sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ferida Aberta

"É fácil (...) esquecer o quanto somos bem sucedidos nesses protocolos [de prevenção de vazamentos]. (...) O nível normal de entrega é somente o status quo, não é digno de nota". Assim Patrick "Trick" Jarrett, Gerente de Mídias Sociais do Magic, termina o artigo "Porque Vazamentos Ferem", escrito ainda em dezembro de 2015. Pouco mais de dois anos nos separam desse momento, mas essa frase já envelheceu muito mal.

Na ocasião a comunidade de Magic acabava de receber com espanto um grande vazamento da coleção Juramento das Sentinelas, que revelava a chegada o titã eldrazi Kozilek, a Grande Distorção a Zendikar, mas mais que isso, revelava um novo símbolo no Magic, para representar o mana incolor.

Seguindo sua política padrão de não comentar rumores, a Wizards continuou com o planejado, que era revelar a presença do titã no plano pelas histórias semanais e, uma semana depois, revelar a carta na Copa do Mundo de Magic daquele ano. Obviamente a revelação impactou poucos. A comunidade já comentava o titã e o símbolo há semanas e já tinha opinião formada sobre a mudança, que, em geral, era negativa. O vazamento arruinou uma grande estratégia de marketing da Wizards e nos privou de receber o melhor conteúdo que a empresa podia nos oferecer. No fim, todas as partes esperavam que esse capítulo fosse superado, deixando os vazamentos mais uma vez no passado.

Um novo status-quo


No entanto, não foi isso que aconteceu. Houve vazamentos em Sombras de Innistrad. E depois em Lua Arcana. E depois em Kaladesh. E os vazamentos continuaram a acontecer, coleção após coleção sem parar. No caminho, a confiança que os consumidores mais enraizados no Magic, aqueles que fazem parte da comunidade há muito tempo e/ou têm influência nela, têm na Wizards foi sendo minada. O consenso virou que a empresa não consegue segurar suas informações.

E, vendo os dados em retrospectiva, não podia ser diferente. Da Era das Sentinelas, que começou com Batalha por Zendikar, incríveis 10/11 coleções sofreram algum tipo de vazamento. Alguns foram pequenos, como os casos dos vazamentos do bloco de Kaladesh, que foram poucas cartas e cartas "menos importantes", mas também houve vazamentos mais sérios, que incluíram além de cartas, mecânicas, pontos e personagens importantes nas histórias. Também houve alguns casos de vazamentos em coleções complementares, como as coleções de Commander e Masters, e até de Listas de Banidas e Restritas. Nos dois casos mais críticos, Dominária e Ixalan, que são bem recentes, a Wizards teve sair da sua política, reconhecer os vazamentos como legítimos e retrabalhar toda a temporada de previews.

Em Ixalan, em razão do roubo de uma folha não cortada de uma das fábricas onde o Magic é impresso, a Wizards postou todas as cartas que podiam ser vistas parcial ou completamente nas imagens vazadas e aprofundou os previews para cartas de raridades mais baixas, comuns e incomuns. Para compensar os artigos teriam muito mais detalhes sobre as cartas e o plano de Ixalan, explicando a essência, a arte, como a carta foi desenvolvida e muito mais. Assim a temporada de spoilers não foi o desastre que poderia ser.

Já o caso de Dominária foi muito diferente, a começar pelo motivo do vazamento, que partiu de dentro da Wizards, quando o artigo de Notas de Lançamento da coleção em chinês foi equivocadamente publicado e logo traduzido e lançado para a comunidade. Dessa vez a Wizards não nos entregou todas as cartas reveladas, mas sim o documento traduzido oficialmente para cada língua. A temporada de spoilers ficou a cargo dos artistas, já que nenhuma arte foi vazada no processo, e eles não decepcionaram a comunidade e nos deram uma das melhores que já tivemos, a despeito do motivo, que foi até esquecido no meio da empolgação.

A ferida continua a doer


Mas essa animação passou para muitos quando, depois de Dominária lançada, surgiram, semana passada, vazamentos da próxima coleção básica. Cartas de M19 foram erroneamente colocadas em boosters de Dominária e, quando abertas, claro que foram rapidamente para a internet. Até agora todas as cartas vazadas são comuns, mas a luz de alerta na comunidade e, creio que, na empresa, voltou a acender.

E a quem culpar pelos vazamentos? Seria a Wizards? As empresas que imprimem o jogo? As que distribuem? Os fãs, que comentam e compartilham as informações vazadas? A resposta não é tão óbvia e, enquanto podemos chegar a raiz de cada caso não há como achar um culpado para todos esses eventos que têm acontecido. Mais importante que isso, não adianta culpar ninguém se nada vêm sendo feito para que os vazamentos diminuam sensivelmente ou parem de vez. A Wizards conduz suas investigações sobre os casos com muito segredo e, mesmo que ocasionalmente saibamos de um banimento ou outro, não temos a menor ideia se a situação melhorou nestes últimos anos ou se melhorará para os próximos.
Ferida Autoinfligida, arte de Mathias Kollros. © Wizards of the Coast

O que sabemos é que não é do interesse da comunidade em geral que os vazamentos continuem ocorrendo. Mesmo que hajam aqueles que querem sempre saber as informações o mais rápido possível, há também aqueles que amam a sensação de abrir um booster sem saber nada sobre a coleção, que gostam da temporada de spoilers ou que apenas confiam na Wizards para lhes entregar o melhor conteúdo possível, e estou inclinado a achar que este segundo grupo supera o primeiro.

Obviamente também não é do interesse da Wizards que a situação continue como está, pois gasta-se muitos recursos para planejar uma campanha de marketing e a cada carta vazada muitas horas de trabalho também são desperdiçadas e eles não sabem, e nem nós, até quando vão continuar conseguindo salvar esses eventos na últmima hora. Além disso, obviamente, a Wizards não quer ser a "empresa que vaza coleções" e sim a empresa que te dá a melhor experiência possível em seus produtos, quer ser uma marca confiável.

Estamos entrando numa nova era do Magic, mas é impossível que essa seja uma era próspera sem que o assunto dos vazamentos seja amplamente discutido e resolvido, se não aqui, na comunidade, dentro da própria Wizards. O que não pode acontecer é deixar essa ferida aberta porque ela ameaça a saúde do Magic: the Gathering como um todo.

E você, o que acha da polêmica dos vazamentos? Já foi impactado por algum? Como acha que essa questão afeta o Magic? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quinta-feira, 10 de maio de 2018

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Teste Baneslayer

Cada jogador tem sua própria métrica para saber se um formato é bom ou não. Muitos confiam no sentimento ou sensação geral passada pelo formato, outros pelo divertimento obtido e alguns têm um fator objetivo, que pode ser aplicado a qualquer experiência de jogo.

No ano passado Patrick Sullivan, entre outras coisas, ex jogador de Magic: the Gathering, atualmente comenta o SCG Tour, em uma das edições do CEDTalks, podcast de Cedric Phillips, que tem entre seus projetos ser Coordenador de Conteúdo Online da Star City Games e narra o SCG Tour, compartilhou conosco sua métrica do que faz um Standard saudável. Basicamente, se Anjo Exterminador do Mal (Baneslayer Angel) ou algum similar é uma criatura boa e viável, o Standard é saudável. Este é um teste bom por dois principais motivos: ele mede a velocidade do formato e também o poder das remoções.

Pense no Anjo Exterminador do Mal como uma criatura mais genérica. Ela é grande, tem bons status, um monte de habilidades de combate, está acima da média das outras, mas você pode simplesmente matá-la, e ela demora um pouco para entrar no campo de batalha. Ela ser uma boa criatura significa que você vai estar vivo para conjurá-la na maioria dos jogos, ou ela nunca apareceria nas sua 75 cartas. Significa que, provavelmente, o formato não é dominado por numerosos decks Aggro ou Combo que terminam o jogo no Turno 4, por exemplo, com consistência. Também significa que no Turno 5 ou próximo disso, é esperado que a maioria dos decks, mesmo os Control, apresente uma criatura forte para acabar o jogo, que não deve se arrastar indefinidamente. Sumarizando, se a Anjo é viável, há uma provável harmonia entre as estratégias mais rápidas, Aggro/Combo, e as mais lentas, Midrange/Control.

Seguindo ainda neste exercício de pensamento, se você coloca a Anjo em seu deck, provavelmente você espera que ela viva para cumprir seu objetivo, seja ele ofensivo ou defensivo, o que indica que não há uma superabundância de remoções eficientes no formato. No entanto o fato que nenhuma das habilidades da Anjo a protege das remoções também é bom, pois dá um sinal ao formato que esta não é uma ameaça imbatível, que há saídas possíveis. Num todo, jogar com esta carta indica um equilíbrio entre remoções e ameaças, já que, se houvesse remoções demais e/ou eficientes em excesso, você não comprometeria uma jogada de tamanho considerável numa criatura que vai morrer sem nem mesmo perder o enjoo de invocação.

E este teste é especialmente interessante no Standard de Dominária e pros próximos, enquanto a coleção for legal no formato. E isso porque Anjo Exterminador do Mal recebeu um reprint funcional sob o nome de Lyra, Portadora da Alvorada.

Numa comparação direta entre as duas anjos, Lyra é um upgrade. A proteção contra Dragões e Demônios pode ter sido importante no Standard da época, mas ser uma Lord de Anjos é mais importante, tanto para o Standard atual quanto para outros formatos, como o Commander e o mesão, mais casual. Lyra, no entanto, é uma criatura lendária e, enquanto pode haver vantagens, com a mecânica e o tema Histórico, isso significa que há uma limitação de quantas cópias da carta um deck pode carregar, sem que uma ou mais fiquem inúteis na mão por muito tempo. Desta forma será mais comum ver ela como um 3-of (três cópias no deck).

Lyra também pode ser comparada com outras cartas, particularmente outros anjos, algumas de um passado recente, outras do formato atual. Do passado podemos trazer Gisela, a Lâmina Partida, que é basicamente um Anjo Exterminador do Mal encolhido. Gisela tem a vantagem de atingir o campo mais cedo, mas isso é suplantado pela relação Poder/Resistência que apresenta. Ser 4/3 significa ser muito mais fácil de ser bloqueada e muito mais difícil de bloquear, pois troca com criaturas abaixo dela na curva de mana, e ser especialmente vulnerável para remoções por dano. Isso coloca Lyra vários degraus acima de Gisela.

Para uma comparação mais recente trazemos Anjo da Invenção, que é uma carta muito mais flexível que Gisela, e talvez até que a Portadora da Alvorada. Para começar, não é lendária, então, sem restrição ao número. Além disso, têm uma habilidade que cria tokens de criatura, com Fabricar, e ela mesma aumenta o poder da equipe, criando 6 de poder imediatamente quando o modo de fichas é escolhido. Caso escolha o modo de marcadores, ela sofre dos mesmos problemas que Gisela, sendo apenas uma 4/3 por 5 de mana. Esse é um indicativo muito forte sobre qual modo da carta é o mais vantajoso e isso é o que a tira da disputa com Lyra. A Anjo da Invenção pede um deck em que suas duas habilidades possam ser abusadas, e seus status não permitem que ela funcione como um finisher clássico, como poderia Lyra. É por isso que vemos Anjo da Invenção como uma 4-of (quatro cópias no deck) em decks Dádiva do Faraó-Deus e nenhuma cópia sequer em decks control.

Finalmente podemos comparar Lyra, Portadora da Alvorada com o Metagame em si. A Portadora se esquiva da maioria das remoções de dano usadas, a exemplo de Abrasão, e também de Empurrão Fatal, uma das remoções mais usadas no formato, e de Demover, remoção de Dominária que chega ao mais perto que estivemos de Lâmina da Destruição desde a própria Lâmina da Destruição. Em contraponto, é frágil contra Selar, outra nova remoção de Dominária no estilo de Jornada a Lugar NenhumDesprezo de Vraska, uma remoção muito difundida, e a qualquer efeito de cólera.

Em combate Lyra se mostra mais que confortável, naturalmente evitando criaturas terrestres. Das criaturas que sobram ela consegue sobrepujar incríveis 148 de 160 criaturas que têm Voar ou Alcance. E, entre as 12 que podem segurá-la, apenas 2 têm visto jogo em nível de torneio recentemente, ou seja, sua superioridade no céu é inquestionável.

Então chegamos ao ponto de responder à pergunta: o Standard Atual é um bom formato? Os resultados do Standard PTQ de 29 de abril, domingo passado, dizem que sim.

O campeão do torneio foi o jogador(a) Team5c com o deck GW Midrange, que conta com 3 cópias de Lyra no maindeck. Além desse, a Portadora da Alvorada conquistou o Top 8 com um 2° Lugar com BW Veículos, 3° Lugar com UW Histórico, 6° Lugar no sideboard de um UW Control e 8° Lugar com outro GW Midrange.

Esses resultados são ainda de um formato muito novo, mas mostra que os jogadores veem valor na carta e estão empolgados em usá-la em alto nível de competição. Além disso vê-se uma variedade enorme de estratégias em que Lyra pode ser empregada, com muitas cores, o Verde, o Preto e o Azul sendo usados em conjunto do Branco.

Indo pra frente pode-se esperar que ela deve-se manter sólida como uma opção de sideboard no UW Control para partidas mais agressivas, especialmente o Burn/Mono-Red, que precisa de duas mágicas para poder removê-la. Enquanto isso outras construções serão testadas e nada impede que também se estabeleçam no Metagame.

E você, o que acha o Teste Baneslayer? E qual a sua opinião sobre a Lyra, Portadora da Alvorada nos próximos passos do Metagame? Como você avalia um formato? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quinta-feira, 3 de maio de 2018

DOMINÁRIA | Análise de Limitado (Vídeo)

No vídeo de hoje trazemos uma análise do formato Limitado de Dominária com vários dados importantes e também alguns dos arquétipos mais fáceis de se construir.

 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Sagas como foram desenvolvidas

O hiato foi longo, meus caros, muito longo, mas os Artesãos do Magic estão de volta à ativa, finalmente. E hoje é uma data especial, não somente para celebrar a nossa volta, mas para celebrar o Magic: the Gathering como jogo em si. Hoje é o lançamento de Dominária, uma coleção para comemorar os 25 anos de aniversário do jogo e a primeira a voltar ao plano original do Magic em uma década.

E nessa festa os presentes não faltaram, a maioria deles envolto de uma aura nostálgica inevitável, afinal, a nostalgia é um dos temas principais e recorrentes do set. No entanto, de todos os possíveis retornos, entre planinautas, lugares, criaturas lendárias e mecânicas, o que mais chama atenção é o retorno de uma pessoa que compartilha o plano da Terra conosco, e trouxe com ela uma grande inovação, tanto em essência quanto em mecânica. E essa pessoa é Richard Garfield.

Richard Garfield esteve na Equipe de Desenvolvimento para Dominária

Richard Garfield já passou do ponto de ser "apenas" o criador do Magic há muito. Com um currículo extenso, que inclui TCGs, CCGs e Jogos de Tabuleiros ele continua mostrando porque é um mestre no que faz e, cada vez que ele volta para desenvolver algo para o MTG coisas grandiosas acontece e nós recebemos um set que se destaca em suas mecânicas. Foi assim em Ravnica, foi assim em Innistrad e é assim agora.

Na Visão, parte inicial do desenvolvimento de cada coleção, já se havia definido que a História seria o ponto central de Dominária. Como sabemos, a História é feita de histórias e há grandes delas para serem contadas, mas como traduzi-las em uma mecânica? Foi então que Mark Roosewater se lembrou dos antigos protótipos de planinautas. Cartas que tinham uma lista de efeitos, em que o primeiro se ativava assim que a carta entrava em campo de batalha e, depois disso, os seguintes se ativariam uma vez por turno, em sequência. Com essa ideia em mente, Garfield criou o que seria o protótipo das sagas que vemos na coleção.

Numa primeira olhada as cartas podem parecer complicadas, mas são facilmente identificáveis como mecânicas que poderiam pertencer ao Magic. Sabendo da história por trás do desenvolvimento é intuitivo pensar que essas cartas viriam ao campo de batalha com algum tipo de marcador no primeiro espaço, que seria ativado imediatamente, e que uma vez por turno esse marcador passaria, ou tentaria passar, para a próxima etapa. O que a Saga faz exatamente é explicitado pelo ícone nos espaços e explicado no texto da parte de baixo da carta e, se o espaço estiver vazio, a carta provavelmente não faz nada.

Dá pra ver a experiência que o Richard Garfield tem em Jogos de Tabuleiro e como ele facilmente traduziu isso para um jogo de cartas nesses protótipos. Nessas cartas você é o protagonista da história, quem queima o Vale dos Lótus em busca de mana, que tem poder para abençoar suas criaturas pretas com a Lua Maligna em um jogo e também fortalecê-las e trazer o Armagedom em outro. Em algumas a história só avança se você atinge certa condição no jogo. A Prensa Negra não se move sem a perícia necessária, um necromante poderoso não é nada sem Mortos Inquietos para invocar e, quando está face a face com a derrota, é você quem supera a morte. Nesses protótipos há um caráter personalista muito forte. Você vive cada uma dessas histórias e faz cada uma delas a sua própria.

Mecanicamente, cada uma dessas cartas é uma condição de vitória, basicamente contagens regressivas para o fim do jogo. Duas delas, Mistério da Prensa Negra e Conto da Quase Derrota, chegam a até mesmo incluir a cláusula "Você ganha o jogo" em seus textos. No entanto elas também exigem algumas restrições na construção do deck para serem totalmente eficientes e isso viria com o risco de ter seus planos arruinados por uma remoção, supondo que elas seriam permanentes no campo de batalha, como vieram a ser.

A partir deste ponto a construção das cartas foi modelagem e pivotagem, para que elas contassem as histórias pretendidas e que todas as informações sobre essas cartas, que estariam estreando no Magic, estariam presentes e claramente impressas, e daí se fez valer a experiência da Equipe de Desenvolvimento do Magic para tomar decisões importantes.

A primeira delas é fazer o uso do tipo Encantamento e ter Saga como um supertipo. Isso facilita a interação dos jogadores, seja o dono, seja o oponente, com essas novas permanentes, já que já existe no Magic uma pletora de cartas que se referem a esse tipo com inúmeros objetivos, como destruir, buscar, ativar ou ganhar habilidades diversas.

Outra resolução muito importante foi reduzir e limitar o número de etapas que cada Saga teria. De fato, se as Sagas tivessem 5 ou 6 etapas como os protótipos, não haveria espaço suficiente para explicar todas as regras e todos os efeitos e elas perderiam qualidade na mecânica, na arte e na complexidade necessária para usá-las.

A escolha mais bela foi, sem dúvidas, adotar uma moldura específica e especial. Esse é um movimento que vem de uma evolução lenta, mas duradoura, nas molduras de Magic, que inclui o uso do frame moderno nas cartas e também as séries Obra Prima. O grande destaque aqui vai, sem questionamentos para as incríveis artes verticais criadas para retratar a história de Dominária com objetos do plano, como tapeçarias, vitrais, pinturas e esculturas. Simplesmente magníficas.

A última decisão que tomo nota é fazer com que elas deixem o campo de batalha quando chegam ao marcador final. Diferentemente das Contrações que vemos em Unstable (que, a propósito, têm muito em comum com as Sagas: são um novo supertipo inserido em um tipo já conhecido e familiar, que têm efeitos ativados em etapas, e uma vez por turno, e que usam uma moldura específica e facilmente identificável) as Sagas ativam seus efeitos por si próprias e caminham em linha reta rumo ao seu final. Depois que ativassem sua última etapa elas ficariam inúteis e complicariam o campo de batalha, então é interessante fazer com que elas saiam, e até melhor, como histórias que têm começo meio e fim.

Todas essas e muitas outras decisões feitas pelo caminho nos entregaram este produto incrível.



Há diferenças claras quanto aos protótipos que vimos há alguns minutos. Nessas Sagas você não é o protagonista das histórias, mas sim o espectador daquilo que transformou este mundo no que ele é. Poucas destas Sagas são condições de vitória por si só, mas todas elas te ajudam a chegar ao seu objetivo, seja te acelerando ou atrasando seus oponentes.

Essas Sagas são a história de um mundo, mas também a história do Magic. Um marco das transformações que ocorreram até aqui e do caminho percorrido e por esse motivo elas não poderiam ser jamais ignoradas. No fim o mais importante é aprender com elas, pois só um tolo esquece o próprio passado.

E quais foram as suas impressões sobre as Sagas? Gostou delas? Qual a sua arte preferida? Conseguiu tirar alguma em booster? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos

quinta-feira, 15 de março de 2018

Estabelecendo uma Identidade

Uma identidade é provavelmente uma das coisas mais valiosas que se pode ter. Internamente ela te define na relação com o próprio, como você se vê e interage consigo, o que pensa de si e a que você atribui sua própria construção.  Externamente ela é o que te diferencia, te faz único e especial. É seu primeiro contato com o outro e, obviamente, está intrinsecamente ligada à como eles vão reagir e interagir com você. Em última análise sua identidade sumariza o que você é e influencia o contato que o mundo e com os outros têm com você. E essa é a razão pela qual muitos indivíduos e empresas investem enormes quantias de tempo e dinheiro tentando estabelecer uma e a prezam tanto.

Da mesma forma, uma mudança de identidade é extremamente importante. Significa uma mudança de paradigma que, na maioria das vezes, têm raízes muito profundas. E essa é exatamente a mudança que os Artesãos do Magic estão passando neste momento. Ela realiza o desejo de atualizar nossa identidade para que ela reflita o que somos por dentro.

Então, é com muito orgulho que apresento a vocês a nova identidade visual dos Artesãos do Magic:



E, mesmo com todo esse pensamento por trás, esse logo não têm nenhuma relevância sem você e a nossa comunidade. Expandir o significado de Artesãos do Magic é uma missão que compartilhamos com vocês.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Felidar de Schrödinger

O lançamento de Amonkhet está cada vez mais próximo e, com o spoiler da coleção totalmente revelado, os jogadores já começaram a experimentar novas construções, arquétipos, o uso das novas mecânicas e das novas cartas, além de, é claro, atualizar os decks que já estão bem no atual Metagame do Standard. Uma dúvida surge, porém, quando se inicia este processo e é uma questão que pode mudar completamente o resultado final: deveria eu me preparar para ter que lidar com o combo Copy Cat?

Para quem não está familiarizado, o combo em questão é formado pelas cartas Guardião Felidar e Saheeli Rai e gera um montante arbitrariamente grande de cópias do felino, todas com ímpeto, o que acaba o jogo em um ataque. O combo, a princípio foi desmerecido por parte dos jogadores por ser supostamente frágil e lento (sem aceleração, estoura no turno 4), mas o deck conseguiu se adaptar bem aos adversários, conseguindo vitórias mesmo quando o combo em si não é resolvido, o que levou a uma dominância muito forte no formato.

Segundo os dados do MTGGoldfish o deck toma mais de 45% do meta somando suas versões com e sem Maravilha do Sistema Eteráulico e não é expressivo somente em fatia do campo, também o é em resultados em campeonatos. O deck conquistou o primeiro e segundo lugar no PPTQ Kyoto de Odessa, na Ucrânia, primeiro e segundo lugar no GP Secaucus, nos EUA, e 6º, 7º e 8º lugares aqui mesmo, no GPPOA. E isso desconsiderando alguns outros torneios mais regionais, como os Invitacionais Qualificatórios da StarCity Games, e as Ligas Competitivas de Standard no MTGO. Tudo isso mostra o quanto o deck é significativo no formato e pode ser considerado o atual melhor deck do Standard, sendo assim, é de extrema importância considerá-lo no processo de criação de seus decks, já que ele pode ser o principal adversário, o deck a ser batido.

A questão fica mais importante quando se sabe que o próximo anúncio de Banidas & Restritas, que acontece no dia 24, a próxima segunda-feira, pode ser o fim deste deck no Standard. Muito recentemente a Wizards tomou a iniciativa de executar banimentos neste formato em busca de um ambiente mais saudável e mais propício a jogadores que estão se iniciando no jogo, como você pôde ler aqui, então é possível que ela faça isso de novo agora, banindo algo do combo, e o principal candidato é o Felidar. No entanto, isso de forma alguma é um consenso.

Embora o ponto que o formato ficaria mais diverso e saudável com a saída do Copy Cat seja forte entre os jogadores, até mesmo os profissionais, muitos outros ficam receosos dos efeitos que um segundo banimento no Standard no ano traria. Alguns jogadores investem muito dinheiro para formar um deck e um banimento pode significar uma perda de centenas de dólares. Há que se lembrar que o Magic além de um TCG é um colecionável.

Toda essa incerteza acerca do banimento criou uma espécie de aberração nos playtests para a próxima coleção, afinal, há uma chance grande de seu chute (se vai ou não ocorrer banimento) estar errado e semanas de trabalho vão por água a baixo de uma hora para outra. Na dúvida, muitos jogadores estão jogando seguro e aguardando o anúncio de B&R, enquanto outros estão tentando se adiantar testando para todos os casos. As duas situações são prejudiciais já que em uma seu calendário de testes fica atrasado e em outra você está colocando esforço em uma situação que sabidamente não vai acontecer. O Guardião Felidar é uma carta que está, ao mesmo tempo, banida e legal no Standard, e isso não é bom.

De qualquer forma, a elite dos jogadores de Magic se prepara para o PT Amonkhet e não podem ficar parados. E, com todos os testes, a impressão que fica é que muito provavelmente o melhor deck na Semana 1 do Standard AKH é mesmo o Copy Cat.


"Vou te contar um segredo: Sabe todas esses decks bacanas com as novas cartas de Amonkhet? Todos eles sucumbem ao combo Copy Cat."

De um lado da balança temos um deck muito forte que ameaça a saúde do formato e do outro temos a segurança e estabilidade que os jogadores têm ao jogar o Standard. Segunda-feira a caixa será aberta e um lado dessa balança sairá prejudicado. Esperemos que seja para o melhor do jogo.

O que você acha do combo Copy Cat? Você acha que deveria ou não haver um banimento na próxima segunda? As respostas que Amonkhet provê contra este deck, e mesmo contra o Mardu, não são os bastante? Sinta-se livre para usar nossa seção de comentários. Você também pode nos alcançar na página, email (artesaosdomagic@gmail.com) ou twitter (@artesaosdomagic). Obrigado pela leitura.

Thiago Santos