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quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Felidar de Schrödinger

O lançamento de Amonkhet está cada vez mais próximo e, com o spoiler da coleção totalmente revelado, os jogadores já começaram a experimentar novas construções, arquétipos, o uso das novas mecânicas e das novas cartas, além de, é claro, atualizar os decks que já estão bem no atual Metagame do Standard. Uma dúvida surge, porém, quando se inicia este processo e é uma questão que pode mudar completamente o resultado final: deveria eu me preparar para ter que lidar com o combo Copy Cat?

Para quem não está familiarizado, o combo em questão é formado pelas cartas Guardião Felidar e Saheeli Rai e gera um montante arbitrariamente grande de cópias do felino, todas com ímpeto, o que acaba o jogo em um ataque. O combo, a princípio foi desmerecido por parte dos jogadores por ser supostamente frágil e lento (sem aceleração, estoura no turno 4), mas o deck conseguiu se adaptar bem aos adversários, conseguindo vitórias mesmo quando o combo em si não é resolvido, o que levou a uma dominância muito forte no formato.

Segundo os dados do MTGGoldfish o deck toma mais de 45% do meta somando suas versões com e sem Maravilha do Sistema Eteráulico e não é expressivo somente em fatia do campo, também o é em resultados em campeonatos. O deck conquistou o primeiro e segundo lugar no PPTQ Kyoto de Odessa, na Ucrânia, primeiro e segundo lugar no GP Secaucus, nos EUA, e 6º, 7º e 8º lugares aqui mesmo, no GPPOA. E isso desconsiderando alguns outros torneios mais regionais, como os Invitacionais Qualificatórios da StarCity Games, e as Ligas Competitivas de Standard no MTGO. Tudo isso mostra o quanto o deck é significativo no formato e pode ser considerado o atual melhor deck do Standard, sendo assim, é de extrema importância considerá-lo no processo de criação de seus decks, já que ele pode ser o principal adversário, o deck a ser batido.

A questão fica mais importante quando se sabe que o próximo anúncio de Banidas & Restritas, que acontece no dia 24, a próxima segunda-feira, pode ser o fim deste deck no Standard. Muito recentemente a Wizards tomou a iniciativa de executar banimentos neste formato em busca de um ambiente mais saudável e mais propício a jogadores que estão se iniciando no jogo, como você pôde ler aqui, então é possível que ela faça isso de novo agora, banindo algo do combo, e o principal candidato é o Felidar. No entanto, isso de forma alguma é um consenso.

Embora o ponto que o formato ficaria mais diverso e saudável com a saída do Copy Cat seja forte entre os jogadores, até mesmo os profissionais, muitos outros ficam receosos dos efeitos que um segundo banimento no Standard no ano traria. Alguns jogadores investem muito dinheiro para formar um deck e um banimento pode significar uma perda de centenas de dólares. Há que se lembrar que o Magic além de um TCG é um colecionável.

Toda essa incerteza acerca do banimento criou uma espécie de aberração nos playtests para a próxima coleção, afinal, há uma chance grande de seu chute (se vai ou não ocorrer banimento) estar errado e semanas de trabalho vão por água a baixo de uma hora para outra. Na dúvida, muitos jogadores estão jogando seguro e aguardando o anúncio de B&R, enquanto outros estão tentando se adiantar testando para todos os casos. As duas situações são prejudiciais já que em uma seu calendário de testes fica atrasado e em outra você está colocando esforço em uma situação que sabidamente não vai acontecer. O Guardião Felidar é uma carta que está, ao mesmo tempo, banida e legal no Standard, e isso não é bom.

De qualquer forma, a elite dos jogadores de Magic se prepara para o PT Amonkhet e não podem ficar parados. E, com todos os testes, a impressão que fica é que muito provavelmente o melhor deck na Semana 1 do Standard AKH é mesmo o Copy Cat.


"Vou te contar um segredo: Sabe todas esses decks bacanas com as novas cartas de Amonkhet? Todos eles sucumbem ao combo Copy Cat."

De um lado da balança temos um deck muito forte que ameaça a saúde do formato e do outro temos a segurança e estabilidade que os jogadores têm ao jogar o Standard. Segunda-feira a caixa será aberta e um lado dessa balança sairá prejudicado. Esperemos que seja para o melhor do jogo.

O que você acha do combo Copy Cat? Você acha que deveria ou não haver um banimento na próxima segunda? As respostas que Amonkhet provê contra este deck, e mesmo contra o Mardu, não são os bastante? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quarta-feira, 29 de março de 2017

Tudo se Recila

Já estamos na temporada de spoilers de Amonkhet, o set que nos levará a um universo baseado na nossa mitologia egípcia. Mas não é sobre flavor que se trata o texto de hoje, não. Já nos primeiros spoilers uma carta chamou a atenção dos jogadores porque trazia de volta uma mecânica muito querida, a mecânica Reciclar.

A mecânica apareceu pela primeira vez na coleção Saga de Urza e é muito simples compreender seu funcionamento. Você paga um custo e discarta a carta e, quando a abilidade ativada resolve, você compra uma carta. Em outros termos, Reciclar transforma uma carta qualquer em uma cantrip básica.

Este é um dos motivos pelo qual a mecânica se tornou tão popular entre os jogadores. Ela permite que uma carta que não é boa nem em limitado ter um valor útil por um custo muitas vezes baixo. Outro atrativo da habilidade é sua versatilidade. Derivada dela, pôde-se criar a mecânica de Reciclar Tipo, na qual ao invés de apenas comprar uma carta, o jogador procura em seu deck uma carta do subtipo ao qual a habilidade se refere, transformando, em outras palavras, uma carta qualquer em um possível tutor.

Mesmo com a popularidade, e sendo a mecânica não fixa (mecânicas fixas são as que aparecem em todas as coleções, como Voar, Vigilância e Alcance) que apareceu no maior número de sets, a última vez em que foi utilizada em um bloco regular foi em Alara Reborn. No entanto, podemos deixar a saudade de lado, pois, para a nossa alegria, foi revelado o Archfiend of Ilfnir.

A carta usa tem um corpo bom, 5/4, e voar custando apenas 5 de mana (3BB) e vem com um Reciclar clássico, por 2 de mana, mas ela promete mais que isso. De fato, o que chama mais atenção na carta é sua habilidade que diz "Toda vez que você reciclar ou descartar outra carta, coloque um marcador -1/-1 em cada criatura que o oponente controla". É uma habilidade forte por si só, levando em conta que vai estar em um ambiente onde Loucura está presente, mas o mais importante é que ela praticamente confirma, ao menos dá indícios fortes, que ciclar será um tema em Amonkhet. E isso, além de afetar diretamente o Standard, afeta também o Modern.

A verdade é que há um grupo de jogadores, uma fatia menos que modesta do Metagame, que usa um deck feito especialmente para abusar da mecânica de Reciclar. Estou falando, é claro, do Living End.

O Living End é um deck tão fácil de ser entendido quanto a mecânica que usa. Ele utiliza cartas com Cascata, Surto Violento e Temor Demoníaco, para ativar uma Morte Vívida imediato, que é a única carta com custo de mana menor que 2 no deck, garantindo que sempre um efeito Cascata for ativado, uma Morte Vívida sai do topo. Reciclar entra no jogo para preencher o cemitério com criaturas que custam mais que 2 de mana e usa justamente cartas como Minotauro do Tiro Mortal, de Alara Reborn. O deck usa em torno de 8 mágicas de Cascata mais 16 criaturas com Reciclar para manter a variância do combo baixa, e costuma estourar com mais frequência no turno 3 ou 4, embora possa acontecer no turno 2, e em velocidade instantânea. A grande fraqueza do deck é o hate contra cemitério, que o incapacita totalmente, além do fato de que jogar cartas mais caras normalmente resulta em respostas atrasadas para as ameaças do oponente. Abaixo a versão mais jogada do deck, segundo o MTGGoldfish.


Living End

Creatures

1Dryad Arbor
2Faerie Macabre
4Fulminator Mage
4Simian Spirit Guide
2Avalanche Riders
4Deadshot Minotaur
4Monstrous Carabid
4Street Wraith
2Twisted Abomination
2Jungle Weaver

Spells

3Living End
3Beast Within
3Demonic Dread
4Violent Outburst

Lands

1Blood Crypt
1Overgrown Tomb
1Stomping Ground
4Blackcleave Cliffs
4Copperline Gorge
4Verdant Catacombs
1Kessig Wolf Run
1Swamp
1Forest

Sideboard

4Anger of the Gods
2Faerie Macabre
2Gnaw to the Bone
3Ricochet Trap
4Ingot Chewer


Saber que Reciclar está de volta é um bom indício que criaturas melhores podem chegar ao deck. Embora muito provavelmente algo como Aparição de Estrada, nunca mais será lançado, cartas como Abominação Distorcida já encontraram seu substituto no Arquidemônio revelado. Além dela, Tecelã da Selva é uma outra forte candidata a encontrar um substituto. E, de todo modo, Reciclar com outros custos alternativos não está totalmente fora de questão, de forma que as estrelas do deck podem encontrar alguma competição. Há ainda há uma esperança de que Reciclar esteja voltando para ficar, como aconteceu com Vidência, o que aumenta muito as chances de algo útil para o deck ser lançado. Assim o caminho para resultados e uma fatia do Metagame mais expressivos estão abertos para o Living End.

E você? Já jogou com ou contra um Living End? O que acha de Reciclar? E como vão os spoilers para você até agora? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos