela traz e por isso pode receber com tranquilidade o título de carta mais chata do Standard.

Adicionalmente, juntamente com sua melhor amiga, Maravilha do Sistema Eteráulico, Emrakul entra em campo e acaba o jogo no turno 4, o que é absurdamente rápido, fazendo dessa possivelmente a melhor estratégia em todo o Standard.

Com o banimento quem sofre a maior perda é o deck GB Delirium que tem seu plano de late-game totalmente atrapalhado. O deck conseguia tranquilamente descer o bichão no turno 7 e achar um substituto à altura pode ser complicado. Os decks de Maravilha do Sistema Eteráulico também sofrem com o banimento, mas têm em Ulamog, a Fome Interminável um substituto imediato.

Cóptero do Contrabandista

O Cóptero do Contrabandista acabou de fazer sua estréia no Standard, mas teve um sucesso tão grande que rapidamente ganhou espaço, se fazendo presente em cerca da metade dos decks do Metagame, na maioria das vezes como um 4-of.

A verdade é que essa é a carta de Kaladesh que representava os Veículos como um todo numa forma de mostrar a nova tribo sendo jogada competitivamente no Standard e, sendo criado com este fim, obviamente seria uma ótima carta. Outro ponto que vale ressaltar é que o Cóptero cabe em muitos decks diferentes já que é um artefato que não necessita de uma cor específica para ser conjurado. Ele era usado em decks agressivos, decks baseados em cemitério, Loucura, e até nos decks de Panarmônico. Um último comentário pertinente é o tempo em que a carta ficaria legal no Standard. Graças à mudança no calendário de rotações do formato a coleção de Kaladesh ficaria legal por 24 meses, vocês devem se lembrar. Um reinado tão longo não poderia ser permitido.

O deck que mais perde com o banimento é o RW Veículos, que foi privado de sua carta mais poderosa. Para substituí-lo discute-se a mítica revelada para o set de Revolta de Éter, Coração de Kiran.
Nenhum texto alternativo automático disponível.


O banimento do Mago Refletor é o mais curioso dos três, a primeira incomum banida desde Pinça Craniana. Embora seja uma carta extremamente poderosa, chata e que te deixa com um sentimento miserável ao jogar contra, o que levou ao banimento dessa carta foram os banimentos do Cóptero e da Emrakul.

Sam Stoddard tweetou que eles usaram dados adquiridos do MTGO chegando à conclusão que o WU Flash era o melhor deck do Standard com apenas uma match ruim, o BR Aggro, outro utilizador do Cóptero, a qual ganhava 49% das vezes. Assim, ferir o considerado segundo deck mais popular, o Aetherworks, e a pior match do WU Flash ao mesmo tempo, deixando o próprio WU Flash intocado pareceu uma má ideia.

Além disso o Mago ganharia uma nova casa muito poderosa, o Splinter Twin do Standard, o combo entre Saheeli Rai e Guardião Felidar. Além de proteger o combo, a carta é bem sinergística com ambas as partes, podendo ser copiado ou blinkado para um bounce extra.

Finalmente podemos comentar uma mudança que é muito importante, mas pode ter passado desapercebida. As atualizações da lista de Banidas e Restritas agora acontecerão duas vezes por coleção, uma na segunda-feira após os pré-releases e outra cinco semanas depois do PT, também numa segunda. Essa mudança dá mais flexibilidade à Wizards e mais tranquilidade aos jogadores ao lidar com formatos que não são saudáveis. O Inverno Eldrazi, se tivesse sido afetado por esta mudança, por exemplo, seria o Mês Eldrazi e não seria tão tóxico.

Enquanto eu não faria nenhum desses banimentos, eu com certeza entendo a natureza deles. O Standard sendo um formato não atrativo é algo que assusta a Wizards, já que impacta diretamente nos boosters vendidos. No entanto, pela própria natureza do formato e pelo nosso costume em não haver banlist no Standard, esses banimentos podem nos parecer muito errados, o que nos assusta em relação às posições da Wizards. É importante também salientar que os jogadores não são culpados desses banimentos. O fato é que a cada dia ficamos melhores em quebrar formatos, achar diamantes em coleções e imprimir bons resultados com nossas listas. Esse é um caminho natural que o jogo toma a medida em que é cada vez mais jogado.

E você, o que achou de todas essas atualizações? Gosta de banimentos no Standard? O formato estava mesmo tão ruim? E os banimentos do Modern, o que achou? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Um Martelo Mais Leve

O banimento inevitável que todos comentavam chegou. No dia 4 de abril, onze dias atrás, o Magic recebeu um novo anúncio de Banidas e Restritas, e Olho de Ugin foi oficialmente banido do Modern, para alívio de alguns jogadores. O impacto imediato é que Eldrazi não é mais o melhor deck do formato, o que abre um espaço para alguns decks, que encontravam nos Eldrazi uma matchup impossível, poderem ser jogados com mais tranquilidade. Outro impacto vai para os jogadores de Tron, que usavam o terreno para tornar a vitória algo inevitável no late game. No entanto, é esperado que ambos os decks se recuperem bem e sobrevivam, de uma forma ou de outra, embora possam estar enfraquecidos.

No entanto, o maior impacto desse anúncio não foi, de forma nenhuma o banimento. O que mais impressionou foi o desbanimento das cartas Visão Ancestral e Espada do Humilde.

Visão Ancestral era uma carta que estava banida do modern desde o nascimento do formato, devido ao seu alto nível quando jogada no seu Standard, Limitado e também no falecido Extendido. A carta foi considerada perigosa demais, e por isso foi posta de lado. Entratanto, o Modern falhou compelatamente em estabelecer bons decks control. Os que chegaram mais perto normalmente eram decks combo com alguma interação reativa. Até mesmo o modo de jogar o Lantern Control se assemelha a um combo: juntar as peças e vencer.

A carta é bastante versátil, podendo entrar em, praticamente, qualquer deck, e vai alongar o jogo dos decks controle. Quando resolvida, o que é provável que aconteça, caso você a conjure no turno 1, ela pode te dar uma vantagem de cartas necessária para sobreviver e interagir com as ameaças dos oponentes. Essa versatilidade é um dos motivos pelo qual o preço subiu tanto em tão pouco tempo, já que todos estão tentando encaixá-la em seus decks, mas espera-se que ele se estabilize em breve.

Mesmo assim é importante lembrar que a carta não vai ter o mesmo poder que apresenta no Legacy, por exemplo, onde pode obter valor de cartas com Cascade, Shardless Agent e Elfo Tranças-de-Sangue, ambos não legais do Modern, e manipulação do topo do grimório, com cartas como Tempestade Cerebral e Tampo de Advinhação do Sensei, também banidos.

Sobre Espada do Humilde o caso é diferente. A carta tira seu poder da interação com uma carta específica, Fundição de Tóptero, e não é extraordinária quando está sozinha. É um combo simples, que necessita de poucas cartas, e tem inevitabilidade para deixar o oponente com o pé atrás. No entanto, nos olhos de muitos, é um combo um tanto vulnerável, que pode ser parado  tanto com hate para cemitério, quanto para de artefatos, muito presentes no Modern para parar estratégias como o Affinity e Reanimators, o que pode apoiar o desbanimento.

Esse também é um banimento que pode impulsionar o controle, já que, como dito antes, decks controles tendem a incluir algum combo. De fato, o combo Thopter/Sword poderia, para alguns, ser uma espécie de substituto para o banido Splinter Twin, que, embora também tivesse fraquezas conhecidas, dominava o formato.

Como último comentário a esse banimento temos a restrição do Golem de Magnetita no Vintage, o que chama a minha atenção por um motivo: esse banimento tem tudo a ver com o MTGO.

Em verdade, o Vintage era um formato difícil de avaliar, já que haviam poucos campeonatos, sendo que a maioria dos que tinha era pequeno demais para significar mudanças no Metagame geral. Os bans eram feitos basicamente guiados nos resultados obtidos em dois torneios de proporções maiores: o Vintage Championship, nos EUA, e o Bazaar of Moxen, na Europa.

Isso mudou de figura completamente com o MTGO. Desde que chegou à plataforma online o Vintage se popularizou muito, já que lá ele tem um custo bem reduzido em comparação à versão impressa, e apoio de campeonatos regulares dentro da plataforma, como a Vintage Super League.

Dito isso, os jogadores perceberam que os decks centrados em Mishra's Workshop estavam fortes demais no formato. No entanto, se a própria Workshop recebesse o martelo, o deck praticamente morreria, e isso não é a intenção da Wizards, da mesma forma dos Eldrazi, e nem era a dos jogadores, é claro. Golem de Magnetita é, por consenso, a segunda melhor carta do deck, logo após a carta que dá nome, mas pode ser substituída, com alguma criatividade, sem que o deck pareça um monte de dinheiro disperdiçado, de forma que a restrição foi recebida sem protestos muito fervorosos.

No quadro geral, é importante notar a iniciativa da Wizards de tentar não matar decks demais com seus banimentos, caso Eldrazi e Workshop, e também de ressuscitar algumas estratégias com os desbanimentos, caso dos decks controles. Essa forma de agir é muito mais apreciada por boa parte dos jogadores e só torna os formatos mais saudáveis e agradáveis de se jogar.

E isso finaliza o artigo. Sinta-se livre para comentar e também deixar sua curtida na nossa página. Obrigado por ler.

Thiago Metralha

sexta-feira, 25 de março de 2016

Explodindo o Ramp

Por todo o Magic, de coleção para coleção, sempre tivemos que nos preocupar com a velocidade em que nosso deck progride seu plano de jogo. Daí um passo lógico foi nos preocuparmos em acelerarmos nosso deck, fazer com que ele progrida mais rápido. Uma dessas maneiras é a aceleração de mana, que chamamos de Ramp.

O Ramp já tomou algumas formas conhecidas. Várias vezes vimos isso acontecer por meio de criaturas, mágicas e mecânicas que facilitavam a produção de mana além do normal para um turno, permitindo aos jogadores adiantarem jogadas em um turno ou dois ou jogar uma mágica que de outra forma nunca chegaria ao jogo.

Ramp costuma ser algo estável, consistente e fácil também. Quem não conhece os Mana Dorks? Elfo Místico, Elfos de Llanowar, Hierarca Nobre e Aves do Paraíso. Além deles temos também as Mana Rocks, como o Sinete Rakdos e seus companheiros, Pedra da Mente, Estandarte Temur e seus companheiros, entre uma infinidade de outros.

Estes são exemplos de Ramp usados amplamente em vários formatos de forma confiável e consistente. Eles permitem que se joguem cartas de custo três no turno dois ou de custo quatro no turno três e isso é o exemplo clássico do que o Ramp pode te oferecer, com grades recompensas no desenvolver da partida.

No entanto, ultimamente temos sido forçados a encarar uma aceleração explosiva. Não se trata de cortar um turno da curva de suas criaturas ou mágicas, mas sim de jogar bombas de grande poder no campo com facilidade extrema.

Um caso recente disso é o falecido Amulet Bloom. O deck almejava ser explosivo ao extremo conjurando um Titã Primordial o mais rápido possível, deixando o oponente rendido.

O deck usava o Amuleto do Vigor com as Bounce Lands, como Simic Growth Chamber, em conjunto com Floração Estival, ou Azusa, Perdida mas Procurando, para gerar um montante de mana incrível e conjurar quantos Titãs fossem necessários. E com a ajuda do Espírito-Guia Símio isso era possível de acontecer mesmo no turno um, ou seja, sem chances de ser respondido.

O deck teve seu reinado de terror que acabou com o banimento de Floração Estival e seu falecimento, desaparecendo do formato.

Logo após sua morte, outros titãs apareceram para tomar seu lugar. Eldrazis armados com oito Sol Lands de Maindeck (4 Olho de Ugin e 4 Templo dos Eldrazi) em todas as suas variáveis tomaram de assalto o Modern.

Os decks conseguem consistentemente jogar ameaças demais cedo demais. O campo de batalha fica inundado de Mímicos Eldrazi, Videntes do Nó do Pensamento, Remoldadores da Matéria, Reprodutores Celestes, Rompe-mundos, Deslocadores e outros que, enquanto fazem seu papel ofensivo,também tem habilidades incríveis que passam por cima de quase tudo que se opõe a eles dando ao deck uma resiliência quase inacreditável.

Os Eldrazi têm sido consistentemente os grandes campeões de torneios de Modern, lotando os Top 8 e Top 16 com os jogadores que os pilotam e deixando os que não o fazem extremamente insatisfeitos e frustrados.

O resultado disso? Um inevitável banimento em Abril.

Isso deveria passar a mensagem de que Ramp Explosivo é uma coisa inaceitável no jogo, forte demais, e que qualquer tentativa vitoriosa nessa direção será severamente punida com banimento. Isso deveria parecer com a direção que a Wizards está tomando. No entanto, não é bem esse o caso.

Vamos pensar um pouco em alguns decks que usam desse artifício, e também são populares. Mas e o Tron? O deck consegue jogar um Karn no turno três e estava bem posicionado até os Eldrazi surgirem, embora nunca tenha tido dominância. E o Affinity? Mox de Opala é uma carta muito poderosa, afinal, é aceleração com custo zero! O Affinity era um dos decks mais bem posicionados antes dos Eldrazi, teve seus momentos de dominância, e é uma das melhores opções para combatê-los.

Estes decks usam uma aceleração incrivelmente explosiva e incrivelmente consistente. Será que serão banidos? Mesmo que não agora, é bem possível termos o Affinity como o número 1 do formato em breve e o Tron é um deck incrível e pode chegar lá também com algumas adaptações e ajuda do Metagame. Será que o Martelo do Ban está sobre eles?

É claro que as decisões sobre banir, ou desbanir uma carta, são muito mais complexas e profundas que essa pequena reflexão, ou assim espero, mas é uma coisa importante notar que os recentes banimentos, com exceção, talvez, de Revirar o Tempo e Cruzeiro do Tesouro, têm sido para aplacar o desconforto de uma parcela de jogadores. Têm sido, em geral, para calar os choramingos.

Sem acusar ou defender qualquer deck, o Ramp Explosivo é algo poderoso no Magic que já chamou um banimento e outro está em vias de se concretizar. É algo que deixa os jogadores desconfortáveis de jogar contra, o que já é motivo para se atentar a ele.

Fiquem de olho nele e sintam-se livres para se expressar na seção de comentários.

Thiago Metralha

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Invasão no Pro Tour

Eldrazi, Eldrazi, Eldrazi, Affinity, Eldrazi, Eldrazi, Affinity e Eldrazi. Só um monte de palavras? Não. Um monte de palavras de Magic? Também não. Alguns arquétipos comuns de se jogar? Ainda não. Essas palavras acima são simplesmente o resultado do último Pro Tour, o PT Juramento das Sentinelas. O Top 8 em ordem de classificação, contendo nada menos do que 6 decks Eldrazi, 2 Affinity e uma falta de cor nunca vista antes. Histórico.

No entanto, vamos pelo começo. O Metagame do dia um foi, em partes, como as previsões apontavam. Affinity e Burn eram os decks mais jogados, com 13% do campo, seguidos pelo Infect com 8%. Surpreendentemente, empatado com o Infect, estava o não tão recente Eldrazi, com 32 jogadores. Outra surpresa para alguns, o Tron não foi nem mesmo um fator nesse Metagame. Muitos apostavam que o deck seria bem mais jogado, já que uma de suas piores partidas, o Twin, acabara de ser banida, mas isso acabou não se realizando. Também há de se notar que as variantes de BGx têm, juntas, 10% dos decks.

No dia dois o número de jogadores cai pela metade, mas há poucas mudanças significativas nas porcentagens. Agora os quatro decks mais jogados estão claramente separados, com Affinity na liderança, seguido por Burn, Eldrazi e Infect, respectivamente. E também no dia dois conhecemos os nossos vencedores.

De todas as partidas do PT, excetuando-se a parte de Selado, apenas 21 jogadores conseguiram uma campanha de, no mínimo, 8 vitórias. 8 vitórias significa uma performance excelente no construído sendo necessário um 4-2 no Selado para ter uma chance concreta no Top 8. Esse é o clube de elite do Pro Tour, com apenas 5,1% de todos os jogadores inscritos na competição.

Nestas condições vemos a verdadeira estrela do torneio brilhar como nunca antes. O deck que começou com 8% do campo mostra sua força ao lançar 10 jogadores com campanhas extraordinárias. É quase metade e isso é, certamente, incrível. Affinity também mostrou uma resiliência monstruosa e foi o único deck, com exceção dos Eldrazi, a colocar mais de um jogador nessa posição.

E é claro que isso nos leva ao incrível Top 8, antes mencionado. Eldrazi domina todas as atenções e vence o Pro Tour Juramento das Sentinelas pelas mãos de Jiachen Tao e sua construção UR.
Jiachen Tao ficou com a taça.
Agora vamos pôr em termos gerais para uma pequena análise. É claro que o grande vencedor desse Pro Tour foi o Eldrazi que saiu de 8% para seis jogadores com três construções diferentes no Top 8. É importante salientar que esse deck estava sim no radar dos Top Players no período antes do PT, mas a forma como ele se saiu foi verdadeiramente uma surpresa, que, a meu ver, é devida a dois fatores principais: a infestação de Burns, partida ridiculamente fácil para o deck, e a experiência e talento dos jogadores e equipes que pilotaram o deck.

O segundo melhor deck foi o Affinity que agarrou as 4ª e 7ª colocação. Entretanto o deck, que foi acima da média em tudo, cai muito em comparação com os campeões.

O perdedor do PT, vocês já devem prever, foi o Burn. Encontrou um Metagame muito difícil de se enfrentar e piorou muito o fato de o CFB estar usando 4 Cálice do Vácuo, que finalmente encontrou um deck em que se encaixa perfeitamente, de Main. Realmente uma decepção para os aficcionados pelo deck.

Outro deck que decepcionou foi o Infect, que começou com 8% do campo, mas não foi muito vitorioso. O deck acabou encontrando muitas partidas Mirror e contra o Affinity pelo caminho, e isso foi uma barreira muito grande, de fato.

Para o futuro é bom não se esquecer que os decks Eldrazi ainda não estão resolvidos. A cada dia surgem novas construções para o arquétipo, que deve evoluir ainda um pouco ainda pelos próximos campeonatos. Quanto ao tão pedido banimento acho provável que ele aconteça, já que a Wizards normalmente se atenta muito a esse tipo de reação dos jogadores, mas não o desejaria tão logo, afinal esta é somente a primeira sexta depois do PT. O martelo, no momento, tende mais ao Olho de Ugin, embora eu ache que banir o Templo dos Eldrazi também seria aceitável.

Por fim é bom lembrar que esse alvoroço todo foi causado por uma coleção pequena, que foi OGW. Um impacto inicial muito superior ao de BFZ, uma coleção muito maior.

E isso é quase tudo. Se há algo mais, alguma reclamação, história triste ou engraçada, sua opinião sobre o assunto, qualquer coisa, sinta-se livre para usar a seção de comentários.

Thiago Metralha

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O que há nesse Banimento

Já se passou quase duas semanas do anúncio oficial da última atualização da lista de banimento dos formatos sancionados pela Wizards. Lista esta que determinou que Floração Estival e Gêmea Estilhaçadora não são mais legais em torneios sancionados de Modern assim como Nuvem de Fadas não pode mais ser usada nos torneios de Pauper do MTGO.


Com tanto tempo muito já se foi dito em alguns casos, sendo opinião comum, compartilhada por mim, que o banimento de Floração Estival foi justo, visto que o deck Amulet Bloom quebrava o formato, permitindo vitórias consistentes no turno 3 e, às vezes, turno 2, sem nenhuma ou pouca interação com o oponente e que só não era mais usado devido à alta perícia exigida para ser pilotado.

Também foi muito divulgado o ódio ao banimento da Gêmea Estilhaçadora, que também, aos olhos de muitos, significou um banimento aos decks Twin, visto que a alternativa, Kiki-Jiki, o Estilhaçador de Espelhos, seria um retrocesso enorme ao deck, fazendo-o deixar de ser jogado.

O deck formava um dos pilares do Modern, sendo o deck mais jogado e um dos que, apesar de seu combo, mais favorecia o Controle, arquétipo sem uma representação bem estabelecida no formato, a despeito das tentativas. Havia alguns que até o comparavam com o Brainstorm no Legacy, algo extremamente forte, mas inerente ao formato.

Muitos ouviram que a causa deste banimento foi o Pro Tour Juramento dos Sentinelas, de uma forma específica, e dos PTs de Modern obrigatórios nas temporadas, de forma geral, que obriga a Wizards a agitar o metagame para que o interesse dos jogadores seja mantido. Foi assim com Birthing Pod, foi assim com Gêmea Estilhaçadora, vamos ver quem será o próximo.

Entretanto, poucos realmente buscaram entender o mal que o Twin trazia ao formato.

O Twin começou a se estabelecer no Modern mais ou menos desde sua criação e se tornou um deck muito popular. A popularidade foi tanta que o deck começou a moldar o formato em volta de si. Os decks que surgiam tinham sempre que ter em mente “Isso vence o Twin?”, e caso a resposta fosse negativa o deck deixava de valer a pena. 

E quando um deck começa a moldar um formato algo de bom não está acontecendo. Para a confirmação, um tanto quanto exagerada, trago novamente o deck Caw Blade, responsável por um Standard tão quebrado que suas cartas nem tiveram chance no Modern.

Era necessário que se investisse muitos espaços no Main Deck e também do Sideboard pensando no Twin somente para que seu deck tivesse uma chance, em detrimento de sua própria estratégia. E isso fere a diversidade do formato.

Além disso o Combo Twin virou uma adição quase obrigatória a decks que continham UR em suas cores. Se o seu deck estava com um percentual de vitórias baixos, bastava trocar 10 de suas cartas pelo pacote completo Combo Twin, e seu sucesso era quase garantido. Além disso você não mais precisaria se preocupar muito no seu Sideboard contra Twin, os outros que teriam que se preocupar com você. Isso não soa maravilhoso? Assim, o número de usuários de Grixis Twin, Jeskai Twin, Temur Twin e do clássico UR Twin explodiu, prejudicando a diversidade do formato.

Além disso ainda tinha o fator que a vitória muitas vezes surgia do nada. Mesmo com o controle da partida, com seu campo muito bem expandido e estabelecido, o campo do oponente praticamente vazio, inofensivo, sua vida nas alturas e o oponente quase morto, ainda havia a chance dele comprar o combo e te derrotar no turno seguinte. Alguns jogadores, sentindo que não podiam competir com o Twin de forma “justa”, optava por decks “injustos”, como o próprio Amulet Bloom, o que prejudicava, em menor escala, a diversidade, e de forma mais ampla, a saúde do formato.

Por todos estes motivos o banimento do Twin não é um absurdo e, embora possa realmente ter um motivo comercial, este não é o único. Imagino que esse banimento seja favorável ao formato.

E depois de tudo isso, nada se disse até agora sobre o banimento de Nuvem de Fadas.

Isso pode se dar pelo motivo de as razões publicadas pela da Wizards estarem muito bem explicadas e serem de fácil entendimento. É notável que das dez cartas mais jogadas do Pauper, 9 sejam azuis e a outra seja o Raio. Nuvem de Fadas realmente era uma carta muito forte que, acompanhada de sua cor, desequilibrava o formato. Foi um bom banimento, mas muitos não dão a mínima.
A resistência no Pauper
E você? Alguma experiência notável com banimentos? Como acha que o formato vai se adaptar? Alguma crítica ou observação? Deixe nos comentários!

Thiago Metralha