sexta-feira, 15 de julho de 2016

Interações Arcanas

Já estamos novamente nessa época. Amanhã é dia de pré-lançamento de mais uma coleção, essa fechando o bloco de Sombras de Innistrad, Lua Arcana. E o mais uma coleção se tornando legal significa um monte de cartas entrando no jogo, o que leva a infinitas interações que surgem em variados formatos. Então vamos ver de onde você pode tirar algum valor ao construir decks usando as cartas de Lua Arcana. 

A primeira interação a entrar na lista é uma das mais evidentes e mais comentadas durante a temporada de spoilers. Estou do combo Árvore da Perdição + Triscaidecafobia. 

Essa foi uma inversão muito interessante com a Árvore da Redenção da antiga Innistrad, e claro que sempre haverá alguém para testá-la no Modern, mas se lembrem que não dá para zerar a resistência da Árvore no combo.

A próxima interação também é um combo que lembra uma carta antiga, Doar. Oferta Inofensiva com seu gatinho fofinho pode te ganhar muitos jogos, basta saber o que oferecer, e no Standard a melhor oferta tem o nome Pacto Demoníaco. 

Enxerto do Suturador fortalece suas criaturas em +3/+3 por incríveis 1 de mana para baixar e 2 para equipar. É claro que o revés da carta tinha que ser considerável - e é, não poder desvirar a criatura é um grande atraso. Sorte nossa que temos uma criatura com Vigilância que está dominante no formato, assim como sua cor, o Advogado Silvestre. 

O equipamento deixa uma criatura que já é bem forte ainda mais, e quando você alcançar o sexto terreno terá em campo uma criatura 7/8. Bem impressionante pelo investimento de apenas 4 de mana para baixar as permanentes e equipá-las. 

Todos os jogadores sabem que conseguir uma troca 2 por 1 é vantajoso, e fazer isso o mais rápido possível pode significar vitória. Mas e se eu te dissesse que dá para fazer uma troca 5 por 2? E melhor, no terceiro turno! 

Esse é o resultado da interação entre Protótipo Lupino e Pensamentos Atormentados. O Lupino desce no turno 2 e no terceiro você pode fazer o oponente descartar 5 cartas.

Víndice dos Boros foi uma ótima carta no Standard do bloco de Retorno à Ravnica, para alguns o melhor drop 3 da época, mas no Modern foi relegado a alguns Red Deck Wins e combos de vida infinta azarões. No entanto uma carta Lua Arcana pode mudar isso, e essa carta é Ira de Nahiri.

Com a combinação das cartas você pode descartar sua mão em dano ao Víndice e redirecionar em letal para o oponente.

E para finalizar vamos à mecânica Emergir, que poderia ter um livro só para ela e suas interações. Ela cai muito bem nos decks de sacrifício, como já dito aqui, tanto no Standard quanto no Modern, com Degolador de Zulaport e Artista de Sangue no auxílio. No Standard ainda há o Remoldador da Matéria, que funciona bem como ferramenta de sacrifício.

Além disso em Lua Arcana mesmo saiu a carta perfeita para interagir com a mecânica, Emissário Hediondo. Com ele você consegue vantagem em cartas e também no campo de batalha, com um Eldrazi emergido e uma ficha como bônus.

E essas são algumas das interações presentes nessa nova coleção. O que você está achando dela? O que espera nos decks? Alguma outra interação digna de nota? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Óbvio é o Mal Supremo

É oficial, amigos jogadores de Magic. O mal em Innistrad, quem enlouqueceu humanos, anjos, planinautas e vampiros, levando ao fim de nossa preciosa Avacyn, distorceu um plano de horror a um nível grotesco, o segredo que Jace buscava revelar, o instrumento da vingança de Nahiri contra o vampiro e planinauta milenar Sorin Markov se revelou. Emrakul, o ser mais temido do multiverso, chegou a Innistrad. E isso é meio que desapontador.

É claro que todos já ao menos imaginavam isso desde o primeiro pedaço de história de Sombra de Innistrad. As pistas não nos deixou esquecer que eles vieram em três. E, é claro, Nahiri, com seu ultimate maravilhoso que está sendo muito usado no Modern para buscar sabe quem? Isso mesmo.

Quando anunciaram o novo paradigma do Standard algum tempo atrás eles nos disseram que a mudança permitiria à equipe explorar mais locais pelas histórias, às equipes de desenvolvimento fazer sets pequenos sem que eles fossem muito ruins, como se via antes, e também deixaria mais fácil ter blocos de retorno. Isso pareceu ótimo, era, e é, o que nós queríamos.

Na primeira oportunidade já recebemos um retorno à Zendikar, que foi muito bom. As duas coleções se complementaram bem e eram boas em sua individualidade. O Metagame do Standard se adaptou muito rapidamente à história contada e logo vimos decks baseados nas Sentinelas enfrentando os decks baseados em Eldrazis pelos mesões e também competições. É claro que houve deslizes, como o polêmico símbolo para incolor e o Inverno Eldrazi no Modern, mas, em geral, o bloco trouxe boas experiências, principalmente no Standard, que foi o foco da coisa toda.

Logo depois um retorno à Innistrad foi anunciado com Sombras de Innistrad. Innistrad era um dos sets recentes mais amados pela comunidade Magic e todos já esperavam, e estavam ansiosos, pelas mudanças. A história contada seria um mistério com delírios, loucura e várias de nossas tribos preferidas, saindo do foco de Super Amigos Sentinelas contra Super Ameaça Eldrazi. E o Standard seguiu essa linha, com Investigação e suas pistas cavando seu espaço nos decks, os tribais ressurgindo, os humanos estiveram mais fortes, mas várias construções em volta dos lobisomens, vampiros, espíritos e zumbis também foram testadas, e o cemitério voltando a ter mais importância. E foi ótimo ver isso acontecer, essa mudança significa que tanto a equipe de Design quanto a de Desenvolvimento das coleções estão tendo sucesso em contar a história, o que é ótimo para o jogo. Dá a sensação de que nós estamos mesmo vivendo e jogando a história do Magic, somos mais do que espectadores.

No entanto, aí vem Lua Arcana. Agora sabemos que a fonte do mal em Innistrad não é nada mais nada menos do que a Ameaça Eldrazi. As Sentinelas já estão em posição de batalha e até recrutaram uma nova planeswalker para sua causa, Liliana. E assim o ambiente Super Amigos Sentinelas contra Super Ameaça Eldrazi está de volta, num passe de mágica.

Isso nos levanta a dúvida: será que a história será sempre essa? Sempre teremos os Super Amigos contra uma ameaça maior? Quem será da próxima vez? Phyrexia? Nicol Bolas? É isso que queremos? Em vez de nos contar duas histórias em dois blocos de duas coleções, eles decidiram que o primeiro movimento nesse paradigma seria contar uma história só com as quatro coleções dos dois blocos consecutivos. Tomara Khaladesh seja mais que apenas o próximo capítulo de Sentinelas VS Eldrazis. Se isso acontecer eu seriamente estarei pensando em Theros com nostalgia.

Mas, antes que pensem errado, Emrakul é ótima. O Fim Prometido fazendo referência a uma lendária carta antiga, Escraviza-Mentes, assim como o Aeons Torn fazia a Time Walk é muito legal. A Liliana entrando para as Sentinelas, ainda que siga seus próprios interesses acerca do Véu, e Gideon e companhia lutando lado a lado com zumbis é brilhante. As tribos também não foram abandonadas, temos um novo lobisomem lendário, muitos zumbis, horrores á vontade e uma tonelada de espíritos. E, caras, nós ganhamos uma nova Thalia!

No entanto, e se não fosse a resposta óbvia? E se essa fosse mesmo a vez dos Phyrexianos? As distorções do plano sendo partes de alguma nova técnica, mais um plano tomado e a Lua de Prata sendo a escapada final. Poderia mesmo ser Bolas e Tezzeret com seus experimentos etéreos. Uma batalha épica entre os lados do bem e do mal da centelha. Poderia até ser um personagem esquecido, tomado como morto, ressurgindo, afinal, como nos quadrinhos, as mortes não tem que ser definitivas, tem? Desde que contem uma boa história, eu digo que não.

O que realmente incomoda é o fato do óbvio ser o correto com tantas possibilidades e um multiverso tão vasto para cobrir as lacunas. Uma história de mistério em que o culpado é o suspeito número um é menos do que queremos e do que esperamos, e isso nos desaponta.

Os spoilers de Lua Arcana já foram totalmente divulgados e agora só aguardamos o pré e o lançamento para poder jogar com as novas cartas. E você, o que achou da coleção, do design, das artes, das mecânicas, da história? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.


Thiago Metralha

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Tudo em Verde e Branco

Já estamos na temporada de spoilers da próxima coleção de Magic, a ser lançada daqui a apenas duas semanas, Lua Arcana. Emrakul já fez sua entrada, Liliana promete muito pelo trailer da coleção e hoje mesmo uma nova Tamyio deu as caras. No entanto, antes de me permitir mergulhar de vez nesse lançamento, há que fazer considerações acerca do Standard que estamos deixando para trás, o Standard de Sombras de Innistrad.

Para começar podemos dizer que tivemos um Standard bem divertido e diverso. Os jogadores tentaram mesmo se reinventar e dar uma mexida no Metagame com decks de variadas tribos, arquétipos e estratégias. Vimos muitos exemplos de listas control, tempo, combo, tribal de Humanos, tribal de Vampiros, sacrifícios, midrange, monocoloridos, de duas cores ou de três cores. Realmente, diversidade se teve nessa temporada.

No entanto, toda essa diversidade não foi bem distribuída como o desejado e nem tudo teve chance de brilhar sob os holofotes. Já nas primeiras semanas de Standard a chave do sucesso foi descoberta e, uma vez descoberta não mudou muito no desenvolver do formato. Os jogadores perceberam que o Verde e o Branco eram as melhores cores do formato, com as melhores cartas do formato, e que se completavam sinergisticamente de uma forma incrível. O Metagame continuou diverso e mutável, mas lutando pelas posições baixas, com cada outro deck de outras cores tentando cavar seu espaço, que, às vezes, não passava de uma semana em sequência. Enquanto isso quem optou por Selesnya observava tudo do topo. Rito do Capitólito, Humanos Aggro, Grixis Control, UR Eldrazi e WB Control foram alguns dos decks que despontaram, mas nenhum deles foi capaz de tirar os GW de suas posições privilegiadas.

A dois decks com base Selesnya se resumiu o melhor desse formato, os dois usando as melhores cartas que se podia encontrar e ainda assim totalmente diferentes. Enquanto um usa Companhia Coletiva como parte central, o outro usa a sinergia de Planeswalkers para ganhar o jogo. Estou falando dos decks GW Tokens e Bant Company.

GW Tokens foi um deck muito bem resolvido e desenvolvido neste período. Ao final, já usava incríveis 51 espaços travados em sua estratégia, deixando apenas 9 para a criatividade do jogador. Foi com certeza o melhor deck do formato, ganhando mais torneios e levando mais jogadores ao topo de Grand Prixes, Abertos e Invitacionais do que qualquer outro teve chance.

Já o Bant Company foi numa tomada muito diferente. Com muito mais flexibilidade nas construções ele permitiu que os jogadores variassem muito de estilo, o que adicionou um tempero às partidas mirrors. Enquanto já se sabia a melhor versão do GW Tokens há muitas semanas, o Bant Company continuou em discussão até o final. O deck, embora não tenha ganhado muitos campeonatos, foi o que cravou mais jogadores entre os Top 8 de competições.

As vitórias que esses dois decks conquistaram foram centradas em dois pilares principais, sendo o primeiro deles Vantagem de Cartas e o segundo o poder das remoções.

Antes um domínio completo do Azul, neste Standard o Verde quem reinou neste território. Cartas como, Nissa, Vidente da Matavasta, Rastreador Incansável e Companhia Agrupada são cartas muito poderosas que, ao mesmo tempo em que davam Vantagem de Cartas ao controlador, desenvolviam o plano de jogo e o estado do campo de batalha. Além disso, são extremamente versáteis e úteis seja no começo, meio ou fim do jogo.

Branco sempre foi uma ótima cor de apoio, mas as remoções mais memoráveis sempre pertenceram ao Preto. Não nesse Standard. O Branco tem acesso a cartas como Declaração em Pedra, Envolver em Seda, Armadilha Estática, Irrupção Planar e Arrogância Trágica. Quaisquer ameaças, que vão de Ormendhal a Kytheon passando por Eldrazis, como Arrebentador da Realidade e Rompe-Mundos, têm uma resposta preparada, o que torna os decks muito eficientes e resilientes.

Juntando esses dois fatores atingir a dominância no formato foi só mais um passo óbvio. Estratégias como, superagressividade, combo, e ramp, que serviriam para dar um equilíbrio no formato, pressionando os decks com cartas muito fortes ou muito rápidas, foram postas sob controle.

Para finalizar esse olhar sobre os dois melhores decks dessa temporada, temos os dados colhidos de dois GPs que usaram o Standard como formato, o GP Pittsburg e Taipei, que aconteceram faz pouco tempo.

Juntando os dois Tops 8, temos incríveis 87,5% dos decks sendo Bant Company ou GW Tokens. 10 eram Bant Company, 5 GW Tokens e os outros dois eram um RG Ramp e um Sultai Midrange. Estes números mostram uma dominância opressiva do formato.

Com o lançamento de Lua Arcana nenhuma coleção deixará o Standard, então esses decks continuarão vivos e serão os melhores decks na semana 1 do novo Standard. Talvez a nova coleção traga o Standard para uma nova direção em cores e estratégias ou talvez somente a rotação em setembro o faça. Vamos esperar para ver.

E você, o que achou dessa temporada do Standard? Está acompanhando os spoilers? O que está achando do que já foi revelado? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Falhas de Eternos

Eternal Masters já está por aí, nas lojas, no MTGO e também nas mãos dos jogadores. No entanto, o set ainda é alvo de discussão e alguns defeitos que o enorme hype que acompanhou o lançamento escondeu agora vêm à tona. Defeitos estes que estão tomando alguns fóruns e seções de comentários de Magic, mas seriam essas críticas justas? Bem, vamos a elas.

Um dos primeiros pontos a se considerar é a expectativa de valor (EV de agora em diante) extremamente baixa das booster boxes de Eternal Masters que é algo próximo dos U$200,00. Para um set que tem caixas sendo vendidas pelo Ebay por uma média de U$270,00, alcançando os U$300,00 nas lojas (em lojas brasileiras estão sendo vendidas por R$1000,00 e até mesmo mais) esse é um valor pra lá de decepcionante. Para comparação o EV das caixas de Modern Masters era praticamente o mesmo, no entanto, as caixas eram negociadas por cerca de U$250,00 em lojas como a Star City Games e U$200,00 no Ebay. Então, porque essa diferença enorme nos preços de Eternal Masters e Modern Masters?

Uma razão possível é o puro e simples sentimento de que o Legacy e o Vintage devem ser mais caros que o Modern. É uma coisa bem boba se pensar bem, mas é o tipo de pensamento que já está dentro da mente dos jogadores. Os custos para se jogar Modern são, em geral, muito inferiores e parece fazer sentido pensar assim.

Um motivo muito mais crível é o que citamos no primeiro parágrafo: o hype que Eternal Masters gerou. Afinal, quem não quer tirar uma Force of Will num booster? Uma Mana Crypt? Uma Wasteland? Bem, qualquer um, certo? Eu já falei que todo booster tem uma foil? Então vamos todos comprar uma caixa de Eternal Masters, é claro. E dessa forma o preço escalou muito rapidamente e escondeu que o preço médio das míticas é cerca de U$20,00 e das raras cerca de U$5,00. Adicionando que, enquanto tiver alguém para comprar as caixas a esse preço, vai ter alguém para vender.

Outra crítica muito citada é o fato de o set ter reprints ruins e de a coleção ser bem focada em drafts, esquecendo assim que o que queremos mesmo são cartas. Essa é uma crítica que me parece bem injusta. A Wizards vem fazendo ótimos sets de draft com os sets Masters e afinal, draftar é sim a melhor forma de abrir um booster, tanto para os jogadores quanto para a Wizards, e o draft é um dos formatos mais populares e bem sucedidos que ela tem (e, assim sendo, adoraria ver um GP ou coisa assim no formato Draft de Eternal Masters). O objetivo de Eternal Masters nunca foi colocar as cartas mais poderosas dos formatos Eternos que não estão na Lista Reservada à venda, bem longe disso, na verdade, e quem pensou que seria assim é um tolo.

Imagine você que a Wizards decida acatar sua crítica e colocar somente as cartas mais valiosas e mais populares em boosters de puro valor. Qual seria o preço sugerido de apenas um booster desses? Qual seria o preço sugerido da caixa? A que patamar os preços das lojas chegariam numa situação dessas? Seria um cenário caótico com certeza, muito provavelmente um fracasso de vendas, e aí fim dos sets Masters. Acho que não é isso que queremos, certo? Que bom.

Um outro ponto recorrente é que Eternal Masters não vai deixar o Legacy e o Vintage mais barato, ao qual concordo. Entretanto, esse também não é um objetivo da coleção. O objetivo da coleção é popularizar, tornar acessível, os formatos eternos, e isso não significa baratear o formato. Para popularizar um formato eu posso simplesmente aumentar a oferta de cartas, colocá-las numa embalagem super legal e simpática aos jogadores (você é um Mestre, cara!) e crescer uma expectativa absurda na comunidade. Advinha o que Eternal Masters fez?

Antes para montar um deck Legacy você teria que recorrer ao mercado de singles quase 100% das vezes, o que não é bom para a Wizards. Agora você pode abrir um booster de Eternal Masters, que tem uma oferta limitada, mas considerável. Antes você teria que aceitar algumas cartas bem velhas e algumas cartas mal cuidadas. Agora você pode pegar uma carta ainda com o cheirinho de booster. É claro que tudo isso é inválido para as cartas da Lista Reservada e para algumas cartas que não receberam reprints e elas podem até ficarem mais caras num formato mais popular, mas veja que as cartas de Eternal Masters baixaram realmente de preço e que é possível fazer um deck decente com elas e pouco mais.

Já o MTGO tem um capítulo inteiramente só para ele nas críticas de Eternal Masters, e o set se queima muito por lá. Pra começar o set fica bem fraco se levarmos em consideração que há pouco tem foi lançado Vintage Masters exclusivamente para a plataforma, o que abaixou o preço de muitas staples do formato, tornando o reprint delas em Eternal Masters inútil. Além disso, a Wizards não pareceu muito preocupada com o MTGO em Eternal Masters e não incluiu no set cartas que seriam importantes para a plataforma, lançando o set por lá por mera formalidade. O formato mais impactado por esse lançamento no MTGO foi o Pauper que recebeu mais oferta para muitas de suas cartas mais populares e recepcionou muitas cartas novas também nas mudanças de raridade que ocorreram.

O EV, então, também é um problema de Eternal Masters na plataforma, e deixa muito difícil aproveitar o set apropriadamente por lá. As dicas que imperam são: não compre boosters; se quiser cartas, participe de um draft; se não se importar em aumentar a coleção, phantom draft; se o que você quer mesmo é draftar uma coleção nova, phantom draft; o jeito mais promissor de lucrar parece ser as ligas seladas. Fica implícito nessas dicas que você saiba o que está fazendo quando jogar, é claro, ou vai acabar perdendo seus tix.

E essas são algumas considerações sobre Eternal Masters. Sinta-se livre para usar a seção de comentários para dizer o que achou da coleção ou qualquer outra coisa. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ano de Lançamentos - Parte 1

Todos os jogadores de Magic sempre esperam que o ano seja muito bom para o jogo com muitos lançamentos, eventos, GPs de alta qualidade (aqui no Brasil, se possível), shows de decks e variedade no PT e uma ótima cobertura de tudo isso feita pela Wizards. No entanto, poucos podiam esperar a enorme quantidade de lançamentos, e mudanças provocadas por eles, que Wizards estaria preparando para esse ano de 2016. Realmente ela manteve o calendário recheado.

Pode parecer um pouco distante agora, mas o ano começou com o lançamento da segunda coleção do bloco Batalha por Zendikar, Juramento das Sentinelas, em 22 de janeiro, e esse foi um lançamento que causou um enorme burburinho em vários pontos do Magic, e da comunidade também. No gameplay os jogadores ficaram loucos devido ao novo símbolo que representaria o incolor (algo como <>) e as dúvidas entre gerar mana incolor, consumir mana incolor, mana genérica vs. mana incolor, viraram uma bagunça. Os colecionadores, e qualquer um que comprou boosters, piraram com as Expedições finais, os terrenos mais que raros full-art foil que faziam qualquer um abrir um sorriso ao tirar no booster e que também serviam para aumentar a procura pelo produto. E aqueles que são entusiastas da história conheceram a nova equipe de planinautas, as Sentinelas, que deve salvar o multiverso de agora em diante, e já começou por ali, e pôde acompanhar isso na coluna semanal no site da Wizards que passou a se chamar Magic Story. Além disso, no PT, teve início o famigerado e histórico Inverno dos Eldrazi, que só foi terminar meses depois com o comemorado banimento do Olho.

Um mês depois fomos assaltados com o anúncio de uma nova coleção de Conspiracy, que se chamaria Conspiracy: Reign of Brago, mas logo depois passou para Conspiracy: The Empty Throne e finalmente Conspiracy: Take the Crown, numa jogada de marketing da Wizards. O lançamento mesmo ficou para agosto, mas as especulações não esperam. Conspiracy foi a primeira coleção de Magic com foco total em Draft, que é um formato muito querido pelos jogadores, então nada mais esperado que eles ficarem de olho.

Em Abril temos o lançamento da primeira coleção do bloco de retorno à Innistrad, Sombras de Innistrad, que traz de volta, além de suas tribos, suas cartas dupla-face e sua mitologia, os Booster Battle Packs. Além disso, é o primeiro set de primavera a ter uma Gift Box e a primeira coleção não básica a ter seu próprio Deckbuilder’s Toolkit. A história do set também não desaponta com Sorin, Nahiri, Avacyn e Jace como protaginistas da trama.

No Pro Tour mais mudanças vêm com tudo, concernindo a formatos de competição, o tamanho das premiações no Mundial de Magic e gratificações por aparição de membros do Hall da Fama e categoria Platinum do Pro Players Club, que levou a uma grande discussão (A Treta dos Platinum) a qual já abordei por aqui, vocês devem se lembrar.

Ainda em Abril houve o lançamento dos novos Decks de Boas-Vindas, que são os novos sample decks, distribuídos gratuitamente pela Wizards em eventos como GPs ou em lojas como um primeiro contato que os novos jogadores podem ter para experimentar o Magic. São cinco decks (um para cada cor) de 30 cartas, cada um com uma rara e quatro incomuns em cada. O objetivo é que você possa pegar dois desses decks, juntá-los, e fazer um deck de duas cores de 60 cartas pronto para jogar contra outros decks. Embora as cartas desses decks não sejam lançadas nas coleções regulares elas permanecerão legais no Standard enquanto a coleção que os acompanha permanecer.

Em maio tivemos o anúncio de mais alguns produtos de Magic: os Planeswalker Packs, intro packs reformulados, centrados em planinautas, que terão cartas exclusivas que também serão legais no Standard, incluindo um planinauta, é claro, e uma carta que procura por ele, e serão lançados dois por coleção, a partir de Kaladesh; os Bundles, Fat Packs reformulados, com um booster a mais (com o preço reformulado também), que acompanharão cada coleção, também começando em Kaladesh; e o próximo Duel Deck que será o confronto Ob Nixilis VS. Nissa, com lançamento para setembro.

Para a segunda metade do ano ainda teremos o lançamento de Lua Arcana, em 22 de julho, seguido de From the Vault: Lore, que como o nome indica, vai trazer cartas pivô para os desenvolvimentos das histórias contadas no Magic até hoje, em 19 de agosto, e Conspiracy: Take the Crown, que será lançado em 26 de agosto. Em setembro, 30, Kaladesh será lançada, nova coleção que, juntamente com Revolução de Éter formará o bloco de Kaladesh, plano que conhecemos em Magic Origens. Fechando o ano, novembro tem Commander 2016, que vai apresentar decks com comandantes de quatro cores e Planechase Anthology, com cartas de Planechase e Planechase (2012), nos dias 11 e 25 respectivamente. E ainda este mês (semana que vem, na verdade)não podemos nos esquecer do lançamento Eternal Masters!

Com isso tudo devemos fechar o ano com o lançamento de 9 coleções: quatro sets regulares, mais Commander, Planechase, Conspiracy, From the Vault e Masters. Isso sem contar outros produtos como os Duel Decks. Um número realmente impressionante, mas fica a questão se dará o retorno esperado. Teremos que esperar até o fim do ano para saber.

E você, o que achou de todos esses anúncios e todos esses lançamentos? Algumas dessas mudanças devem ter passado despercebidas, são tantas. Tá perfeito? Tem mais alguma coisa pra lançar? Estão exagerando um pouco? Sinta-se livre para usar a seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sinergias do formato

O plano de zumbis e terrores lovecraftianos mais amado do Magic, Innistrad, é um plano conhecido por possuir um número elevado de tribos, algumas exclusivas até hoje. Mas, além disso, suas mecânicas envolvendo morte e cartas no cemitério fazem com que as cartas dessa coleção (e de seus antepassados) possuam um grande potencial de sinergia com diversos arquétipos. Um observador atento já deve ter percebido cartas nessa coleção que são possíveis “estrelas” de suas respectivas tribos.

Mas também podemos pensar em sermos mais ousados. Não necessariamente as sinergias devem se estender ao deck inteiro, no entanto, podemos pensar em combos relativamente simples que abrangem o competitivo. Primeiramente, gostaria de sugerir a interação entre Arcanjo Avacyn e Deslocador Eldrazi. A habilidade de remover e retornar a criatura ao campo de batalha permite duas coisas: que o mesmo seja protegido caso Avacyn transforme e cause os 3 de dano globais no campo, ou, e eu acho essa opção a melhor, a qualquer momento que você precisar, você pode remover de jogo a própria Avacyn! Isso fará com que você tenha o efeito de indestrutibilidade para as suas criaturas na hora que quiser (e que puder pagar os três de mana, mas é um preço bem justo, na minha opinião), e ainda poderá transformar a Avacyn novamente, para encaixar os 3 de dano em seu oponente novamente! A flexibilidade desse combo é bem alta, uma vez que só uma cor é necessária, dando “aquela” força pro Arcanjo favorito de todos.

Também existem outras cartas, como Interlúdio Espectral que podem beneficiar estratégias com criaturas de efeito “Enter the Battlefield”, ou seja, criaturas cujos efeitos ativam assim que elas chegam no campo, independente de onde estiveram anteriormente.

Para a próxima sinergia gostaria de destacar um arquétipo bem pouco valorizado, mas que com alguns “empurrões”, acredito eu, possa se tornar forte. Nessa nova coleção nos apresentaram o Sacode-Correntes. Ele é um espírito que permite invocar outros com flash. Não existem muitos espíritos famosos no Magic, mas já posso pensar em alguns: Geist of Saint Traft, Obzedat...

Mas não só de Standart e modern vive o jogador de Magic! Temos também o formato Commander (ou Elder Dragon Highlander, EDH, para os mais antigos), com suas explosões estilo Michael Bay, suas reviravoltas e conspirações que deixariam George Martin orgulhoso, e seus combos intensos. Aqui vemos muitas possibilidades de sinergias, então não vou conseguir pontuar nem metade delas. Podemos, por exemplo, citar o uso de Visões febris e Nekusar ou Segunda Colheita e de Marath, Will of the Wild.

Por fim, apenas uma menção honrosa ao combo Zada, Moedora de Edros e Guerrilheira Manto de Prata: Jogue uma magia na Zada, e você terá 2 cópias e um lobo 2/2. Jogue outra na Zada e você terá 3 cópias e 4 lobos! (Além da Zada e da guerrilheira). É um pequeno combo que pode encher o campo rápido com ameaças, e atacar para matar com uma combinação de Apressar e Deslizar pelo Espaço (lembrando que cada cópia comprará uma carta! A vantagem criada é muito grande).


E você, que outras sinergias enxergou com o lançamento da coleção? Diga nos comentários abaixo!

Augusto Moraes Moreira Penna

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Platina sem Valor

Mais ou menos um mês atrás, a Wizards, através de Hélène Bergeot, Diretora Global de Jogos Organizados (Director of Global Organized Play), anunciou uma série de mudanças que atingiram o Magic em geral em vários pontos. Nem todas essas mudanças foram bem recebidas pela comunidade e uma em especial foi firmemente rechaçada pelos jogadores, em especial, os profissionais.

A primeira mudança a se notar diz respeito aos formatos dos Pro Tofacilmente  da Copa do Mundo de Magic. A partir da temporada 2017 o Modern deixa de ser um formato de Pro Tours e o Standard passa a ser o único formato Construído a ser jogado nesses eventos. Em contrapartida o formato da Copa do Mundo passa a ser Selado de Equipes e Modern Unificado de Equipes.

Essa é uma mudança que já vem sendo discutida há algum tempo no Magic e ganhou muita força após a Invasão Eldrazi. Muitos compartilhavam da opinião de que o Modern não se sustentava como formato de Pro Tour, já que este, além do ambiente competitivo e de reunir os melhores jogadores profissionais, chamando a atenção para o Magic como um E-Sport, tem a missão de, se não popularizar, ao menos trazer os holofotes e para a coleção recém lançada. Nesse sentido o Standard é o formato que mais atende esse requisito, pois sua base de cartas reduzida e rotação consolidada fazem com que o set que está sendo lançado, que, afinal, dá nome ao PT, represente no mínimo 1/6 do formato. Então, para onde iria o Modern, afinal de contas?

A resposta dada a nós foi Copa do Mundo de Magic. A Copa do Mundo é um grande evento no qual, além dos melhores jogadores se reunirem para competir, como é esperado num evento desse porte, eles formam equipes nacionais em busca pelo título de campeão. É um evento que vem ganhando cada vez mais popularidade, então não é pouca coisa que o Modern seja o formato escolhido. E, se os formatos não te agradam quando jogados em equipe, só resta dizer que o Modern continua sendo um formato válido e muito usado para GPs, PPTQs e RPTQs, e as lojas ainda têm liberdade para fazerem seus campeonatos, então, não, o Modern não morreu.

A segunda mudança diz respeito ao Mundial de Magic e sua premiação. Para o campeonato de 2016 houve um aumento significativo no prêmio que passou a ser de $250.000,00 ($70.000,00 para o campeão). Já o campeonato de 2017 vai contar com premiação total de $500.000,00 ($100.000,00 para o campeão), o dobro de 2016! Essas são notícias que, à primeira vista, agradam muito, mas, de onde vem o dinheiro? Essa pergunta se relaciona diretamente com a terceira mudança, que diz respeito ao Pro Players Club, à categoria Platinum, em específico, e um pouco também no Hall da Fama do Pro Tour.

Então, a terceira mudança diz respeito ao cachê recebido por jogadores Platinum e também por jogadores Hall da Fama. Quanto ao Hall da Fama, os jogadores, ao invés de receber uma gratificação de aparição em todo e qualquer PT e Copa do Mundo que jogarem, vão receber $1.500,00 apenas nos PTs em que houver as cerimônias de novas turmas do Hall. É um decréscimo considerável, mas que só atinge alguns poucos jogadores, então, pode ser mais facil aceitado. Quantos aos Platinum, seu cachê passa a ser de $250 por aparição em PT, Copa do Mundo ou Classificatórios para a Copa do Mundo (antes era de $3.000 para PT, $1.000 para Copa do Mundo e $500 para Classificatório). É um decréscimo gigantesco, que atinge uma parcela bem maior de jogadores, já que qualquer um que joga competitivamente ao menos sonha em alcançar o Platinum, mais ainda aqueles que já estão na categoria, ou no Gold, ou seja, os melhores jogadores que temos.

E foi aí que o mingau azedou. Muitos viram essa mudança como a morte do Platinum e até a morte do competitivo. Quem já era Platinum podia argumentar que o esforço havia sido muito grande, grande demais, para chegar ali e ver seu objetivo desmoronar. Quem era Gold podia dizer que a mudança retira quase todo o incentivo que se tinha de perseguir uma classificação melhor. Para uma comparação rápida, as diferenças entre o Gold e o Platinum são basicamente os cachês recebidos e eles, com um valor tão baixo, não valeriam a pena. Por fim, não haveria mais incentivo para jogar competitivamente, se, a qualquer momento, as recompensas pudessem sumir.

O barulho foi tanto que dois dias depois Hélène Bergeot novamente veio se pronunciar com palavras, dessa vez, de desculpas. Nesse anúncio ela reitera o acréscimo na premiação do Mundial, mas volta atrás a respeito da situação com os Platinum. Diz que “sem intenção, nós quebramos a confiança dos jogadores Platinum, aqueles que estão trabalhando para atingir esse staus, e a Comunidade de Magic em geral” e também que “nos importamos muito com o Magic, seus jogadores e seus pro players e escutamos a comunidade” e qualifica a discussão como saudável.

No entanto, ao final, fica a promessa de até o PT de Lua Arcana, em agosto, planos para a melhoria do Magic competitivo serem reacessados, com consultoria e feedback dos profissionais levadas em consideração. De fato, o Magic precisa de mudanças em seu cenário competitivo, quase qualquer um concorda com isso, e embora seja o maior jogo de cartas do mundo, quando colocado, pelas ações da própia Wizards, como repercutiu novo diretor, como um E-Sport, o jogo ainda tem muito que aprender.

E você, como ficou em tudo isso? Qual a sua opinão sobre as mudanças feitas e quais outras deveriam acontecer? A seção de comentários está ao seu completo dispor. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha