sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Chegue Batendo

É hoje o lançamento oficial de Kaladesh, logo, inauguramos de vez esse novo Standard. Estamos na Semana 1! Escolher decks para a semana 1 é sempre uma decisão complicada, ainda mais com sets de rotação, caso de Kaladesh. Você deveria jogar com decks conhecidos do último formato ou uma construção nova? Qual arquétipo estará melhor posicionado no futuro Metagame? Devo me preocupar mais com early, mid ou late-game? Todas essas são questões que podem, e devem, vir à mente nessa hora.

Uma saída simples para tomar essa decisão é partir para o básico e pegar uma construção agressiva. É básico porque é a forma mais comum de derrotar o oponente - arremessando suas criaturas nele sem parar até que a vida chegue a zero - e é simples porque o Standard vem favorecendo muito as criaturas, de forma que não é nada difícil achar algum valor nos novos sets. Agora, temos que lembrar que Companhia Coletiva se foi, de modo que o combate se altera totalmente. Não se trata mais de obliterar o oponente com criaturas saindo de surpresa e antes que ele possa fazer algo a respeito. O novo Metagame deve tender à construção de um campo de batalha, com a pressão sendo aplicada continuamente para, então, a finalização. Mas, vamos logo à algumas das algumas cartas de Kaladesh que podem te jogar na frente quando o assunto é beatdown.

Ferramenteiro Exemplar



Kaladesh fez um ótimo trabalho em nos trazer cartas que gritam "ARTEFATOS IMPORTAM!!!" e o Ferramenteiro é um excelente exemplo disso. Ele é um drop-1 agressivo por vocação que chega aos status de 3/2 no combate se você controla apenas um artefato, o que se espera que seja quase uma regra, já que, além de um set voltado para esse exato tipo de carta, temos as Pistas de Innistrad, que continuam sendo relevantes. Então temos nele um ataque de poder 3 consistentemente no turno 2, o que não é de se desprezar. Como um adicional, a partir do momento que se controla três artefatos ele recebe Iniciativa, se tornando mais difícil ainda de se tirar do campo. E, como se não bastasse essas vantagens vale a lembrança de que, mesmo quando o Ferramenteiro encontra uma barreira grande demais para transpor, ele pode simplesmente Tripular um veículo e você vai ter investido apenas 1 de mana num valor de Tripular igual a 3, que consegue animar criaturas realmente muito grandes com poder 5 ou 6. Resumindo, não despreze o Anão.

Avernal de Lathnu


Um 4/4 ímpeto que bate duas vezes antes de ser sacrificado por 3 de mana, não é nada mal mesmo. Agora, se analisarmos um pouco o que essa carta pode enfrentar nesse Standard vemos que pouca coisa vai fazer oposição ao Avernal. Os drop-2 e 3 do formato não são empecilho para um 4/4, mesmo um Rastreador Incansável pode encontrar alguma dificuldade, e Mago Refletor nesse caso não é realmente uma grande saída. Ele é muito bom em aplicar pressão no campo e colocar jogadores e Planeswalkers com o pé atrás e múltiplos dele podem fechar o jogo sem muito auxílio, às vezes. De fato, o mais irritante seria que ele fosse "chump bloqueado" duas vezes e depois sacrificado, mas não é como se não pudéssemos conseguir energia de outros lugares, como Raio Domesticado.

Brigão Voltaico


Essa pode  não ser uma daquelas cartas que chamam a atenção de todos e que garante sozinha um arquétipo inteiro, mas é inegável seu valor. É muito difícil, muito difícil mesmo, conseguir uma criatura RG (dois de mana, não as cores) com três de poder, e só por isso o Brigão já é, para mim, muito jogável em Limitadoe digno do Construído, mas ele não para por aí. Também utilizando a mecânica de Energia, mas dessa vez sem o sacrifício requerido pelo Avernal, ele se torna um atacante 4/3 com Atropelar. Já sabemos que 4 de poder é o suficiente para causar estrago e o Atropelar faz toda a diferença, pois impossibilita o "chump block". Além disso, lembramos que Energia pode ser obtida em outras cartas. Então, temos uma criatura que seguramente bate duas vezes 4/3 Atropelar e depois continua no campo, batendo ou tripulando, por um investimento de dois de mana e raridade incomum. Eu me surpreendi quando essa carta foi revelada e espero vê-la em decks por aí.

Cóptero do Contrabandista



Sobre Tripular, e para finalizar, está aí mais um ótimo exemplo do uso dessa habilidade com o Cóptero do Contrabandista, uma carta que está entre as mais poderosas do set, sem exagero. Para começar ele é um veículo 3/3 com evasão por 2 de mana e Tripular 1, o que significa que você pode virar qualquer criatura que esteja de bobeira, como um Inspetor de Thraben um Tóptero ou um Rebento Eldrazi (sim, eles ainda existem). Daí, a partir do momento que ele começa a atacar, você começa a ganhar. Simples assim. Isto porque a cada vez que o Cóptero ataca OU bloqueia, você vai poder "lootar", ou seja, comprar uma carta e descartar uma carta. E isso significa ganhar o jogo? Claro que sim. O fato de que você vai poder filtrar sua mão com uma vantagem de cartas absurda, promovendo seu plano de jogo, seja ele qual for, e ainda dar dano de combate é um peso gigante no seu lado da balança.

E também vamos nos lembrar que ele pode sair ileso de remoções para criaturas, já que nem sempre ele mesmo é uma. Que com Sempre Vigilante em campo ele se torna uma máquina de comprar cartas e dar dano, podendo atacar e bloquear livremente, algo que vai intimidar os ataques do oponente. Que ele cabe muito bem no Burn como uma válvula para a Loucura de Temperamento Explosivo, por exemplo. A consistência de vantagem de cartas de dano ao oponente por um custo muito baixo tanto para conjurar quanto para Tripular. É muito poder para ignorar.

Com apenas essas quatro cartinhas um estrago imenso pode ser feito no melhor estilo Aggro e eu estaria ansioso para esmagar a face do meu oponente com elas. Na dúvida, bater é sempre uma opção viável.

E esses são alguns dos meus destaques Aggro de Kaladesh. Quais são os seus? Faltou alguma carta para você? Alguma das que citei é um completo barco furado? É semana 1, o que espera do Standard? Sinta-se livre para usar a nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Obras Primas e Preços

Quem joga o formato Standard, ou acompanha o blog, deve saber este é um formato que ficou muito caro de um tempo pra cá, com decks com uma média de preço U$300 ou ainda mais, como foi no Standard de Batalha por Zendikar (Jace e fetches, se lembram?). E todos concordamos que essa é uma quantia muito grande de dinheiro para um jogador que está começando no Magic investir, ainda mais se pensarmos no Standard como um formato que rotaciona a cada seis meses. É péssimo tanto para os jogadores quanto para a Wizards, como você deve imaginar. Nas palavras do próprio Mark Roosewater: 

"O Standard é o formato Construído mais jogado. Ele foi desenvolvido como ponto de entrada para jogadores que desejam jogar Construído. Por uma pesquisa de mercado e mídia social, aprendemos que muitos dos jogadores interessados em jogar Standard sentiam que de alguma forma estava fora de seu alcance. Tínhamos que achar um meio de consertar isso."

Ou seja, o Standard deve ser um formato de fácil acesso aos jogadores (leia-se barato), já que é a porta de entrada do Construído. Desta forma algo teria que ser feito para abaixar o preço do Standard, uma solução tinha que surgir. Essa solução já nos foi apresentada e recebe o nome de Masterpiece Series.


 Obras primas, de fato.

Uma das notícias mais interessantes envolvendo o lançamento de Kaladesh foi o fato de que as Expedições que conhecemos em Zendikar estariam presentes em todos os blocos daqui para frente sob o esse novo nome, Masterpiece Series. Todos os sets terão essa seleção de reprints ultra-raros e foils, que devem aparecer numa proporção de 1 a cada 4 booster boxes. Mas como isso afeta o preço do Standard?

Bem, as Masterpieces simplesmente destroem o preço das outras cartas da coleção. É difícil prever o preço individual que cada carta pode atingir, mas os preços das boxes acabam caindo sempre para o mesmo patamar, entre U$55 e U$75. E, considerando que as Masterpieces são reprints de cartas boas e de alto valor que veem jogo no Modern e nos formatos Eternos, é fácil prever para onde a maioria desses U$75 vão.

De fato, as Masterpieces sempre tenderão a valer muito dinheiro, seja por sua raridade, foil especial, ou pela qualidade em jogo dos reprints. Isso significa que imediatamente o resto do set (leia-se o que você precisa para jogar Standard) vai tender a um preço não tão alto assim. Se as Masterpieces são caras demais, logo o resto do set não pode ser. Então, enquanto ninguém precisar de nenhuma Super-Mítica-Rara-Especial-Foil, ou de um playset delas, imagine, para montar seu deck, os preços do Standard tenderão a se manter razoáveis.

Agora, duas preocupações podem surgir quando pensamos acerca dessa solução que foi tomada. A primeira diz respeito ao preço das cartas que eu já possuo e as cartas que vou comprar, e devo dizer que quanto a esse aspecto pode se despreocupar. Enquanto é verdade que as Invenções de Kaladesh diminuem o preço das outras cartas do set, elas em nada alteram o preço das cartas de, por exemplo, Sombras de Innistrad. O objetivo das Masterpieces é abaixar o preço do formato aplicando uma diminuição set por set. Quanto às cartas reprintadas, a raridade das Masterpieces é alta demais para realmente abaixar o preço de cartas como Frasco do Éter. Sobre as cartas que você comprará daqui para frente, sim, por suposto elas devem valer menos, mas perceba que você também deve pagar menos por elas, o que te deve permitir comprar mais cartas ou gastar esse dinheiro de qualquer outra forma.

A segunda questão é um pouco mais complicada e abrange os drafteiros, jogadores de Limitado, por aí. As Masterpieces não alteram em nada o preço dos produtos selados, têm impacto somente no mercado secundário, de forma que quem joga Draft sairia prejudicado por estar pagando o mesmo tanto que antes e recebendo cartas que valem menos. Esse ponto é uma verdade e é difícil de contornar.  O lance aqui é se lembrar que o Valor Esperado sempre cai para o mesmo patamar nos sets, só que agora será dividido de uma forma diferente, com as Masterpieces sendo responsáveis pela maior parte do valor. Então, já que as Masterpieces são a nova norma, você só teria que continuar draftando até encontrar uma, que, então, recuperaria todo o valor que você "perdeu" nos outros drafts. Os jogadores que mais perderiam aqui são aqueles que não jogam Draft com frequência e também não jogam Standard, e,  mesmo assim, eles só teriam de lidar com a alta variância de abrir ou não uma Masterpiece em seus drafts.

Para resumir, enquanto adicionar uma raridade aos boosters de Magic pode não ser a melhor coisa do mundo, as Masterpieces são uma maneira bem elegante de a Wizards abaixar o preço de seu formato de entrada. É uma saída boa para os negócios e boa para a maioria dos jogadores. Vamos aguardar os resultados para saber se será boa para o Magic em si.

E você, o que achou de ter Masterpieces em todo set? Há algum ponto negativo ou positivo que você acha que ficou faltando aqui? Está empolgado para abrir uma dessas no seu pré-release? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O que Fica e o que Vai - Kaladesh

Estamos a uma semana do pré-lançamento de Kaladesh, há uma explosão de spoilers sendo divulgados todos os dias com Mecanotitãs, reencontros familiares, planinautas de volta à cena e Invenções. Mas Kaladesh é um set de rotação, sua entrada significa que dois sets deixarão o Standard e muitos já comemoram, ou lamentam, esse fato. Então já que Dragões de Tarkir e Magic Origens estão deixando a cena, o que vai com eles?
Não começaremos com o mais óbvio dessa vez, embora essas não sejam exatamente difíceis de pensar. Os Baby-walkers, Kid-walkers, Flip-walkers, Planinautas de Origens estão indo embora e, dos cinco, a única que não teve seu momento nos holofotes foi Chandra, aparecendo bem de leve nos sideboards de algumas construções Mono Red. O Prodígio de Vryn teve seus altos e baixos enquanto esteve legal com ápice de poder, e de preço, no Jeskai Black, dali foi a melhor carta do formato algumas vezes, perdeu espaço, mas continuou sendo uma ótima carta; Liliana apareceu muito bem no PTBFZ nas listas GB Sacrifício; Kytheon, que começou como o patinho feio do ciclo, acabou achando seu lar em algumas listas de Humanos quando SOI chegou; e Nissa viu jogo em uma variedade incrível de listas Jund e Bant, inclusive no atual melhor deck do formato.

Dromoka's Command [DTK] Collected Company [DTK]
 
As duas cartas que mais foram alvo de reclamações nesse último Standard também estão indo embora. O Comando de Dromoka praticamente impossibilitou que os encantamentos fossem realmente expressivos nesse período e complicou imensamente as fases de batalha, já que apenas dois terrenos desvirados poderiam guardar uma carta que dava espaço para fortalecer um bloqueador e ainda matar uma criatura através da mecânica de lutar.

A carta achou seu verdadeiro lar no Standard de SOI com o GW Tokens, o melhor desse formato, com vitórias consistentes e ótimos resultados, muito disso graças à versatilidade dada pelo Comando. O deck, aliás, perde muito na rotação. Sem o Caminhante Aeródromo, Proteger os Ermos e o Comando extingue-se toda a identidade atual do deck. Logicamente o arquétipo de tokens não vai morrer, mesmo porque a nova mecânica Fabricar é uma boa adição, mas o GW Tokens como conhecemos está oficialmente morto e enterrado (mesmo que já estivesse desaparecido desde o PTEMN).

Já a Companhia Agrupada foi um terror. É uma mágica instantânea que te permite colocar em campo duas criaturas de custo de mana acumulado de até 6. Isso mesmo, 6 de mana, duas criaturas, no turno do oponente. A carta foi tão opressiva, distorceu tanto o formato, que criou um arquétipo exclusivo para ela e, se você iria jogar com criaturas e queria imprimir bons resultados, provavelmente 4 cópias dessa belezura estariam na sua lista.

A carta se firmou mesmo no topo com o lançamento de Lua Arcana, que permitiu ao deck acessar Espírito Altruísta e Supressor de Mágicas, que se juntaram ao Advogado Silvestre e ao Mago Refletor, de Juramento e se tornaram praticamente imbatíveis. O dekc foi um consenso entre jogadores, fossem profissionais ou não.

Outro ciclo importante que vai embora é o ciclo de Painlands inimigas de Origens. Não dá pra dizer que a construção de decks de cores inimigas vai ficar mais difícil, já que em Kaladesh teremos Fastlands inimigas, no entanto, a construção de decks incolores e incolores/coloridos vai sofrer. De fato, com as Painlands o uso e inclusão de cartas como os Eldrazis de Juramento das Sentinelas foi imensamente facilitado, já que não era necessário ter terrenos verdadeiramente incolores. Então, com a saída desse ciclo quem faz uso das cartas incolores terá de procurar outras fontes, provavelmente mais dispendiosas, para obter seus recursos.

Demonic Pact [ORI]
Também se vai na rotação o deck com o combo mais fofo e arcano de todo o Standard. Oferta Inofensiva + Pacto Demoníaco. Com o Pacto deixando o formato, ficamos sem o que oferecer ao oponente, a não ser que surja algo ainda em Kaladesh ou Revolução de Éter.

Isso tudo vai embora, mas o que ainda temos? Bom, temos todos os arquétipos do bloco de Sombras em Innistrad, que são muitos, muito bons e devem disputar entre si para ver qual será o melhor deck da Semana 1.

A disputa deve ficar entre Delírio, particularmente a construção G/B, que, mesmo que não tenha aparecido no mundial, fez um bom PT e tem interações muito fortes; o Burn, que foi impulsionado pelo Termoalquimista, faz um ótimo uso de Visões Febris, e está indo para um plano onde Chandra é a protagonista; Emergir, em particular os da combinação Temur, que vêm numa crescente, presente em campeonatos importantes, com uma fatia boa do Metagame, e resultados respeitáveis; e Emrakul, a grande mãe sempre deve ser temida e pode vir tanto num ramp mais tradicional quanto num Turbo e se aproveita muito bem do Delírio e de Emergir. Todos esses decks comemoram a rotação da Companhia, já que perdem um oponente bastante difícil de derrotar.

E que cartas se fortalecem com a rotação? Uma resposta óbvia está nos encantamentos, que não têm mais de temer o Comando, especialmente Sempre Vigilante, que disputava espaço nos decks de Humano. Além desse temos Visões Febris, Rito do Criptólito e Campo de Quarentena, que poderão ser usados mais livremente. Para além dos encantamentos, o Rompe-mundos ganha novos alvos para sua ira Eldrazi, os artefatos, que estão presentes em abundância em Kaladesh, então deve ver mais jogo, essa é uma das minhas apostas.

E esses são alguns pensamentos sobre a rotação que se aproxima. Que carta você está comemorando por ir embora? E quais irão fazer falta? Qual deck sai na frente para a Semana 1? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Mundial de Magic: the Gathering 2016

Semana passada tivemos um enorme evento do calendário do Magic the Gathering competitivo, o Campeonato Mundial. Os melhores 24 jogadores do mundo competindo entre diversos formatos pelo prêmio, o título de Campeão do Mundo e essa taça:

Vamos começar pelas informações básicas. Como já disse, o campeonato é formado por apenas 24 jogadores de todo o mundo de forma invitacional, a premiação total do evento chega aos $250.000, sendo que $70.000 são para o campeão. Neste ano o evento durou 4 dias passando pelos formatos Booster Draft de SOI-EMN, com 3 rodadas no primeiro e 3 no segundo dia, Standard, 4 rodadas no primeiro dia, semifinais e finais, e Modern, 4 rodadas no terceiro dia, quando acontece o corte para o Top 4, com semifinais e finais no último e quarto dia.

Então, primeiro dia, decklists registradas, tudo pronto para os primeiras rodadas de Construído e temos um Metagame assim:

Aqui uma clara inversão do que aconteceu no PT. O Bant Company, que saiu de lá com um gosto amargo na boca, continuou imprimindo ótimos resultados e vem mantendo a posição de "melhor deck do formato", fato confirmado por 7 dos 24 melhores jogadores do mundo. Embora não tenha feito um recorde combinado impressionante, apenas 43%, ocupou metade do Top 4.

Já o Bant Humans, que mal foi encontrado no PT, tem o segundo lugar em Metagame, o que pode ter sido uma surpresa. De fato, todo o grupo de testes BBD, composto por ele, Brad Nelson, Martin Müller e Larsson, acabou por escolher este deck que "foi muito bem nos testes" e, embora tenha um embate duro contra o Bant Company pode vencer. No entanto, as rodadas de Standard não foram muito bem para eles, a não ser Brian Bran-Duin, que foi ao Top 4 com record de Standard 4-0, e o deck acabou com um recorde de apenas 40%.

O deck Standard que fecha o Top 4 é o quarto em Metagame, Turbo Emrakul, um deck com nome auto-explicativo. Ele foi levado por Oliver Tiu com recorde pessoal de 2-1-1, e foi melhor no recorde combinado, com 64% de vitórias.

No dia três tivemos o segundo formato construído, Modern, com o Metagame desta maneira:

Com a exclusão do mar de Abzan, um terço dos decks, temos um Metagame muito mais diverso aqui do que no formato anterior. Temos aí decks que já são bem conhecidos no competitivo, como o Affinity, Infect e Jund, e decks mais novos ou menos expressivos, como Dredge, Thing Ascencion e, acreditem ou não, um BW Tokens.

Dentre os 8 jogadores de Abzan, dois conseguiram se classificar ao Top 4, coincidentemente os mesmos dois jogadores que se classificaram com o Bant Company, e o deck fechou com um recorde geral de 45%. Os outros decks representados nas semifinais foram Bant Eldrazi, recorde pessoal de BBD de 3-0-1 e combinado de 71%, e TitanShift, recorde geral de 88%, se classificando com um recorde pessoal de 4-0 de Oliver Tiu.

Assim o corte para o Top 4 foi feito e tivemos o Mestre dos Grand Prixes, Brian Bran-Duin, o Mestre do Construído, Oliver Tiu, o Mestre do Draft, Márcio Carvalho, e o jogador com mais Pro Points da região Ásia-Pacifico, Shota Yasooka, se enfrentando pelo título. Um Top 4 de nível altíssimo e que acabou por representar o Magic em sua totalidade.

Nas semifinais tivemos o confronto BBD contra Yasooka, Bant Humans contra Bant Company, e o primeiro levou a melhor, 3-0. Do outro lado, Carvalho enfrentou Tiu numa partida de Bant Company contra Turbo Emrakul, Mestre do Draft contra Mestre do Construído, e levou a melhor na especialidade do adversário com 3-1.

A final, então, foi entre Brian Bran-Duin e Márcio Carvalho, uma partida entre Bant Company e Bant Humans. Para ambos este era o ápice da carreira. Carvalho, jogador português, teve altos e baixos desde que entrou para o competitivo 16 anos atrás. BBD conseguiu sua vaga no campeonato na última semana possível, perseguindo o título de Mestre dos Grand Prixes.

Carvalho tinha uma tarefa muito difícil, bater um jogador que estava invicto com seu deck e numa partida complicada, um embate entre Companies,  e começou bem, ganhando o primeiro jogo. No entanto, BBD manteve a calma e jogou o seu melhor, ganhando os próximos dois jogos, o terceiro durando 67 minutos, e reverteu o placar. Assim também foi o retrato da quarta e última partida, Carvalho começou na frente, dominando o campo de batalha, mas BBD reagiu e alcançou um espaço de equilíbrio. O jogo virou quando BBD desceu sua Tamiyo, Carvalho ainda tentou uma reação, baixou a vida de BBD para 4 e estourou três pistas em busca da Arrogância Trágica que o colocaria de volta no jogo, mas, como foi incapaz de achá-la, estendeu a mão e deu parabéns a BBD pelo título.

 






Brian Bran-Duin sagrou-se Campeão do Mundo
E assim finalizaram-se as competições do Mundial, com Brian Bran-Duin no topo. O que você achou desse evento? O que espera da próxima temporada? E quanto a todos os anúncios feitos na PAX? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Obrigado pela leitura.

Thiago Metralha

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pauper em Conspiração

Hoje está fazendo uma semana do dia de lançamento de mais uma coleção para Magic: the Gathering, mas dessa vez uma coleção suplementar, fora da rotação do Standard, focada no jogo multiplayer e no draft, e não qualquer draft, especificamente o Conspiracy Draft. Conspiracy: Take the Crown chega adicionando centenas de cartas para o jogo, como a Rainha Marchesa, o novo Daretti e a nova planinauta, Kaya, mas não é sobre essas cartas o artigo de hoje. O lançamento também levantou algumas discussões que agitaram a comunidade de jogadores, como preço dos produtos, assim como em todo lançamento, e os reprints do tipo de Inquisição de Kozilek, Berserk e Visões do Soro, com alguns até chamando o set de Conspiracy: Eternal Masters 2, no entanto este artigo também não é sobre esses tópicos.

A coleção tem 221 cartas, que foram feitas no intuito de serem jogadas no Limitado, e, é claro, a maioria delas é comum. No entanto, há sim formatos Construídos em que essas cartas são legais: o Legacy e o Vintage, são formatos Eternos afinal, e o Commander.  Há um formato, porém, que ficou de fora dessa lista e seria um dos que receberia um impacto considerável com as cartas presentes em Conspiracy. Um formato para se jogar justamente com as cartas comuns. Este formato é o Pauper. E o motivo pelo qual os sets Conspiracy não são legais em Pauper é simples e fácil de compreender: eles não são lançados na plataforma MTGO. E o que isso tem a ver? Bom, o fato é que o Pauper, embora seja jogado também em papel, é um formato sancionado apenas na plataforma online.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Guia de Jargões de Planeswalkers - Terrenos Parte 2

Na primeira parte desta série de artigos, nos deparamos com uma vasta nomenclatura de terrenos que pode não ser familiar a todos os jogadores de Magic, principalmente os iniciantes, mas que são usados em vários formatos, desde o casual ao competitivo. Hoje, veremos algumas outras lands que são importantes de alguma forma e que é bom saber facilmente identificá-las numa partida ou numa possível nova construção de deck.

Taplands/Utility Lands

Vamos iniciar com dois conceitos básicos de terrenos. Taplands são todos os terrenos que entram em campo de batalha virados, que é o revés mais comum para balancear terrenos que podem vir a ser muito poderosos. Já as Utility Lands são terrenos que possuem efeitos quaisquer além de gerar mana.

Karoo Lands/Bounce Lands

As Karoo Lands recebem esse nome como uma referência a um ciclo de terrenos que entravam em campo viradas e tinham de ser sacrificadas a não ser que um terreno básico da cor que a respectiva land gerasse fosse retornado à mão do dono. Elas geravam duas manas para a reserva, com uma mana incolor adicionada às cores de mana normalmente geradas pelos terrenos básicos, e eram, é claro, cinco, sendo elas Karoo (branco e de onde surgiu a nomeclarura), Coral Atoll (azul), Everglades (preto), Dormant Volcano (vermelho) e Jungle Basin (verde).

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

As Sombras chegaram ao fim...?

Olá a todos! Aqui teremos a terceira e última parte da história do bloco Sombras em Innistrad e Lua Arcana! Para quem chegou agora, primeiramente bem vindo! Esta série de artigos conta a história oficial dos planos de Magic: The Gathering, num misto de narrativa e tradução dos textos publicados na página oficial da Wizards. Já contamos com outros dois artigos publicados com esse intuito, que você pode ver aqui (Parte I), e aqui (Parte II).

Comecemos, então, com uma seção que nos situa com o terror vivido pelos habitantes de Innistrad:

O terror está apenas na sua cabeça...


Se você fosse um habitante humano de Innistrad, e não fosse um cientista louco, certamente iria dedicar um tempo da sua vida para agradecer (ou pedir) aos anjos de Avacyn. A oração e a fé em Innistrad possui um grande poder, e ter sua família protegida pelas revoadas celestes comandadas por Bruna, Gisela, Sigarda e Avacyn era a coisa certa a se fazer. 

No entanto, as coisas começaram a mudar em Innistrad. Algumas maldições de Licantropia (lobisomens) estavam começando a quebrar as barreiras conjuradas pela igreja, diversos camponeses estavam relatando ouvir vozes estranhas e misteriosas seitas realizavam seus cultos longe da luz do dia, nas florestas mais afastadas de Ulvenwald, ou nas praias mais obscuras de Nefália.

Agora sabemos que a causa era Nahiri e suas maquinações. Suas novas peças de litomancia, os criptólitos (como eram chamados pelos habitantes do plano) possuíam uma forma entortada e pontuda, que permitia que o fluxo de mana naquela região fosse "dobrado" para apontar em uma direção. Essa mudança no fluxo de mana estava causando danos colaterais em quaisquer atividades que exigiam mana para serem realizadas.


Outros seres estavam, também, sendo afetados. No entanto, a mutação era física: todo tipo de distorção surgia nos seres vivos, e a única coisa em comum era o aspecto doentio e canceroso. As pessoas que não estavam sofrendo esse destino estavam pesquisando, investigando as possíveis causas e, de preferência, as curas.

Mas, de longe, havia algo que preocupava a todos: os anjos, seres feitos de pura mana branca, estavam alterando seu comportamento. Mais intolerantes, sedentos pela violência e morte dos "impuros", os anjos gradativamente passaram a agir contra aqueles que deviam ser protegidos: os humanos fiéis a Avacyn. Estes não tiveram chance, e foram massacrados aos milhares, diante da terrível imagem que era a revoada que anunciava a morte certa.


"Não se preocupem. Vocês serão salvos...de vocês mesmos.". Com o medo dos anjos adicionado aos terrores antigos (que estavam mais fortes), os nativos de Innistrad não tiveram muita escolha além de resistir em grupos (esse destino sendo reservado àqueles que ainda não se integraram à loucura). O plano não estava preparado para uma guerra interna tão forte, e a chegada do Fim Prometido, Emrakul, simplesmente destruiu as esperanças.

Sentinelas ao Resgate! 

Mais ou menos...


Agora retornamos ao "fio solto" deixado no fim do segundo capítulo. O som que Jace ouviu, e que todos os habitantes de Innistrad ouviram, foi o som de Emrakul quebrando a barreira da realidade e fazendo a sua entrada no plano. Uma legião de cultistas a esperava, e finalmente todos puderam ver e compreender quem (ou o quê) estavam venerando. 

O poder de Emrakul é incerto (apesar de termos a certeza de que é enorme). Em Zendikar, sua atuação nos permitiu ver que a gravidade se dobrava em seu favor, e sua prole era composta de "pedaços" seus que se desprendiam e tomavam vida própria. Como não haviam eldrazis em Innistrad ainda, A titã deu um jeitinho de arranjar seu exército através dos nativos. As mutações, antes observadas em vestígios, deram lugar a transformações completas de corpo e mente. 

"Todos somos Emrakul", é o que passava na mente deteriorada daqueles que sofreram a enorme influência Eldrazi. Formas monstruosas simplesmente explodiam de dentro dos corpos dos habitantes, e aqueles que ainda não sofreram apenas observavam, com nojo e terror nos olhos.


Jace, após sair da catedral com Tamiyo, não queria perder tempo, e já se preparava para voltar a Zendikar para buscar as Sentinelas. A Soratami compreendeu (após ler a mente de Jace em um acordo entre os dois), e protegeu Jace da loucura de Emrakul enquanto ele transplanava. Chegando lá, ele começou a resumir a situação em Innistrad, e a discutir soluções.

Contas a acertar


Enquanto o mundo de Innistrad caía diante de Sorin, este só pensava em matar Nahiri, como última ação dentro de seu plano. Agora, com o exército de Olivia Voldaren ao seu lado, ele se dirigia à Mansão Markov, onde Nahiri e uma legião de cultistas (que a veneravam como a anunciadora de Emrakul) o esperavam.

Enfim, Sorin chegou ao destino. Nahiri agora apresentava um semblante confiante e zombeteiro, e assim, começou o embate entre os exércitos. A litomante não se importava com as perdas, - Aqueles cultistas não significavam nada para ela - assim como para Sorin apenas uma vida importava: a dela.

" Um rancor de mil anos está chegando a um fim.

Para Sorin, é a distorção de sua antiga casa. É o desfazer de Avacyn. É a chegada de Emrakul.

Para Nahiri, é a traição de um amigo. É o milênio gasto presa dentro da Câmara Infernal. É a ruína de Zendikar em sua ausência.

Quando dois Planinautas antigos duelam, planos inteiros reverberam.

(...)

'Você deve me desconsiderar muito se acha que isso funcionaria,' Nahiri disse à medida que o segundo projétil de magia mortal era devolvida de volta a Sorin, acertando-o em cheio. 'Magia flui através de linhas de força. Linhas de força passam pela pedra. E, bem, ambos sabemos o que eu posso fazer com isso. Então por favor, Sorin, pode tentar esse lixo de novo.' Ela estava o circulando agora. 'Eu trouxe Emrakul para a cabeceira de seu plano, e você ainda acha que sou uma criança.'

Por um momento, ninguém falou. Mais que seiscentos anos de história os levaram até ali. Olhando nos olhos de Sorin, Nahiri se perguntou se ele estava pensando a mesma coisa. Eles foram amigos, ela acreditara. E agora...agora ela teria a vingança dela. Finalmente, Nahiri disse, 'Mil anos Sorin, você me trancou por mil anos.'

'E, ainda assim, aqui está você.' Sorin tossiu, mandando um espéculo de fumaça negra no ar. 'Você deveria ter ido embora.'

'Eu saí. Eu retornei a Zendikar e a vi sendo devorada pelos Eldrazi. Você deixou isso acontecer.' Ela levantou a espada para que ficasse no nível da garganta de Sorin. 'Você me condenou e ao meu mundo.'

'Você sabia os riscos quando concordou em prender os titãs em Zendikar. Você sabia que a fuga deles era uma possibilidade.'

'Eu também sabia que nós tínhamos um acordo.' Nahiri sentiu sua pele queimar. 'se eles escapassem, você e Ugin deveriam ter vindo. Quando eles escaparam, nenhum de vocês estava por perto. Da maneira que eu via aquilo, estávamos os três juntos. Mas era só eu. Todo aquele tempo, era sempre eu.

'Então você decidiu condenar esse plano.'

'Eu cansei de ser uma vigia, e Zendikar nunca mais será uma prisão. Emrakul tinha que ir a algum lugar. Você só fez a decisão ficar fácil.'

'Sorin, eu estou inclinada a deixar isso rolar,' veio a voz melódica e instigante de uma mulher, acima. Nahiri inclinou a cabeça e viu uma vampira, fechada em uma armadura preta elegante, flutuando acima de uma dúzia ou mais de vampiros vestidos similarmente. Ela não usava um capacete, e sua cabeça pálida e o choque de seu cabelo ruivo brilhante contrastava com o metal negro. Havia um ar de graça que parecia radiar dela, e Nahiri reconheceu um poder que era semelhante ao de Sorin, Aquela mulher era uma hematófaga anciã.

'Sem dúvida, Olivia,' Sorin disse de sua posição inferior.

Olivia moveu-se até Nahiri com sua delicada espada de metal negro. 'essa é ela, eu entendi.' Sem esperar por uma confirmação, ela simplesmente se direcionou a Nahiri. 'O que quer que Sorn fez para incitar sua ira, eu tenho certeza que ele a merece. Mas ele também conquistou meu auxílio, então eu não posso permitir sua vingança.'

'Outro anjo guardião, Sorin? Esse foi mais improvisado, eu acho,' disse Nahiri. Ela moveu uma mão para além, e as placas de pedra à sua frente começaram a incandescer com o calor.

Olivia sorriu. 'Eu gostei dela Sorin, eu devo admitir. Mas, independente disso...' No sinal dela, os vampiros desceram em Nahiri. "

(texto retirado e traduzido do site oficial da Wizards.)

Foi uma luta sangrenta. Com uma demosntração de poder e habilidade, Nahiri cuidou da vanguarda de Olivia sem maiores problemas. Ela não queria perder tempo, no entanto, e por isso se valeu de sua arma secreta: uma horda de híbridos eldrazi que ela havia guardado como uma surpresa para Sorin. Manipulando as linhas de força de Innistrad, Nahiri conseguiu comandar as abominações até os vampiros restantes, deixando-a livre para lidar com Sorin.

O embate foi relativamente curto, mas não menos intenso. Ambos lutaram com determinação, e Sorin conseguiu desferir um golpe que começou a incapacitar a litomante. Os movimentos dela ficavam mais lentos, e um outro vacilo fez com que Sorin pudesse se aproximar e morder o pescoço de Nahiri. Ela começou a sentir mais fraca, e Sorin investiu no ataque. No entanto, isso deixou uma abertura para Nahiri, que recuou até uma parede logo atrás.

O poder de litomancia de Nahiri a permitia que ela pudesse literalmente se fundir com a pedra. E foi isso que ela fez. Unindo-se à pedra de uma coluna derrubada, ela consegue escapar das presas de Sorin, enquanto fazia enormes dentes de pedra que perfuraram os braços e pernas do vampiro, além de seu tronco. Ele ficou preso na pedra, e a dor provocada pelos ferimentos constantes o impedia de transplanar. Sorin estava preso, nas garras de Nahiri.

" E então Nahiri virou Sorin e a pedra em volta para que eles pudessem ver as planícies que se estendiam abaixo da Mansão Markov. Sorin tentou falar, um gorgolejo ininteligível, à medida que Nahiri subia no casulo que ela havia criado. O que quer que ele tinha a dizer era irrelevante. Ela queria que ele a escutasse. Com uma mão pendurada no pináculo da pedra, Nahiri inclinou para que pudesse sussurrar nos ouvidos de Sorin. 'Eu te poupei,' Nahiri disse. 'Uma cortesia devolvida.'

Na distância abaixo de um telhado de uma ninhada nuvens, Emrakul.

E, no momento seguinte, Nahiri transplanou para longe de Innistrad, deixando Sorin para o destino de seu mundo.




(...)

Sorin sentiu um momento antes de escutar -- metal contra pedra, um grande e lento arranhar que movia através de seu sarcófago de cima a baixo.

'Eu acho que gosto mais desse jeito,' veio uma voz rica com zombaria. E então, Olivia desceu na visão para tampar o caos além. Ela estava segurando a espada dele.

'Olivia,' disse Sorin entre dentes trincados, 'me solte.'

'Mesmo que eu pudesse, por quê? Avacyn está morta. Nahiri foi embora. Nossa barganha está completa.' Ela conteu o riso cruelmente. 'Eu chamaria isso de vitória. Tente aproveitar. A Mansão Markov é sua, afinal. Quanto a mim,' ela segurou a espada de Sorin para inspecionar a ponta, 'Eu prefiro mais o som de Olivia, Senhora de Innistrad.'

(...)

Sorin não gostava do jeito que Olivia olhava a ele a medida que ele implorava. Ela era a aranha, e ele a mosca. 'Me escute!' ele tentou novamente. 'que benefício terá tudo isso se amanhã tudo estará acabado?'

'Avacyn está morta. E você,' ela disse, pressionando a ponta de sua própria espada contra o seu queixo, 'você está onde você está. Eu acho relativamente bom.' E tudo que Sorin podia fazer era observar Olivia flutuando além da visão, para que Emrakul e o fim que ela prometia preenchessem sua visão mais uma vez."

(texto retirado e traduzido do site oficial da Wizards.)

Do ponto de vista de Sorin, tudo estava acabado. Planinautas milenares possuem a mania de achar que, se eles não resolveram algo, ninguém mais irá. Assim como Nahiri acreditava que zendikar tinha acabado, Sorin estava péssimo por assistir de camarote (e que camarote!) o fim de seu plano.

Entretanto, outros tinham uma ideia diferente do fim que teria Innistrad. E não estou falando apenas das Sentinelas do Juramento. Também existe...

A última esperança


Momentos antes de Sorin montar sua campanha de vingança, a planinauta Liliana Vess havia visitado a mansão de Olivia para "entregar" o cadáver de um cientista, o qual trabalhava para a vampira, que havia morrido após ser atacado por licantropos-eldrazi na residência Vess. A necromante é levada a uma sala de jantar, onde encontra Sorin e Olivia discutindo os termos do ataque à Nahiri. Após uma conversa cheia de rancor dos dois lados, Liliana se recusa a auxiliar os dois em qualquer operação de vingança, mas decide ir para Thraben, ao notar que, se não o fizer, Innistrad cairia. Ela era a Última Esperança, afinal.

Enquanto isso, chegando em Innistrad, está o grupo das sentinelas. O plano era simples: Nissa se conectaria às linhas de força do plano, Jace desenvolveria um local para aprisionar Emrakul, e Gideon e Chandra cuidariam da guarda. No entanto, o número de abominações vagando por Thraben era muito acima do esperado. As sentinelas lutam bravamente, mas começam a sucumbir.



O perímetro ia se fechando, até que uma multidão de zumbis se aproxima, abrindo caminho para Liliana, numa posição de poder e autoridade, e um sorriso no rosto. Após uma breve discussão (digamos que a Nissa e o Gideon não aprovam muito os métodos de nossa necromante), o grupo de planinautas se organiza para executar o plano. Todos estavam em posições, até que...

Emrakul chega em Thraben, e, com ela, uma onda de pressão mental inimaginável. Os únicos que restaram de pé foram Jace e, surpreendentemente, Liliana. Esta, com a força do Véu Metálico, percebe a fraqueza de seus mais novos "aliados", e decide enfrentar a titã Eldrazi por si própria.

Do lado de Liliana, Jace se encontrava em uma estase mental, na qual estava sendo conjurada uma proteção para os demais sentinelas. E é aí que começa a parte estranha.

Dentro da mente daquele que lê mentes


A forma de defesa que Jace encontrou contra o ataque mental da titã eldrazi foi se "entocar" em sua mente. Como se tivesse entrado em outro mundo, lá dentro de sua mente, ele controlava um corpo próprio. Ele se viu no topo de uma torre, e, acima, no céu, Emrakul ia descendo. Ele começou a descer a torre, e, enquanto o fazia, as paredes da torre se transformaram numa espécie de projeção. Estas continham cenas que os demais planinautas estavam presenciando em suas cabeças.

A Gideon, foi concedida uma visão dele com as Sentinelas em seu plano natal, Theros. Eles estavam diante de Érebo, o deus da morte. Este exigia que Gideon revelasse seu desejo mais profundo. O planinauta branco insistia que era proteger os outros, mas Érebo discordava. E, a cada vez, um dos seus amigos morria nas mãos do deus preto.

A Tamiyo (que também estava junto das Sentinelas em Thraben), uma prisão. Sentada em uma cadeira, tentáculos cresciam e amarravam seus braços, para não escrever, seus olhos, para não ler, e sua boca, para não falar. A história de Tamiyo, bem como sua capacidade de interagir, estava desaparecendo.

A Chandra, uma visão de sua infância. Os soldados que haviam matado seus pais agora a cercavam. Ela ficou com raiva, muita raiva, e queimou. Porém, não só os soldados, mas a si mesma, e ao mundo, tudo estava em chamas. Ela gritou, de dor ou alegria, ou ambos.

A Nissa, seu pior pesadelo: ela havia se tornado uma abominação, algo antinatural, uma cria de Emrakul. Ela começou a falar para Jace algo, mas apenas grunhidos ininteligíveis saíam.

Por fim, depois de descer todos os degraus, Jace achou uma porta. Do outro lado, uma sala branca, e nela, Emeria. A representação angelical de Emrakul, durante a sua estadia em Zendikar. Emeria começa um diálogo calmo com Jace Beleren.

" 'Você é...você é...Emeria? Você é Emrakul?'
'Posso me sentar?' A voz era uma voz feminina. Leve, quase aérea. Jace poderia até dizer que isso o animava, se fosse em outra ocasião. Não nessas ocasiões. No entanto. Jace não podia ver lábios se movendo pelo capuz para produzir a voz, mas parecia como uma voz normal. Mais ou menos.

Jace estava tão ocupado analizando a voz que demorou um momento para que percebesse o que realmente foi perguntado. 'Você está me perguntando?' De todas as surpresas do dia, receber uma pergunta educada não deveria estar em uma posição tão alta. É capaz até de estar em primeiro lugar.

'Essa é sua casa,' uma pausa, 'Jace. Jace Beleren.' À medida que ela disse 'Beleren', as palavras saíram sílaba por sílaba.

Eu estou com muito medo agora. Mas estou também muito curioso. Que justaposição estranha.

'Eu sou só uma visitante aqui. Então, posso me sentar?' Ela ficou de pé, esperando.

O quão mais surreal esse dia pode ficar? Jace estava confiante que ele não queria realmente uma resposta para essa pergunta. Lembre-se do que é importante--não morra. Descubra sua situação. Derrote Emrakul. Esse seria o mantra de Jace. Ele pensou em outra coisa. Convide Emrakul para uma xícara de chá. Ele riu, e seu sorriso ficou evidente em seu rosto. 'Claro, sente-se, por favor.' Jace gesticulou respeitosamente em direção à uma mesa de pedra.--Não. Eu não devo assumir que sei o que está acontecendo. O anjo sentou-se na mesa.

(...)

Jace limpou a garganta. 'Bem, já que estamos...você sabe, conversando. Quem você é exatamente? O que é esse lugar? O que está acontecendo?' 

(...)

'Tudo acaba. Tudo morre. Integridade está sempre atrás de nós. O tempo aponta apenas para um caminho.' Havia ecos dos pensamentos de Nissa, em sua visão anterior, mas Jace não entendia mais, vindo do anjo. Ela não olhou para cima, equanto escrevia, o seu capuz obscurecendo qualquer voz que proferisse essas palavras estranhas.

'Você é Emrakul?' Jace não sabia o que ele estava arriscando, e estava se importando cada vez menos. Cuidado é para aqueles com uma mão vitoriosa. 'O que você quer?'

Ela pausou a escrita, analisando o pergaminho que estava em suas mãos desde que sentou na mesa. 'Isso está errado. Eu estou incompleta, vazia, rudimentar. Deveria haver um desabrochar, não um ressentimento barroso. O solo não foi receptivo. Não é a minha hora. Não ainda.' A maneira com a qual ela disse, ainda, mandou um calafrio pelo pescoço de Jace. Ela continuou sua escrita, adicionando mais tinta à sua pena.

(..)

'Você joga xadrez?' A voz continuou, como se Jace estivesse falando insignificâncias, assim como ela. Jace estava tentado a gritar de novo, mas não pensou que seria de muito uso. Além disso, ele era bom em xadrez.

'Sim, eu jogo xadrez.'

'Você jogaria comigo?' Ela parou de escrever e enrolou o pergaminho.

'Eu não tenho certeza se tenho tempo...'

'Se você ganhar, tudo isso para. Eu te darei todas as respostas que você quiser.' Ela escondeu o pergaminho em suas costas.

Jace pensou em uma armadilha, mas ele era realmente bom em xadrez. 'E se você vencer?'

'Eu já estou ganhando, Jace Beleren. Vamos jogar um jogo.'

(texto retirado e traduzido do site oficial da Wizards.)

Por mais estranho e surreal que esse diálogo possa ter parecido, ele prossegue, com Jace jogando a partida de xadrez. sem respostas conclusivas, ele ganha a partida. O anjo, então, faz um pequeno movimento com as mãos, e as peças do tabuleiro ganham vida. elas começam a se matar, sangue derramando de pequenos peões e cavalos feitos de pedra. Logo, as que sobram vão em direção ao rei de Jace, que adota uma aparência idêntica ao do mago azul.

Jace protesta, dizendo que isso não é justo, e o anjo rebate, dizendo "Eles são todos minhas peças, Jace Beleren. Eles sempre foram. Eu simplesmente não quero mais jogar'. Com isso, a imagem do anjo se desfaz em fumaça roxa, Jace é levado, então, para uma outra sala, na qual um "clone" seu conversa com ele e o alerta que Liliana está morrendo. Jace precisava acordar e acordar as Sentinelas também.

O poder do Véu era imenso, quase grande demais para Liliana utilizar. Quase. Ela soltava rajadas de magia de morte na direção de Emrakul, que devolvia com seus tentáculos. Toda vez que um tentáculo caía, outro surgia. E, lentamente, Liliana ia perdendo espaço. O Véu Metálico também estava começando a cobrar o seu preço, e o sangue da necromante estava se espalhando no chão. Ela chega a olhar para o grupo de Jace, dizendo, "Jace! É melhor você estar fazendo algo de útil". Com isso, o mago mental acorda.

Os zumbis de Liliana estavam começando a cair, mas justamente na hora, Gideon e Chandra acordam do estase mental, entrando no combate novamente. Liliana estava esgotada, e Jace e Tamiyo estavam desesperados para encontrar uma solução.

Acontece que a solução estava em baixo de seus narizes...ou em cima. Segundo Avacyn, em sua luta contra Sorin, em Innistrad, O que não pode ser destruído deve ser preso. E, apesar da Câmara Infernal já ter sido destruída, a fonte dela ainda estava de pé: A lua. O plano havia ficado claro: juntar energia e prender Emrakul à lua.



O plano entrou em ação. Nissa havia apenas conseguido se conectar a três linhas de força de Innistrad, no entanto, e essas linhas de força machucavam Nissa, fazendo seus braços sangrarem. Mas era necessário, e por isso Nissa aguentou. Tamiyo pegou um pergaminho de sua bolsa, e traçou a magia de prisão, enquanto Jace conectava os dois extremos, Emrakul e a Lua. Tudo parecia encaminhado, e Jace se mantinha conectado mentalmente com as outras duas Planinautas. 

A ideia foi boa, mas a execução encontrou um problema fundamental: a falta de energia. Nissa sofreu tanta dor ao alcançar as linhas de força que desmaiou, parando o fornecimento. Jace estava desesperado, uma vez que aquela era a única chance. De repente, Tamiyo se desconecta mentalmente de Jace, puxa um dos pergaminhos de sua bolsa de pergaminhos probidos - desta vez era o mesmo que Emeria estava escrevendo durante a conversa com Jace em sua mente - e conjura uma mágica que dá um surto de energia ao grupo. Com isso, Emrakul estava sendo presa na lua. A imagem da titã Eldrazi foi diminuindo, até que restou-se apenas o satélite no céu, com a clássica marca das linhas de força de um plano.

E assim, a ameaça de Emrakul havia sido contida. Será?

" Jace estava exausto. Este havia sido o dia mais longo de sua vida, e tudo que ele queria era dormir. Um sono livre de sonhos ou qualquer pensamento.

Mas havia alguém que ele precisava falar antes.

Ele a achou nas periferias de Thraben, sentada nas ruínas de uma pequena igreja. Havia menos prédios de Thraben de pé, e esta igreja não havia sido poupada.

Ela só estava sentada ali, suas pernas cruzadas, seus olhos fechados. Jace achou estranho interromper um momento tão particular. Mas ele precisava saber.

'Tamiyo...? Você está...eu posso...?' Jace não sabia como perguntar a dúvida dele. Tamiyo abriu seus olhos, seu rosto ainda doentio e cheio do horror que ela havia demonstrado desde que eles haviam terminado de conjurar a magia. 

' O que aconteceu lá, Tamiyo? Você estava lá, conectada mentalmente comigo, e depois... você não estava mais. Você desapareceu. O que aconteceu com você?'

Tamiyo começou a chorar, sentada. Lágrimas caíram de seus olhos, uma, depois outra. Plip-plip, à medida que elas caíam no chão de pedra.

Suas palavras chegaram intensas, alarmantes. 'Nissa havia caído. A magia estava em perigo de se quebrar. Eu não sabia o que fazer, como ajudar.'

Jace estava surpreso. 'Então Nissa gerou o poder todo por ela mesma: Impressionante. Eu achei que tinha sido você, com o segundo pergaminho.'

Tamiyo olhou pra ele, tristeza e desprezo em ambos os olhos. 'Não, você não entende. Fui eu. Com o segundo pergaminho. É daí que a energia veio.'

'Mas isso é maravilhoso! Você nos salvou! Você salvou toda Innistrad, toda... tudo! Você está triste porque foi um dos pergaminhos de ferro? Um dos pergaminhos que você não queria abrir?

'Só cale a boca, Jace! Escute, apenas escute. Não fui eu. Aquilo...ela...me possuiu. Você entende? Não fui eu! Eu estava lá, em meu próprio corpo, sem forças quando ela veio e me possuiu. Meus olhos, minhas mãos, minha voz...ela possui a tudo. Elas não eram minhas mais.' O choro se tornou um soluçar.

Uma voz recorreu a Jace, a voz dela à medida que Jace via suas peças de xadrez morrendo. Eles são todos minhas peças, Jace Beleren. Eles sempre foram. Eu simplesmente não quero mais brincar.

'Eu...eu sinto muito, Tamiyo. Eu não sabia...'

'Mas essa não foi a pior parte. O pergaminho que eu abri. O segundo. Você estava certo. Eu não deveria abri-lo. Uma promessa feita há muito tempo, a qual um dia eu terei que pagar. Mas a magia que ela leu... não era a magia a original. O pergaminho que ela usou, conjurou uma magia diferente.

Emeria. 'De algum lugar, uma pena mágica havia aparecido, e ela começou a escrever no pergaminho, enquanto sentada na mesa que Jace lhe oferecera'. Jace começou a tremer.

O pergaminho havia sido mudado. Como ela fez isso? Como ela pôde fazer isso?' A voz de Tamiyo estava perto do pânico. 'Esse monstro tomou conta do meu corpo e leu um pergaminho, um pergaminho que deveria ter trazido devastação a tudo nesse plano...ao invés disso forneceu poder a uma magia que a aprisionou aqui. Como isso aconteceu, Jace? Por que isso aconteceu? O que nós acabamos de fazer?

'Eu...eu não sei.' Jace não tinha mais palavras. nem pra ela, nem pra ele mesmo.

Tamiyo respirou fundo. 'Eu disse a você antes, Jace. Às vezes nossas histórias devem chegar ao fim. Ainda assim, estamos aqui, cada um buscando prolongar nossa história, não importa o custo. Mas e se todas as histórias são apenas a história dela, tudo em serviço de algum destino terrível que ainda vai se desenrolar? Tamiyo olhou para a lua.

'Será que nós realmente ganhamos?' A voz de Tamyio não era mais temerosa, mas queixosa. jace não tinha resposta. Eventualmente ela subiu no céu escuro, e voou para longe. Não houve um adeus.

Jace sentou por mais tempo ali. Ele olhou de novo para a lua em seu brilho prateado, o glifo ainda brilhantemente inscrito em sua superfície, um testamento do sucesso obtido pelas Sentinelas. Nas profundezas daquela lua estava a força mais poderosa e destrutiva que qualquer outra que eles sequer havia encontrado. As palavras do anjo perfuraram sua cabeça, adagas de um destino incompreendido. 'Isso está errado. Eu estou incompleta, vazia, rudimentar. Deveria haver um desabrochar, não um ressentimento barroso. O solo não foi receptivo. Não é a minha hora. Não ainda.'

A espinha de Jace estava gelada. 'Não é a minha hora. Não ainda.' Ele retirou sua visão da lua, e saiu em busca de uma cama segura para achar um esquecimento momentâneo. "


(texto retirado e traduzido do site oficial da Wizards.)

E esse é o último registro (e capítulo!) da série de histórias de Sombras em Innistrad! Espero que tenham gostado, e deixem seu comentário a respeito do que acharam desse fim não tão conclusivo!

Augusto Penna